Passaram-se cinco anos desde a última aparição de Dillon num videojogo, o armadilho (animal também conhecido por Tatu) apareceu em 2013 na Nintendo 3DS em Dillon's Rolling Western: The Last Ranger. E agora, o mercado dos videojogos está bastante diferente daquilo que estava quando foi lançado. Na altura do lançamento da anterior aventura de Dillon, a Wii U tinha chegado ao mercado há cerca de meia dúzia de meses, enquanto que com Dillon's Dead-Heat Breakers a Nintendo Switch já está no mercado há bem mais de um ano. Por isso, é normal que haja menos entusiasmo com o título quando é a Switch (que também é portátil) que tem todas as atenções da casa de Quioto.
Em retrospectiva, Dillon's Rolling Western foi o pior dos três jogos, aliás com Dead-Heat Breakers nota-se uma clara evolução e melhoria da fórmula do jogo. Os jogos anteriores, nomeadamente, Rolling Western apresentou bastante potencial com um uma personagem muda no velho oeste selvagem. Dead-Heat Breakers é ambicioso ao ponto de introduzir uma narrativa que nos faz recordar Mad Max e não um típico spaghetti western, onde vivemos num mundo pós-apocalíptico com uma curiosa população, que será única para cada 3DS.
Vocês enquanto um Amiimal (uma combinação de um animal com o vosso Mii) , juntamente com Dillon, vão salvar o dia com outras personagens Amiimal da vossa 3DS. Estes serão usados tanto para vos ajudar durante a campanha, como para uma história cómica para não se levar demasiado a sério. De certa forma, a integração de personagens Mii faz com que Dillon's Dead-Heat Breakers parece uma espécie de seguimento à obras como Tomodachi Life ou Miitopia.
Uma das maiores diferenças entre este título e as outras entregas na série da Vanpool é a jogabilidade, nomeadamente os seus controlos. Felizmente, lembraram-se de deixar para trás o controlo do armadilho com a Stylus, uma forma de jogar que me recordo perfeitamente ser pouco ergonómica. Agora, Dillon movimenta-se como qualquer outra personagem normal, com o botão deslizante e o A. Simples e eficaz, complicar onde não se deve só serve para debilitar a experiência. Eliminar Grocks já não é uma atividade frustrante como o era há cinco anos.
No dia a dia de Dillon temos de reduzir os Grocks, que aterrorizam pequenas localidades, em mil pedaços. Se sou bem sucedido, pagam-me pelo meu esforço. Porém, há muitos outros tipos de missões igualmente importantes para serem resolvidas. Posso dar uma ajuda no ecocentro, participar em corridas, alimentar animais domésticos e muitos outros minijogos. Todas estas atividades recompensam-nos com dinheiro, que terá de ser gasto com as tais personagens Amiimal, vindas dos nossos encontros Street Pass, para as colocar em posições estratégicas quando começar a fase tower defense do jogo. Quanto melhor os posicionarmos, menos trabalho teremos a lidar com os Grocks.
Após a colocação dos Amiimal estar concluída, temos de explorar o mapa para recolher de forma mais eficiente os recursos que estes oferecem. Cada mapa tem características únicas. Há limitações para onde podemos ir, nomeadamente, nos níveis mais avançados, o que nos obriga a ponderar bem todas as decisões a tomar para o começo da invasão de Grocks. O processo de preparação pode ser, por vezes, cansativo depois de o termos repetido tantas vezes. Somos praticamente obrigados a passar por um processo de grinding para recolher materiais necessários ao sucesso das nossas missões.
Quem é fã da série do tatu ou armadilho Dillon, não ficará insatisfeito com esta nova entrada, que poderá muito bem ser o fecho da série em trilogia. Tem tudo a seu favor para convencer os jogadores com uma Nintendo 3DS a pegar novamente na portátil: um grafismo limpo num tom pós-apocalíptico, música enérgica o suficiente para manter as partidas interessantes e, sobretudo, controlos repensados que abandonaram a Stylus. Não é um jogo que será lembrado como um dos melhores do catálogo da Nintendo 3DS, mas será certamente recordado por misturar dois géneros de uma forma única nesta que é a melhor aventura da série.