The Stretchers foi uma surpresa, tal como a jogabilidade imprevisível que apresenta. Na sua essência, The Stretchers é o que se intitula no cinema de slapstick comedy. A Tarsier quis entregar uma obra para fazer rir quem o comprar e consegue-o avulso durante o tempo que está à frente do jogador.
É curioso saber que a obra anterior da Tarsier foi Little Nightmares (Análise), um jogo com uma temática bem diferente à que está presente em The Stretchers. Assim, trocamos um ambiente soturno e sombrio por um bem mais alegre e que nos vai fazer soltar algumas gargalhadas. Ao juntar leis da Física exageradas a uma experiência cooperativa temos, à partida, os ingredientes ideais para sessões de jogo bastante divertidas.
A narrativa coloca dois paramédicos, considerados como uns super-heróis, em confronto com o Captain Brains, um ex-colega deles. Esta personagem maquiavélica anda por Greenhorn Islands, a localização do jogo, e coloca os habitantes desta localidade com tonturas. No inglês, Captain Brains deixa as suas vítimas "dizzy" e é por isso que o jogo as apelida de "dizzies", para nós as salvarmos e colocá-las numa "De-Dizzler machine" na unidade de saúde mais próxima para as curar desta enfermidade.
Os jogadores salvam os seus doentes colocando-os numa maca. Um paramédico pega numa ponta e o outro na outra extremidade. Já com os feridos na maca, têm de levá-los para a ambulância e seguir caminho para o hospital. Como é óbvio, nada é tão simples como parece, pois não vão faltar obstáculos para vos atrasar as intenções e fazer rir.
Há caixas a balançar que podem ir contra vocês ou os vossos doentes, regadores automáticos, porcos irritados e ainda muitos outros obstáculos para nos dificultar a vida. Isto tem tanto de frustrante, como de hilariante. Tudo depende do estado espírito de quem está a jogar, sobretudo se estiverem mais interessados em competir do que em se divertirem com o que o jogo oferece. Esta experiência, em muitos aspectos, assemelha-se bastante com Overcooked.
Jogar sozinho não é o objetivo desta obra. É possível fazê-lo, embora a experiência que se retire do jogo seja muito pior do que quando se está acompanhado, especialmente se tiverem uma má coordenação entre a vossa esquerda e direita. Cada um dos Joy-Con controla um dos paramédicos, assim têm de guiar as duas personagens como se fosse uma unidade. Pessoalmente, foi uma tarefa que não consegui executar e, portanto extremamente frustrante. Enquanto que em Overcooked podia pensar numa personagem de cada vez, aqui temos de estar com as duas ao mesmo tempo.
Quando desencaixei os Joy-Con da consola e coloquei o ecrã na base para jogar com uma outra pessoa, The Stretchers brilhou como devia. Ri-me várias vezes, mas também há uma certa dificuldade de coordenação, basta os jogadores comunicarem entre si para eliminar esta barreira de dificuldade. Contudo, sente-se, mesmo a jogar a dois, que há um certo desajuste na sensibilidade dos controlos. Se quiserem colocar uma personagem junto a um objeto com o qual podem interagir, poderá ser complicado colocá-la no local que desejam.
Tanto podem arrastar quem precisa de socorro, tal como podem utilizar a maca, a escolha é vossa, mas é preciso ter em conta que a maca permite recolher vários pacientes de uma só vez. Depois de descarregar os “dizzies” para a ambulância só têm de guiá-los para o posto de saúde mais próximo, numa condução que nos faz relembrar Crazy Taxi. Após a louca viagem ter terminado, a missão termina e os jogadores vêm os pontos que acumularam.
Na primeira vez vi que amealhei mais pontos por ter feito algumas tarefas aleatórias. Por exemplo, levar mais do que um paciente para a ambulância premeia-vos com pontos adicionais, mas se destruírem vasos ou correrem através de arbustos, também acumulam mais pontos para a vossa pontuação final.
The Stretchers, dada a jogabilidade que integra, ainda oferece uma mecânica incomum e peculiar: podem cantar e bater palmas. Os jogadores podem pressionar num botão para bater palmas e carregar num gatilho para cantar. Estas mecânicas só servem para acrescentar ao valor cómico do jogo, mas também tem uma utilidade. Se porventura houver porcos irritados atrás de vocês, cantar e bater palmas permite atraí-los para quebrarem algo que esteja próximo de vocês a bloquear o caminho.
The Stretchers é um party game para toda a família e amigos com, praticamente, qualquer idade. O seu valor aumenta conforme quem joga, várias partidas com pessoas diferentes, vão proporcionar-vos experiências diferentes. Todavia, também é verdade que é uma experência frustrante e com uma jogabilidade romba.
O grafismo não é um ponto forte, mas tem uma boa variedade de cores alegres, sem a escuridão que Little Nightmares entrega. Se estão a pensar adquirir o jogo para partidas a um jogador, então procurem outro jogo porque, tal como Overcooked, The Stretchers foi pensado para dois jogadores.