Lançado para o estrelato após o enorme sucesso de Her Story, uma obra que combinou elementos live-action com mecânicas mais tradicionais dos videojogos com enorme sucesso, Sam Barlow tem agora a atenção da indústria sempre que o seu nome surge associado a um projecto. Assim foi com #WarGames, o seu primeiro projecto desde então e um título que prometia puxar ainda mais os limites daquilo que entendemos ser um jogo. Na verdade, seria muito mais fácil descrevê-lo como uma série interativa do que como outra coisa qualquer.

Associando-se à Eko, empresa dedicada à produção de vídeos interativos online, Sam Barlow entrega-nos uma experiência absolutamente fascinante no que diz respeito ao seu conceito e às próprias mecânicas em que assenta a sua interatividade e na forma como reage à presença do jogador e às suas ações. O fascínio está presente, mas infelizmente a confusão também. Apesar de ser uma experiência interessante e que obviamente recomendo a todos os que apreciam aventuras narrativas, o título falha por completo em fazer-nos perceber como e quando é que as nossas ações influenciam o desenrolar dos eventos.


Esse é o principal problema de #WarGames, isto é, a forma como não dá ao jogador - ou espectador, se preferirem - a recompensa de ver as suas ações serem refletidas no ecrã. Descrita como “a série que vos vê a vocês”, esta peça interativa carece do feedback essencial para qualquer obra verdadeiramente jogável. Composta por seis episódios com durações que variam entre os 10 e 25 minutos, foi preciso chegar ao terceiro capítulo para finalmente perceber de que forma a série reagia ao meu comportamento, o que basicamente significa que tudo o que vi antes disso foi fruto do mérito acaso.

Aliás, olhando para os Achievements do jogo no Steam, percebe-se que existem vários desfechos para diferentes cenas, mas de uma forma geral, mesmo depois de já ter concluído a obra, continuo sem fazer a mais pequena ideia do que teria de realizar para conseguir os desfechos alternativos. Isso é um problema grave para uma experiência que têm na influência do jogador no seu desenrolar um dos seus principais pontos de interesse.


Inspirado no filme do mesmo nome, #WarGames segue a história de Kelly, uma antiga militar transformada em hacker e ativista que se vê envolvida em escândalos que colocaram o seu grupo de piratas informáticos na mira de organizações noticiosas e governamentais. A ação é apresentada através de vários feeds de videovigilância no ecrã, sendo que o jogador pode alternar entre os mesmos sempre que bem entender. Será através desta alternância que o jogador afetará a ação, motivando determinadas personagens a agir ou não em diferentes situações.

Contudo, como já referi, é muito difícil perceber ou até prever os desfechos que a inócua e simples ação de mudar de câmara pode ter. Com exceção para a decisão final do sexto episódio que conclui aquilo que, ao que tudo indica, será uma primeira temporada de algo para continuar posteriormente, nunca senti que estivesse realmente a ter a influência que pretendia no jogo. Talvez fosse essa a intenção desta experiência interativa, mas se assim for, então a pobre comunicação desse facto ao jogador continua a ser um problema.


Uma vez que estamos perante uma obra live-action, era fundamental que os desempenhos dos atores fossem suficientemente bons para ficarmos investidos na sua narrativa. Felizmente, é esse mesmo o caso, com #WarGames a colocar-nos com sucesso na vida de Kelly - desempenhada de forma fenomenal por Jess Nurse - e nas suas relações com a família e o namorado. Dito isto, a sua curta duração - pode ser concluído em duas horas - faz com que os restantes hackers e personagens secundárias não tenham grande oportunidade de brilhar.

Assim sendo, #WarGames é uma experiência interativa extremamente interessante, mas cuja execução está longe de ser perfeita. Ao não comunicar ao jogador de forma eficaz o impacto que as suas ações verdadeiramente têm no desenrolar dos eventos, o título de Sam Barlow nunca nos dá uma real sensação de controlo sobre o que está a acontecer, fazendo a sua interatividade parecer ainda mais mínima do que realmente é. Mas podendo ser jogado gratuitamente - com publicidade - no website oficial ou por 2,99€ no Steam, os fãs de aventuras narrativas têm aqui uma proposta que merece a vossa atenção.

Mais do que um jogo, #WarGames é uma experiência interativa com um conceito bastante interessante. Infelizmente, apesar de uma história que cativa e boas performances, a execução não resulta na sua plenitude.
7em 10
7em 10