É em eventos como o Comic Con Portugal que os produtores nacionais de videojogos têm de aproveitar para exibirem o seu trabalho ao seu eventual público. Foi nesse mesmo evento da Exponor que aproveitei para ver o que o espaço partilhado pelos criadores portugueses tinha para oferecer, mesmo que os videojogos ainda não estivessem terminados.

O tempo que tinha era pouco, por isso escolhi experimentar três entre uma vasta escolha reunida num espaço com dois corredores formando um “s”. Foram eles o recém anunciado título da Nerd Monkeys, o vencedor dos Prémios PlayStation e um jogo que já está há um ano e meio em produção. Ou seja, para os mais distraídos, estamos a falar de Inspector Zé e Robot Palhaço em: o Assassino do Intercidades, Strikers Edge e Super Nanny Sleepytime.

Falei, na minha visita, com Filipe Pina (produtor na Nerd Monkeys), Filipe Caseirito (programador na Fun Punch Games) e Frederico Sousa (programador na Space Pajamas). Todos tinham os seus olhos a brilhar a falar das suas criações. Admitiam humildemente alguns erros presentes nas demonstrações, assim como as respetivas afinações que teriam de fazer para que estas desapareçam no produto final. 

Tanto Strikers Edge como O Assassino do Intercidades eram o centro das atenções. O primeiro estava encostado ao fundo do espaço, mas era o único com duas televisões em estações ligadas a consolas PlayStation 4. Já o próximo capítulo da Nerd Monkeys estava bem visível na entrada do espaço dos produtores portugueses, como era o que estava livre decidi ser o primeiro a experimentar. Como já tinha tomado conhecimento de Super Nanny Sleepytime algures nas redes sociais, provavelmente no Twitter, também resolvi verificar se era tão divertido como parecia ser.

Nos parágrafos seguintes, segue-se a experiência que retirei com estes três jogos. Infelizmente, não houve tempo para mais. Havia muitos outros tão apelativos como os que vou descrever. Decay of Logos, Shutix ou Greedy Guns, são só alguns exemplos dos 25 videojogos que estavam lá expostos.


Inspector Zé e Robot Palhaço em: o Assassino do Intercidades

O próximo título da Nerd Monkeys fará a continuação das aventuras do Inspector e do Robot que se estrearam em Crime no Hotel Lisboa. A demonstração colocou-me num comboio, o tal Intercidades onde ocorreu o crime descrito no título, na ponta mais à direita possível. Assim, percorri o comboio para a esquerda de carruagem em carruagem. A minha primeira ação nem é investigar o caso, nem procurar eventuais testemunhas que tenham alguma informação de valor para a resolução do caso, mas sim interagir com Robot Palhaço e ver que anedotas tem reservadas para mim. Sim, são piadas que só têm graça na primeira vez que são lidas, mas não deixam de me dar um sorriso enorme, enquanto ouço Filipe Pina a falar para alguns dos visitantes do Comic Con Portugal. “O que é pior que levar com um raio na sua cabeça? Levar com um diâmetro”, talvez não por estas palavras exatas, mas foi esta piada que levei comigo e que me tentei recordar para contar quando chegasse a casa. 

Continuei o jogo e deparei-me com personagens bem construídas, depois de umas breves linhas de diálogo. O Inspector Zé é um detective com uma língua bem afiada, sempre pronto a julgar os outros pelo seu aspeto ou pelas suas atitudes. Ri-me, por isso, mais vezes. Continuei pelas várias carruagens a experimentar tudo o que estava ao meu dispor: recolhi um chapéu, investiguei o local onde se deu o homicídio e tentei abrir uma mala. Esta mala era um dos segredos da demonstração, era possível abri-la com duas mãos e um pé, caso soubéssemos a combinação. Não a encontrei, nem estive muito preocupado em a descobrir, pois já tinha aferido a existência da comédia tão bem aplicada como no jogo de estreia desta dupla. Esta demonstração da “Come e Come”, como designou o Robot Palhaço do evento, deixou-me com uma muito boa impressão. 


Strikers Edge

O título da Fun Punch Games é o que reuniu, muito provavelmente, mais atenção do conjunto de vinte e cinco videojogos. Não no dia que eu fui, na quinta-feira, mas no sábado e domingo. Pelo simples facto de terem organizado um pequeno torneio com prémios para os participantes. Pela experimentação que tive oportunidade de realizar no local, estes torneios poderão ser transportados para casa para desafiarem amigos e família. Também é de salientar a cooperação entre os vários produtores portugueses, pois na estação em que fui para ter uma impressão daquilo que este jogo pode dar não estava ninguém, mas passados segundos apareceu um outro produtor para jogar algumas partidas de Strikers Edge. 

Dois contra dois, ou um simples um contra um. Strikers Edge é o epítome daquilo que são os chamados jogos de sofá competitivos. Nem perguntei a Filipe Caseirito se o seu jogo terá multijogador online - a preocupação constante dos jogadores que têm intenção de comprar títulos deste género. É algo fundamental? Não, longe disso. Este é um jogo que se partilha lado a lado, como já aprendi a gostar de o fazer com tantas outras obras que não implementam esta funcionalidade. 

O jogo em si é muito equilibrado, com várias personagens e técnicas de combate para descobrir paralelas a todo o elenco. Há habilidades que vão tornar alguns lutadores mais populares do que outros. Adorei a possibilidade de lançar o meu escudo e fazer ricochete na paredes do mapa, ou de conseguir atirar uma lança com uma força devastadora. Estas habilidades vão criar situações peculiares para se adaptarem a um outro tipo de ofensiva. Está assim uma ótima proposta para serões bem passados com a PlayStation 4. Espero que na entrega final haja uma afinação na mira, que o produtor me assegurou estar particularmente atento a esse pormenor. 


Super Nanny Sleepytime

Criado na game jam #indiesvsgamers, em 2015, com o nome original de Super Nanny Sleepytime Ultra HD Alpha Omega, foi fácil perceber onde foram buscar inspiração. Frederico Sousa, enquanto eu jogava a sua obra num tablet, explicou-me tudo sobre o jogo. E enquanto jogava imaginava a audiência que o jogo poderia almejar: professores, educadores de infância ou motoristas que têm de lidar diariamente com crianças. Pela simples razão deste ser um título em que a ama das crianças do jogo manda os miúdos irrequietos dormir com uma almofada com vários golpes suaves. 

Ainda havia vários detalhes por adicionar, erros a eliminar e mensagens a serem melhor transmitidas ao jogador. No entanto, parece-me bastante divertido sobretudo pelo efeito anti-stress para a personagem e para quem joga. Contudo, haverá uma tabela de classificação para competir pelos melhores resultados, uma forma bem vinda de dar longevidade ao jogo. Os ataques de almofada são variados, mas talvez seja necessário adicionar mais golpes à lista de formas para atirar os miúdos à cama. No cômputo geral, devo dizer que gostei da demonstração que tive oportunidade de experimentar. Não só por conhecer finalmente o jogo nas minhas mãos, como para conhecer mais detalhes da produção e do destino que querem dar ao jogo.