A Nintendo 3DS é uma excelente portátil, que se define, principalmente, pela jogabilidade que o stylus permite entregar. São quase dez gramas, quase dez centímetros de plástico colorido que nos fornecem uma forma de jogar única através do ecrã tátil inferior. Se queremos uma experiência similar, agora podemos recorrer a um smartphone ou tablet, mas foi a Nintendo que popularizou o jogo através do toque antes do mercado ser globalmente dominado pelos telemóveis da Apple e os outros com Android.
A diferença de qualidade técnica entre um jogo disponibilizado num sistema e num outro completamente diferente torna-se evidente, sobretudo de uma portátil para uma consola tradicional. Porém, quando o grafismo é praticamente similar e se nota uma grande disparidade na jogabilidade, há a tendência para se preferir uma versão ou outra. É exatamente isto que acontece em Sushi Striker: The Way of Sushido, um jogo disponível nas duas atuais consolas da casa de Quioto. A versão da Nintendo 3DS é muito superior à da Nintendo Switch, precisamente pela jogabilidade que o stylus oferece.
Sushi Striker: The Way of Sushido é um jogo puzzles muito rápido, que pode chegar a exigir uma reação bastante elevada ao jogador tal como no nível mais alto de Tetris. Como a interação preferencial para recolher pratos de sushi, o processo de jogabilidade central do jogo, é feita através do toque, devemos ter sempre uma visão clara daquilo que estamos a fazer.
Utilizar o dedo no ecrã da Nintendo Switch é a melhor opção, em vez de estarmos a utilizar o analógico juntamente com os botões. O problema é que o nosso dedo cobre uma boa parte do ecrã e se utilizamos o indicador da mão direita para ir buscar pratos de sushi ao lado esquerdo, ficamos sem conseguir ver bem o lado direito do ecrã. Infelizmente, a nossa mão não é transparente para podermos jogar desta forma o título sem problemas de maior.
É por esta simples razão que a versão Nintendo 3DS de Sushi Striker: The Way of Sushido é a melhor. Enquanto passamos com o stylus no ecrã inferior para escolher os pratos que mais pontos dão, olhamos para o ecrã de cima de forma a ver para onde temos de deslizar o stylus. Com as duas versões lado a lado, é fácil adivinhar para que consola é que este jogo foi desenvolvido. Quem tiver opção de escolher, que opte pela versão 3DS. Quem quiser mesmo jogar este título na Nintendo Switch, que se prepare para passar alguns momentos frustrantes em que sabem que não vão conseguir reagir da forma mais rápida.
A Nintendo Switch veio agitar as águas do mercado dos videojogos, nomeadamente, no espaço que ocupa entre portátil e consola doméstica, como também entre sucessora da 3DS e da Wii U. O que melhor funciona é quando um jogo é especificamente desenhado para uma determinada consola. A existência de dois ecrãs é bem diferente de trabalhar um jogo para uma plataforma com um único. Há novas possibilidades assim como limitações que é preciso ter em conta na fase de produção ou até naquele momento em que é decidido se devem apostar ou não num sistema que se tornou popular.
A equipa de desenvolvimento só teve em conta o duplo ecrã da 3DS, sem pensar no que isto significaria, em termos de jogabilidade, durante a transição para a consola híbrida. Aos jogadores resta aproveitarem um dos últimos grandes títulos construídos para a portátil da casa de Quioto, caso contrário, habituem-se aos controlos tradicionais que não foram optimizados como o controlo pelo toque. Pois é, nem tudo na Nintendo Switch é melhor, ainda que o jogo seja igualmente competente na consola hibrída, tal como podem ler na nossa análise.