RemiLore tem uma premissa semelhante à The Binding of Isaac com mecânicas similares às de Diablo. Até aqui faz perfeito sentido um jogo deste género se ter inspirado nestes dois excelentes títulos, contudo, a inspiração não se fica por aqui. Esta obra tem uma direção artística tipicamente japonesa, visto ter um aspeto similar a um desenho animado japonês, o que chamamos de anime. Esta mistura improvável de géneros gerou um jogo que procura definição e personalidade ao longo das partidas que vamos jogando. 

A Nicalis é bastante conhecida pela publicação de uma série de pérolas indie, como Cave Story e The Binding of Isaac. Apesar de partilhar alguma similaridades com esses títulos, assim como os mencionados no parágrafo anterior, sente-se que Remilore está longe de atingir um estatuto semelhante a estas obras. As produtoras Pixellore e Remimory inspiraram-se nos moldes clássicos dos dungeon crawler para criar RemiLore. Infelizmente, RemiLore: Lost Girl in the Lands of Lore, nome completo do jogo, não aprendeu nada com os clássicos a que vai beber inspiração, o que o impossibilita de ser o jogo fascinante que poderia ter sido.


RemiLore é descrito pela própria produtora como uma aventura desenhada ao estilo anime, com elementos dos populares rogue-lite. O jogo apresenta e dá ao jogador o controlo de Remi, uma estudante que é transportada para o mundo de Ragnoah depois de despertar acidentalmente um livro mágico chamado Lore. Este livro fala com Remi e prometeu-lhe ajudar a regressar ao seu mundo, se esta conseguir protegê-lo dos monstros mecânicos que vagueiam pelo mundo que não é o dela. Aqui a narrativa está ao serviço da jogabilidade, pois só tem a função de dar apoio àquilo que os produtores pretendem oferecer.

RemiLore vai direto ao assunto, sem complicar o processo principal do jogo: jogar o que tem para oferecer. Os jogadores controlam Remi e podem realizar ataques leves e outros mais fortes ​​para criar combinações de ataques, ou seja, os chamados combos. E se utilizarmos energia do medidor de magia, podemos lançar poderosos ataques mágicos. Remi também tem a capacidade de correr por diversas vezes, gastando a energia de uma barra de resistência recarregável. Derrotar inimigos e quebrar objetos dar-nos-á sobremesas, a unidade monetária do jogo, assim como pontos de experiência para evoluir as nossas capacidades. Os jogadores podem usar esses pontos para melhorar as habilidades de Remi e Lore ou comprar novas armas, magias e itens para restabelecer saúde. 


O combate de RemiLore é simples, pois oferece uma fácil leitura do que devemos fazer para evitar sermos facilmente aniquilados. O movimento inimigo é, geralmente, lento e os seus ataques são fáceis de perceber, para que possamos contra-atacar ou utilizar alguma técnica para que não soframos dano. A velocidade de ataque e movimento de Remi faz com que o combate seja ainda mais fácil, assim os controlos e a jogabilidade estão a nosso favor e não são um obstáculo a contornar para o nosso sucesso. A dificuldade pode ser aumentada, mas não altera profundamente o jogo, mas com inimigos mais difíceis de derrotar, o espaço para o erro é maior - ou seja, como era de esperar, morremos mais vezes do que o desejado.

Visualmente, RemiLore não irá ganhar nenhum prémio que salientará este aspeto da obra. Os modelos das personagens não são muito detalhados e, além de alguns efeitos de iluminação, os níveis não têm nada de realmente apelativo, instalando até algum cansaço visual. Infelizmente, há também uma enorme falta de variação entre os inimigos, parece que estamos sempre a defrontar o mesmo monstro de metal. Contudo, os bosses são a exceção à regra, aparencendo pontualmente para injetar alguma variedade à obra.


Por qualquer motivo, RemiLore permite que os jogadores criem um só ficheiro de gravação, compartilhado entre todos os modos. Isso significa que, a menos que estejam preparados para apagar esse ficheiro de gravação de progresso, é complicado decidir se querem ou não jogar numa dificuldade elevada ou jogar uma partida num modo de cooperação com um amigo. Infelizmente, o multijogador de RemiLore é desnecessariamente limitado. Quem pensa que poderá passar o modo de história com um amigo, vai ficar desiludido ao saber que é impossível fazer isso. Jogar em multijogador resume-se a dois jogadores controlarem a sua própria Remi, para avançar pelos mesmos locais que são passados para o jogo a solo.

RemiLore tem as bases para ser um bom dungeon crawler, todavia, o jogo não evolui para além do básico. A jogabilidade é interessante, a direção artística muito peculiar e a narrativa demasiado simples. No cômputo geral, RemiLore não faz nada para ser um bom The Binding of Isaac ou Cave Story; é pena que RemiLore não consiga atingir o estatuto que alguns jogos da Nicalis conseguiram, sobretudo se tivermos em consideração as suas inspirações.

RemiLore podia-se juntar ao lote de pérolas da Nicalis, contudo não consegue ultrapassar o básico do género em que se insere. É bom para algumas partidas, nem que seja para explorar o seu estilo artístico peculiar.
6em 10
6em 10