As expansões ou conteúdos adicionais têm um papel ingrato, não é fácil fazer com que os jogadores tornem a investir num jogo que já terminaram, nomeadamente, num título tão grande como Xenoblade Chronicles 2. A Monolith Soft foi pela via de preencher lacunas na história, sobretudo num dos seus principais antagonistas, Jin. Porém, apesar deste conteúdo ser uma prequela aos eventos ocorridos no jogo principal, como também estar disponível separadamente e em formato físico, é aconselhável jogar primeiro Xenoblade Chronicles 2. O desenrolar de certas situações vão ter um significado muito maior se seguirem a ordem pela qual o material foi lançado e não a cronologia narrativa.

Xenoblade Chronicles 2: Torna ~ The Golden Country envia os jogadores para o passado, mais concretamente quinhentos anos antes dos acontecimentos que viram acontecer em Xenoblade Chronicles 2. A narrativa gira em torno de duas personagens, Jin e a sua antiga driver, Lora. Esta expansão permite explorar e descobrir o porquê de certos comportamentos e atitudes que estes têm no jogo original. Vão ficar a saber o que levou Jin a ser um dos principais antagonistas da obra nipónica, lançada no encerramento do ano passado, para a Nintendo Switch.


Há várias personagens que mal conhecíamos em Xenoblade Chronicles 2 e que agora passam a ser aprofundadas neste conteúdo adicional. E apesar de já sabermos para onde nos levam as personagens desta história, esta expansão consegue manter-nos interessados no drama que tem para contar. Este arco narrativo, que ocorre cinco séculos antes dos eventos do jogo principal, tem momentos-chave que se vão, eventualmente, ramificar em Xenoblade Chronicles 2. Ver estes pequenos detalhes que se desenvolvem para a história do jogo de 2017, permitiu-me apreciar ainda mais o que foi contado, visto estar agora com uma nova perspectiva.

Este novo conteúdo ocorre no titã Tornan, além de poderem jogar em Torna, poderão ir para a principal área de Gormott, que está relativamente aberta para explorarmos. Todo o conteúdo que esta expansão tem para oferecer, incluindo algumas atividades secundárias, durará cerca de quinze horas a terminar. O conteúdo secundário é, como o próprio nome indica, opcional. Porém, se querem saber todos os detalhes narrativos, são praticamente obrigados a completar aquilo que é apelidado de sidequest.


Felizmente, há um sistema que organiza e nos incentiva a terminar as missões secundárias. Nesta nova funcionalidade, ficarão devidamente organizados todos os NPC que nos darão novas demandas para concluir. Assim, conseguem construir um círculo comunitário onde está tudo arrumado, mas é aconselhável desligar as notificações caso não queiram receber um excesso de mensagens em relação às personagens que vos entregam as missões secundárias. Apesar de haver uma quantidade exagerada de informação vinda deste sistema de tarefas opcionais, têm de trabalhar bem com esta mecânica para progredir, visto que existem alguns momentos em que o progresso da aventura principal só continua se atingirem certas exigências deste sistema da comunidade de personagens.

Estas tarefas nem são totalmente más. Vê-se que há, claramente, um trabalho a ser feito por nós no sentido de construir um vasto e rico mundo. Se estiveram atentos ao que o jogo original ofereceu, vão ficar, finalmente, a saber o porquê de certas localidades terem recebido o nome que têm, assim como é que Addam conseguiu juntar os seus seguidores. 


Um dos pilares de Xenoblade Chronicles 2, são as batalhas entregues a quem joga e apesar de não terem sofrido uma mudança profunda, obtiveram algumas ligeiras afinações. O conceito da relação simbiótica entre Driver e Blade continua presente, porém os Blade estão fisicamente presentes no campo de batalha. A troca entre estes lutadores, significa a troca de estratégia; ora passam para uma posição ofensiva, ora passam para uma mais ofensiva. Imaginem que estão num ringue a combater num combate Tag Team, pois é esta dinâmica que vão ter agora de dominar, para assim poderem saber quem devem ou não utilizar para levarem o vosso desejo de vencer a ser cumprido. No cômputo geral, é uma nova mecânica que não retira diversão à jogabilidade, mas obriga a uma nova abordagem tática.

A jogabilidade de Torna - The Golden Company é, praticamente, a mesma de Xenoblade Chronicles 2, com afinações suficientes para reavivar o conceito base. No departamento dos visuais podemos dizer, essencialmente, o mesmo, pois continuam a entregar excêntricos modelos de personagens, como também um enorme mundo. A Monolith Soft fez muito bem em focar este conteúdo na história, apesar de haver um sistema de missões secundárias que nos obrigam a ficar mais tempo no grinding do que desejaríamos. Torna vale, sobretudo, pelo enriquecer da história que ficamos a conhecer no ano passado. E se foi da narrativa que gostaram em Xenoblade Chronicles 2, então vão adorar esta expansão.

Uma expansão bem feita, pelo facto de se focar mais na narrativa e entregar uma nova perspectiva em certas personagens . Porém, há um novo sistema de entrega de missões secundárias que serve, principalmente, para fazer brilhar as pequenas afinações feitas ao combate.
8em 10
8em 10