Muito provavelmente, quase ninguém se lembra do jogo de luta Gekido: Urban Fighters, ou nem sequer o conhece. Este jogo foi lançado na primeira PlayStation, no ano 2000, ou seja, há quase duas décadas; um título que procurou celebrar o que os beat’em’up fizeram na geração passada, ao mesmo tempo que aproveitou a nova tecnologia que permitiu criar modelos tridimensionais. A sua sequela chegou à Gameboy Advance intitulada de Gekido Advance: Kintaro's Revenge, a mesma que chega à Nintendo Switch com o nome de Gekido Kintaro's Revenge.

Só este rebuliço com a série gera alguma curiosidade para ver como ficou o produto final; se é desta que a série não fica no esquecimento como um jogo obscuro desconhecido da enorme audiência que tem hoje a indústria dos videojogos. Porém, este título partilha poucas características com o seu antecessor em termos de jogabilidade. Nesta sequela o jogo passou a ser bidimensional, tal como Streets of Rage, Final Fight ou o mais recente Mother Russia Bleeds. Porém, tem uma particularidade que o torna bastante original.


Nós controlamos Tetsuo, um homem bem versado nas artes marciais. Esta personagem terá de utilizar todos os seus melhores golpes, numa combinação de murros e pontapés para derrubar uma ameaça de mortos-vivos que, por qualquer razão, apareceu na aldeia de Tetsuo. Todavia, a narrativa não é a razão pela qual devem jogar, mas sim pelo desafiante combate entregue, tal como se faz nos jogos mencionados acima.

A jogabilidade sofre de imediato por ser um título vindo da Gameboy Advance, que não teve qualquer modernização na consola para a qual transitou. Com dois botões acessíveis ao polegar direito e outros dois para os indicadores, o jogo não consegue oferecer uma variedade muito grande de combos. Os dois botões de rosto servem para murros e pontapés, enquanto que o RZ permite que a nossa personagem salte alto o suficiente para podermos aplicar um pontapé no inimigo que se encontra à uma razoável distância, sem que este nos trave com os seus golpes.


Os mecanismos da jogabilidade mostram-se, sobretudo, competentes para aquilo que pretendem fazer. Os inimigos não perdoam se formos demasiado lentos a aplicar os nossos golpes e a fazê-los, literalmente, desaparecer. Se algo que queríamos executar falha, então estaremos rodeados de inimigos em pouco tempo. É por isso que se escolhermos jogar a dois, a campanha torna-se muito mais fácil.

Gekido Kintaro's Revenge tem um traço de originalidade que surpreende quem já se habituou aos jogos de luta que têm uma movimentação sidescrolling. Em vez de caminhar para a direita até passar de nível, somos obrigados a ir de um local para outro e encontrar, por exemplo, chaves para abrir caminhos anteriormente bloqueados.


Jogar, imediatamente, com um outro amigo é uma das várias novidades presentes nesta nova versão do jogo. Caso se sintam confiantes com o sistema de combate, partam à aventura em Survival Mode para enfrentar hordas de zombies com uma dificuldade que tem só um sentido, o do aumento progressivo. Também há um modo intitulado de Relic Hunter, mais focado na exploração dos cenários.

Graficamente não estamos perante um colosso no departamento artístico. Aliás, os gráficos nem foram atualizados para aquilo que as consolas conseguem hoje fazer com pixel art. Shovel Knight é um dos exemplos de como se replica bem o grafismo da NES com um toque modernidade. O único aspeto que vai ser necessário rever, conforme joguem na televisão ou em modo portátil, é o formato do ecrã. Passem por todos pelo menos uma vez e vejam qual é o mais confortável para vocês. Contudo, não vão conseguir esconder os defeitos que alguns modelos apresentam. Há certas áreas em que os detalhes nem sequer existem. É certo que pixel art não é sinónimo de um estilo artístico muito pormenorizado, mas o que não faltam são exemplos de jogos que optaram por este estilo com grandes pormenores.


A NAPS Team, produtora do jogo, apostou na área errada do jogo: otimizar as animações da apresentação narrativa, aquilo que se denomina vulgarmente por cutscene. A jogabilidade deveria ter sido o elemento do jogo a ser celebrado, nem que, se fosse possível, superar a experiência original com quase vinte anos. Por isso, caso possam, joguem Gekido Kintaro’s Revenge com um amigo, o jogo é exponencialmente melhor quando estamos acompanhado por alguém que partilha as nossas frustrações e que, por vezes, ajuda a eliminá-las.

Gekido Kintaro’s Revenge é um beat’em’up limitado, mas original o suficiente para tentarmos ir para além do ecrã de “game over”. Infelizmente, a produtora não melhorou o jogo para se considerar um jogo modernizado para um novo mercado, mas um decalque daquilo que foi originalmente criado. Na melhor das hipóteses, é possível gostar-se deste título por nos surpreender pelo seu level design bastante interessante.

Gekido Kintaro's Revenge não renova aquilo que começou na Gameboy Advance, adiciona conteúdo sem enaltecer a jogabilidade. O combate é frouxo e não motiva quem joga a melhorar o seu desempenho.
6em 10
6em 10