9:47, o comboio arranca a horas de Campanhã para a Gare do Oriente. “Vou experimentar a Nintendo Switch”, foi o pensamento que assolou toda a minha viagem de ida à capital. Eu que costumo adormecer em viagens longas de transportes públicos, mesmo com uma dose de cafeína no sangue, não consegui fechar os olhos por mais de dez minutos seguidos. Por isso, comecei a escrever no meu Moleskine este parágrafo de abertura do artigo que estão a ler neste momento. Sim, de caneta sobre o papel. A bateria do meu único dispositivo eletrónico teria de ser poupada para outras funções essenciais para o especial destaque que vamos dar à Nintendo Switch. 

Fiz o meu trabalho de casa antes de embarcar na viagem sobre carris do Porto para Lisboa. E comecei por listar vários pontos de interesse que se destacaram das apresentações, vídeos e descrições da consola espalhados pelos quatro cantos da Internet. Nessa mesma manhã ainda vi um vídeo não oficial para me preparar para o que me aguardava nos escritórios da Nintendo - sim, aquele que mostra a consola com todo o pormenor, nomeadamente o sistema operativo. Contudo, não houve nada de realmente interessante nesse vídeo, pois o que realmente importa são os videojogos que serão lançados nesta plataforma. Um dos destaques vai claramente para os jogos 1-2-Switch e Snipperclips, como também o par de comandos que ficam acoplados às laterais do ecrã, com a vibração de alta definição. 


Joy-Con em harmonia com os jogos

O grande ênfase da apresentação recaiu sobre aquilo que eu acredito que poderá definir a consola e atrair o mesmo público que ficou encantado com Wii Sports na Wii. Falo de “1-2-Switch”, um verdadeiro party game para jogar com amigos e familiares. Se Wii Sports conseguiu mostrar a diversão transmitida pelos sensores de movimento dos Wii Remote, 1-2-Switch consegue proporcionar sessões de entretenimento similar, mas aproximando ainda mais quem joga. Graças às características da Nintendo Switch, não só aos Joy-Con, mas também à sua forma de transmissão audiovisual, temos uma experiência onde é possível descartar por completo o ecrã da televisão e até o da consola, o que vai frisar ainda mais a experiência social que vai decorrer. 

E como Jorge Vieira, responsável pelas relações públicas da Nintendo Portugal, sabia criar o ambiente perfeito para jogar 1-2-Switch, os jogos Quick Draw e Milk foram experimentados por todos com os chapéus adequados de agricultor, vilão e xerife. Durante o decorrer das sessões, o riso de quem jogava e de assistia dominava o espaço onde nos encontrávamos. Quick Draw transformava os jogadores que seguravam os Joy-Con para baixo - um controlador cada um - em pistoleiros do Oeste Selvagem. Aqui não havia o Bom, o Mau e o Vilão, mas apenas dois protagonistas que se enfrentam, olhos nos olhos, enquanto aguardam o sinal sonoro da consola para poderem levantar os comandos o mais rapidamente possível e disparar contra o adversário. 


Milk foi o jogo que conseguiu retirar mais gargalhadas da sala, dada à própria atividade que o jogo propõe - retirar leite da teta de uma vaca. Porém, Milk é um jogo que nos incentiva a olhar para a televisão quando não o devemos fazer. Aqui temos de sentir a tal funcionalidade dos Joy-Con: a vibração de alta definição. Enquanto estamos a fazer um movimento de cima para baixo recebemos o feedback do ritmo que devemos adotar. À primeira experimentação não correu bem, à segunda deu para encher 15 copos de leite. Um valor que ficou relativamente próximo do recorde registado no showroom da Nintendo Portugal. 

Por último, joguei mais um jogo dos vinte e oito que estarão disponíveis em 1-2-Switch. Ball Count sublinha ainda mais a sensibilidade vibratória dos Joy-Con. Cada comando representa uma caixa de madeira que podemos virar, inclinar e abanar, de modo a tentarmos sentir, através da tal vibração de alta definição, as esferas que estão lá dentro. A sensibilidade é tanta, que se inclinarmos a caixa demasiado depressa não conseguimos adivinhar a quantidade exata de esferas, tal como o jogo nos pede. Este é, sem sombra de dúvida, o jogo que melhor enaltece o que os comandos são capazes de fazer. 

Obviamente que joguei mais títulos, como o tão aguardado The Legend of Zelda: Breath of the Wild e alguns mini-torneios de Splatoon 2, de Mario Kart 8 Deluxe e Super Bomberman R. Snipperclips também é um jogo bastante interessante: um puzzle cooperativo que requer astúcia e comunicação de ambos os jogadores. Diverti-me com todos de forma diferente, mas a joia da coroa é, sem surpresas, Breath of the Wild. Pegar na consola depois de a experimentar no modo tradicional, ligada à televisão, para levantá-la da base de carregamento para jogarmos Nintendo Switch num qualquer lugar é um momento definitivamente espantoso. Não notei uma única quebra de qualidade audiovisual.


Uma consola versátil

Visto ser um novo hardware a entrar no mercado das consolas, há uma curiosidade genuína em ver e senti-la nas mãos, existe uma ergonomia num design que não transparece esta qualidade importante de qualquer produto.

O meu primeiro contacto foi com os Joy-Con. Comandos pequenos, mas suficientemente grandes para sessões de jogo agradáveis e para ser possível a sua colocação nas laterais do ecrã da consola. Contudo, alojados no Joy-Con Grip não é de todo a opção ideal para simular um comando tradicional. Se é algo mais familiar que procuram para uma experiência como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, o melhor é adquirir um Pro Controller que tem tanto de comum como os comandos das diferentes consolas da última década. A opção de terem deixado um parte transparente do comando para se poder ver o seu interior é particularmente interessante.

Algo que também transmite uma certa robustez, em vez de uma fragilidade aparente, é o seu peso. Tantos os Joy-Con como o ecrã não são demasiado pesados, nem leves ao ponto de nos darem a sensação que vão quebrar à mais pequena queda. Uma consola bem construída que assentará na perfeição na proposta que quer entregar de uma utilização em todo e qualquer lugar. Seja de forma tradicional, como as suas concorrentes, ou com os Joy-Con desencaixados do ecrã para partidas interessantes onde apenas o som é necessário.


As promessas da Nintendo Switch 

“Esta consola acaba por mudar as regras do jogo, como a Nintendo já fez no passado”, disse Jorge Vieira durante a sessão inicial de apresentação da Nintendo Switch aos meios de comunicação. Mais tarde, a nova consola da Nintendo é designada pelo Jorge como uma “máquina do tempo”, que procura olhar para o passado da marca nipónica e reter os ensinamentos que levou a empresa agora liderada por Tatsumi Kimishima a ser catapultada para o sucesso. “Jogar como, quando e onde quiseres” parece ser a expressão-chave da Nintendo Switch dada a sua particular capacidade de ser uma consola de sala e simultaneamente uma consola para se levar para qualquer lugar.


Às 18:09 começa a viagem de regresso a casa. Retenho desta oportunidade de jogar na Nintendo Switch antecipadamente que esta é uma consola que poderá agradar a vários tipos de jogadores, mesmo aqueles que não costumam utilizar os videojogos como divertimento. Uma máquina do tempo que aprendeu com os sucessos do passado? Sim, definitivamente. Há linhas de design provenientes da Wii e da Wii U. Há a importante vontade de chamar para si todos os jogadores que possuíram e se divertiram com a Wii e ficaram confusos com a sua sucessora. A Nintendo Switch é para todos, o que obriga a um malabarismo na entrega de jogos para todos os lados do espectro a quem pretende vender este produto.