Quando fui aos escritórios da Nintendo Portugal para poder experimentar a Nintendo Switch pela primeira vez, procurei estar atento às características que a vão definir. E o que define uma consola, como é bem sabido, é o seu catálogo de videojogos. Porém, não basta o jogo ser excelente para destacar o hardware no qual é reproduzido. 

Por isso é que a Nintendo teve o bom senso de incluir Wii Sports junto da sua revolucionária consola doméstica. Sabiam que este título chamaria para si todas as atenções, nomeadamente de faixas etárias que não têm por hábito passar o seu tempo com videojogos. Acredito plenamente que 1-2-Switch deveria ter levado o mesmo caminho, dado o seu enorme potencial de caracterização da Nintendo Switch -  até tem Switch no próprio nome. 


Experimentei três dos vinte e oito jogos que estarão incluídos em 1-2-Switch. Foi uma sessão realmente interessante. Tinha de ser o primeiro a disparar contra o meu adversário, tive de contar um número incógnito de esferas e encher o maior número de copos com leite. Quick Draw, Ball Count e Milk foram os jogos que me proporcionaram estas experiências. Foram estes os jogos que me disseram aquilo que a Nintendo Switch é capaz de fazer diferente da sua concorrência. 

O que é a Nintendo Switch? Além da resposta óbvia, que é uma consola, podem-se e devem-se colocar questões mais pertinentes sobre a mesma. Dadas as características que lhe conferem identidade própria, há a importância em afirmar as suas capacidades através de um jogo. E esse jogo é 1-2-Switch. Com apenas três jogos tenho toda a segurança para poder fazer essa afirmação. 


“Joga onde, como e quando quiseres”, a divisa da Nintendo Switch promete muito. E o que garantirá essa a promessa são os comandos Joy-Con e o ecrã táctil. Ligada à televisão e com os comandos encaixados no Joy-Con Grip podem jogar de forma tradicional, com o apoio traseiro do ecrã e os Joy-Con nas mãos dos jogadores que vão participar podem jogar de forma mais próxima do adversário ou do companheiro. Já com a consola fora da base e os comandos nas laterais do ecrã, joga-se tal e qual como uma portátil. Por isso, a questão está naquilo que os comandos e o ecrã podem proporcionar. 

A vibração de alta definição tem uma sensibilidade ao ponto de conseguirmos sentir vários níveis de intensidade. Em Ball Count distingue-se claramente o movimento das esferas, enquanto rolam há uma suave vibração no sentido para onde estão a deslizar, já quando batem no fundo a caixa há uma intensidade maior que nos transmite exatamente a força da gravidade a cumprir o seu papel sobre as esferas. O sensor de movimentos também é muito sensível. Inclinem o comando com demasiada força e não vão conseguir adivinhar quantas bolas existem na caixa visto que muitas viajarem juntas de um lado para o outro. Quando conseguirem atingir aquele ponto em que sentem uma bola a deslizar de cada vez, vão achar este jogo muito fácil. Mas como não temos a indicação visual do interior da caixa, ficamos sempre na dúvida quanto às nossas capacidades sensoriais do tato.


Quick Draw também é um jogo muito divertido para colocar dois jogadores em confronto direto a medirem a sua capacidade de resposta ao sinal de poderem disparar. O resultado que nos dá o ecrã final é bastante preciso. Temos o grau do ângulo de elevação dos comandos, e os segundos calculados à milésima do tempo que demoramos até pressionarmos o gatilho de disparo. Após algumas rondas sabemos perfeitamente se sobreviveríamos no Velho Oeste Selvagem das recriações cinematográficas dos western spaghetti de filmes como Django Unchained, A Fistful of Dollars ou The Sheriff of Fractured Jaw. Os resultados são tão precisos que até nos podemos gabar da nossa rapidez, nem que seja por meros segundos. Aqui é notável a sensibilidade dos movimentos reconhecidos, da forma como reconhece a forma como fazemos os nossos movimentos.

Quando somos autênticos agricultores que retiram leite às vacas manualmente, sem a ajuda de técnicas modernas, as gargalhadas estão praticamente garantidas. Não só pela atividade rústica, mas pelo movimento vertical descendente e ascendente para retirar o máximo de leite à vaca imaginária. 


A vibração juntamente com a dinâmica manual que temos de descrever nestes jogos estimula a imaginação para outras possibilidades, outros jogos que possam aproveitar estas características. Assim a casa de Quioto não está só a divertir os jogadores, mas a apresentar dispositivos que possam dar outras formas de jogar, que possam criar novas mecânicas que se tornam o jogo mais próximo do jogador e o jogador do seu adversário. 

The Legend of Zelda: Breath of the Wild tem todos os indícios para se vir a tornar num jogo fantástico, contudo, dentro das mecânicas habituais. Até agora o jogo ainda não manifestou nenhuma curiosidade na jogabilidade permitidas pelos comandos. O que é absolutamente normal, visto que a Wii U também receberá uma versão da obra. Porém, mais tarde ou mais cedo, acredito que uma das grandes licenças da Nintendo será pensada com os comandos Joy-Con, provavelmente mais um título da série Mario como Super Mario Odyssey. 


Agora o exemplo está dado e o testemunho passado para os criadores independentes e para as grandes editoras levarem as suas grandes licenças, ou até preferencialmente ideias originais, à consola. A Ubisoft poderá muito bem ser uma das que vá apostar nesta forma de jogar, tal como aconteceu na Wii com a série Raving Rabbids. 

O certo é que 1-2-Switch é o exemplo que melhor aproveita de como se pode jogar na Nintendo Switch. A casa japonesa peca por não incluir este título de raiz na consola. Mas se este falha for corrigida mais tarde, não hesitem em adquirir essa versão da consola.