Com o seu capítulo de estreia, The Council, a aventura episódica do estúdio Big Bad Wolf publicada pela Focus Home Interactive, mostrou sinais bastante positivos relativamente ao seu esforço para criar um híbrido entre os jogos de aventura ao estilo da Telltale e as mecânicas tradicionais de um RPG. A história e as personagens ainda não cativavam o suficiente para tornar a experiência mais recomendável, mas a potencialidade para isso estava claramente presente.


Agora que jogamos e terminamos Hide and Seek, o título do segundo episódio da obra, os sinais começam a ser preocupantes. De uma forma sucinta, o novo capítulo falha em praticamente todos os departamentos. Não só não consegue dar mais substância à sua narrativa e ao seu elenco, como ainda consegue a proeza de desaproveitar tudo o que de bom tinha sido mostrado no seu antecessor.

Ainda em busca da sua mãe desaparecida, Louis de Ritchet volta a utilizar as suas habilidades para manipular, ludibriar, formar alianças e obter informação preciosa das restantes personagens para chegar ao seu objetivos. Infelizmente, apesar daquilo que um dos possíveis finais do episódio anterior deixava antever, a narrativa continua sem conseguir prender verdadeiramente a nossa atenção. O tom misterioso continua lá, mas tarde em materializar-se em algo concreto ao qual o jogador se possa agarrar.


Durante as suas duas horas de duração, o episódio divide-se em três partes, cada uma delas compostas por uma sequência de confronto com uma das personagens, situações que permitem à componente RPG e às nossas escolhas no desenvolvimento do protagonista moldar os momentos de diálogo. Contudo, entre os três confrontos, que seriam sempre poucos, existe uma progressão do enredo praticamente nula e, pior que isso, uma progressão geral a um ritmo incrivelmente lento.

Essencialmente, Hide and Seek - nome relativamente apropriado - é uma experiência carregada de puzzles. Aliás, os três capítulos do episódio podem ser descritos como três longos quebra-cabeças com "muita parra e pouca uva". Para lá dos já mencionados confrontos, Louis está sempre sozinho, a falar consigo e a racionalizar aquilo que vai encontrando no cenário. Contudo, essas racionalizações oferecem mais curiosidades históricas, do que propriamente informação relevante para a narrativa.


A ausência dessas significa também que raramente temos oportunidade de utilizar os pontos de habilidades gastos para moldar o protagonista de forma a influenciar os nosso relacionamentos com as personagens históricas que compõem o elenco do título. Basicamente, estamos perante um episódio que não é sequer capaz de manter em foco os melhores elementos do capítulo de estreia.

Caso ainda restem dúvidas, Hide and Seek é uma desilusão completa, um episódio cheio de nada verdadeiramente interessante. Os elementos RPG que tinha brilhado alto no primeiro episódio são estranhamente relegados para a obtenção de informação supérflua, a interação com as personagens é tão diminuta que as personagens continuam a não ter a substância que se espera de uma experiência tão focada na narrativa e os puzzles são de tal forma longos que no final do capítulo sentimos que se representaram 99% do nosso tempo de jogo.


No fundo, o segundo episódio de The Council é tudo aquilo que não devia ser, ou seja, um episódio bastante mais fraco que o capítulo de estreia. O potencial continua lá - assim como o departamento técnico fraco, nomeadamente as animações faciais e modelagem das personagens -, mas o jogo tarda em traduzir as suas ideias numa experiência memorável e capaz de atingir um patamar mais elevado de qualidade. Esperemos que os próximos episódios tragam finalmente algum desenvolvimento efetivo da narrativa.

The Council continua a mostrar potencial, mas ainda não é neste segundo capítulo que o confirma verdadeiramente. Ritmo demasiado lento, pouca progressão narrativa e poucas interações de relevo caracterizam uma experiência bastante monótona.
5em 10
5em 10