Apesar do pedigree a que está associada, a Three Fields Entertainment, a produtora fundada por Alex Ward e Fiona Sperry - também fundadores da Criterion Games -, continua com dificuldades em entregar uma experiência capaz de colocar o seu nome no mapa e transformar-se num sucesso comercial significativo. Primeiro com Dangerous Golf, depois com Lethal VR e finalmente com Danger Zone, o estúdio somou títulos que foram recebidos de forma morna tanto pela crítica especializada, como pelos jogadores.

Ainda assim, o estúdio não dá sinais de querer abrandar e colocou recentemente no mercado Danger Zone 2, a sequela da obra lançada no ano passado. Mais uma vez optando pela duvidosa estratégia de anunciar e lançar o título sem grande pompa e circunstância ou dando oportunidade de criar alguma expectativa perante a obra antes do seu lançamento, o quarto título do catálogo da produtora prometia uma experiência mais expansiva em relação ao original e é precisamente isso que entrega.


Tal como os antecessores, Danger Zone 2 está muito longe de ser espectacular, sendo acima de tudo funcional. Como qualquer sequela que se preze, estamos perante uma evolução do conceito original - que, relembre-se, era inspirado no Crash Mode da série Burnout -, mas que não consegue apresentar uma substância suficiente para escapar à sensação de que estamos a jogar um minijogo espremido ao máximo para se conseguir afirmar como uma experiência independente.

Mesmo sem conseguir fugir a essa sensação, aquilo que oferece é mais do que suficiente para algumas horas de entretenimento. Comparativamente ao jogo lançado em 2017, a sequela traz consigo aquilo que mais faltava ao original, ou seja, uma maior variedade aos seus níveis e desafios. O simples facto de abandonarmos a escuridão do bunker de testes em favor de estradas a céu aberto e rodeadas por natureza ajuda a que a obra se torne mais apelativa, oferecendo não só desafios distintos, como também vistas diversificadas. Pode não ser o jogo mais impressionante visualmente, mas a variedade é sempre bem-vinda.


A variedade não se fica pelo cenário, contudo, uma vez que Danger Zone 2 conta também com desafios que recorrem a diferente veículos. Carros ao estilo da Formula 1, camiões, veículos de alta cilindrada equipados com turbo juntam-se ao veículos mais tradicionais para criar desafios diferentes que são principalmente notórios nos longos períodos de condução até ao local onde iremos desencadear as colisões em cadeia. 

Esses desafios de aproximação podem passar por colidir com um determinado número de veículos, com um tipo específico de veículos, com o evitar de colisões quando estão em veículos mais frágeis e com a utilização permanente do turbo. Funcionando sobretudo como formas de aumentar a pontuação, este percurso que antecede o caos dá-nos um aperitivo da jogabilidade que uma obra de condução e corridas mais tradicional por parte do estúdio seria capaz de proporcionar, algo que descobriremos quando Dangerous Driving for lançado no início de 2019.


De resto, a sequela mantém-se bastante fiel ao original com o objetivo principal a continuar a ser causar o maior número possível de colisões, explosões e tudo o mais que conseguirem para pintarem o cenário com metal amassado, chamas e fumo. Mais uma vez, a procura pela melhor pontuação e respetiva classificação na tabela de líderes será o principal motivador para realizarem o mesmo nível mais do que uma vez, o que poderá continuar a ser curto para uma falange importante dos jogadores.

Infelizmente, Danger Zone 2 faz um péssimo trabalho em colocar em foco o cerne do seu conceito de jogo, isto é, as colisões e a destruição veicular. Ao contrário do que acontecia no original, em que após a colisão inicial por nós provocada, a câmara do jogo focava-se nas subsequentes que daí resultavam, voltando ao nosso carro sempre que assim se justificasse, na sequela, a câmara ignora tudo o que vai acontecendo à nossa volta, preocupando-se apenas com o posicionamento do nosso veículo. Basicamente, isto significa que muitas das colisões ocorrem longe do nosso olhar, impedindo-nos de ter uma real impressão do caos que causamos.


Tal como o seu antecessor, Danger Zone 2 é uma competente obra que combina condução a alta velocidade e pouco segura com um elemento de puzzles no que diz respeito à forma de aumentar ao máximo o caos provocado e a pontuação obtida. Ainda assim, mesmo com as novidades que expandem um pouco mais o conceito do título, o título da Three Fields Entertainment nunca deslumbra ou mostra ser capaz de ter substância para mais do que meia dúzia de sessões de jogo.

Danger Zone 2 é uma sólida evolução do título original, mas continua a não conseguir parecer mais do que apenas um modo de jogo retirado de uma experiência mais robusta.
7em 10
7em 10