Se conhecerem um bom local para conviverem com os vossos amigos que é de agrado unânime do grupo, este ao longo do tempo pode tornar-se um sítio habitual dos vossos encontros. Com o passar dos anos, pode até tornar-se uma tradição social do vosso grupo de amizades - mesmo que algumas alterações se tenham sentido nesse período de tempo: novos amigos ou novos proprietários do estabelecimento.


Disgaea 5: Alliance of Vengeance é similar no aspeto que quem já conhece esta série da japonesa Nippoin Ichi, já têm uma ideia do que esperar do jogo e já sabem o que vão encontrar nesta sexta obra da saga RPG de estratégia com combates por turnos. Disgaea 5 terá que passar a fazer parte das vossas sessões de jogo - é uma tradição, já sabem que este é um "local" bem frequentado.

Como sou um ávido apreciador de videojogos RPG de estratégia com combates por turnos, muito graças a Final Fantasy Tactics, quando iniciei o jogo na PlayStation 4, estava mentalmente preparado para aprender os meticulosos sistemas de combates e de personalização. Alliance of Vengeance não falha em incluir o que acabei de referir, que fez-me estar várias horas a explorá-los, um a um, para tentar aprender a melhor forma de os aproveitar.

O sistema basilar, aperfeiçoado em muitos títulos RPG com combates intercalados entre o grupo inimigo e o vosso, está presente e bom de saúde. Contudo, como em qualquer produtora que tem brio no seu labor, não basta adicionar um número ao nome da sua série e apresentá-lo ao seu público, há que acrescentar algumas funcionalidades, melhoramentos e inovações.


Uma das adições mais úteis é a classe Maid, que permite fazer um melhor uso dos itens, evitando queimar etapas a outros intervenientes da vossa party durante a batalha. Temos também demandas a completar, as vulgares quests que partilham o mesmo nome em muitos outros RPG, que podem parecer um fardo muito enfadonho em algumas ocasiões, mas que oferecem recompensas e acesso a novos conteúdos importantes para dar uma dimensão dinâmica à obra.

Nem todos os sistemas serão obrigatórios para serem bem-sucedidos nas dungeons de Netherworld que vão visitar, no entanto se souberem utilizar bem o que vos é oferecido, vão ultrapassar mais facilmente diversos obstáculos que serão colocados no vosso caminho. Contudo, usem bem o que sabem e não haverá nenhum problema por uma abordagem mais pessoal e que vos seja mais confortável. Aqui todas as técnicas usadas servem bem para avançar.


Nesta nova entrada de Disgaea, Takehito Harada - conceituado artista da Nippon Ichi que já trabalhou em Makai Kingdom: Chronicles of the Sacred Tome e Phantom Brave para além dos vários títulos da série Disgaea - continua a conceber o que de melhor faz com a sua arte no departamento artístico de Alliance of Vengeance. O seu cuidado por um trabalho exímio pode ser contemplado no vasto elenco de personagens com alguns desenhos excêntricos, com uma rica palete de cores vivas que destacam as linhas soberbas que dão forma a monstros, animais e humanos.

Infelizmente, o elo mais fraco deste RPG é o seu arco narrativo. A história é levada ao ridículo com tantos exageros de personalidade que entram em confronto com cada uma das personagens. Não é raro ver uma personagem mais exaltada ao serviço do humor que o argumento quer expressar. Os Prinnies, osminions que são as verdadeiras mascotes da produtora nipónica, continuam presentes para mais momentos de comédia, nas situações desastrosas que eles se encontram - são literalmente sacrificados sempre que necessários.


A narrativa tem como vilão central Void Dark, um overlord que comanda o seu exército de demónios e criaturas maléficas para os seus fins pessoais. Vocês controlam Killia um demónio sedento de vingança contra Void Dark, que juntamente com Seraphina, quer evitar a todo custo casar-se com o imperador Void Dark, como lhe foi ordenado. Cada uma das personagens não traz muito interesse e dimensão de caráter, sobretudo com a vocalização que deixa muito a desejar. Poucas são as ocasiões em que ficamos com a mesma mensagem que a narrativa nos quer passar quando estamos a ler e depois a ouvir os mesmos diálogos.

Para apreciar este tipo de videojogo, com uma extensa rede de micro-estratégia intrincada, a história acaba por ser um acessório fútil. Podem-se perder perto de uma centena de horas com este jogo e nunca nos sentirmos traídos ou arrependidos por termos investido tanto tempo a visualizar tantos dados estatísticos de tantas personagens e a aprender todas as técnicas que nos são apresentadas para levarmos sempre a melhor.


Sejam veteranos, novatos ou curiosos quanto a este género de videojogo, têm aqui um bom exclusivo do catálogo da PlayStation 4. Todavia, é este tipo de títulos que encaixaria na perfeição na PlayStation Vita, o palco perfeito para o género de estratégia por turnos que a Nintendo 3DS, mesmo com as suas limitações, tem vindo a assumir com pompa e circunstância.

Um bom título de estratégia da Nippon Icchi que pode, à primeira vista, estar sobrelotado de mecânicas de combate por turnos.
8em 10
8em 10