Depois de várias melhorias na edição do ano passado, FIFA 13 tem agora de trabalhar arduamente para conseguir ficar, pelo menos, ao nível do antecessor. Será este episódio uma decepção, confirmação ou consagração?

Quando entramos na nova geração de consolas, o título da EA Sports não era ainda um rei no mundo dos jogos de futebol virtuais. Foi necessário colocar mãos à obra e o primeiro grande resultado surgiu com FIFA 08, um título que apresentava mudanças em todos os sentidos. Porém, foi com as edições 09 e 10 que FIFA se consagrou como uma referência para todos os adeptos de jogos de futebol. Seguiram-se depois edições importantes com algumas melhorias como o motor de impacto e defesa táctica. FIFA 13 surge assim para consolidar a posição de melhor simulador de futebol do mercado, tornando-se no mais completo simulador desta geração.

Assim que iniciava-mos um dos anteriores jogos FIFA, éramos confrontados com uma arena de treino. Em FIFA 13, a arena de treino continua presente, mas com novidades. Existe agora a possibilidade de participar em desafios para aprender a lidar com as complexidades do jogo. Ao todo, são oito diferentes módulos, divididos em várias etapas onde a dificuldade vai crescendo. O que pode parecer à primeira vista aborrecido, acaba por se tornar viciante quando repetimos várias vezes o mesmo desafio à procura de bater o nosso próprio record.

Ainda a respeito dos modos de jogos, o principal modo de jogo para quem pretende jogar a solo continua a ser o modo carreira. Aqui podemos assumir o papal de manager, e contribuir para o sucesso de uma equipa, ou o papel de jogador, cujo objetivo é atingir o sucesso individual a partir do coletivo. Como manager, temos objetivos a cumprir segundo o nível da equipa que escolhemos, e temos total controlo das decisões do clube, desde escolher o plantel, convocados, procurar contratar novos jogadores, renovação de contratos, etc. A grande novidade está no facto de agora podermos ser selecionador nacional. À medida que vamos melhorando o nosso prestígio com resultados, chegam-nos ofertas de várias seleções. Entre as nossas tarefas está o facto de podermos fazer a nossa própria convocatória.

No outro lado do modo carreira está o modo Be a Pro, onde controlamos um só jogador criado do zero e tentámos ganhar lugar na equipa ou controlando um craque já existente. Neste caso, para além dos objetivos coletivos, temos também objetivos como pessoais como realizar um determinado número de assistências, golos, etc. Ficam também a saber que é possível controlarmos um guarda-redes.

Mas um dos pontos fortes deste novo título, é o EA Match Day. Este modo está sincronizado com os acontecimentos da vida real, pelo que os jogadores melhoram ou pioram as suas estatísticas, o que contribui para o melhoramento ou pioramento de uma equipa.

Um dos elementos que se consolida neste título, é a defesa táctica, que melhorou face ao FIFA 12. Quer seja pelo movimento geral dos jogadores na defesa ou por resposta aos controlos, em FIFA 13 é mais fácil pressionar a equipa que tem a bola. No seu antecessor, a sensação que tínhamos era de quanto mais pressionar o X/A, mais êxito tínhamos em recuperar a bola. Mantém-se a contenção, mas os elementos para recuperar a bola estão melhorados, causando um pouco mais de dificuldade.

No ataque não existem movimentos novos propriamente ditos, mas sim elementos que facilitam as nossas transições e melhoram a experiência geral. A equipa move-se em ações ofensivas, libertando-se assim do passado em que parecia que o único interessado em atacar era aquele jogador que tinha a bola.

Onde se respira uma melhoria ofensiva, é no controlo do jogador e nas suas possibilidades com a bola nos pés. O jogador tem uma margem de manobra maior para controlar com o analógico esquerdo. De maneira contextual, os jogadores podem executar movimentos e ter animações próprias para cada momento. Assim, por exemplo, se o nosso jogador for habilidoso com um toque no analógico podemos fazer com que passa a bola de um pé para o outro e continue o seu movimento.

Um dos aspetos fundamentais num jogo de futebol é, claramente, a bola. Em FIFA 13, o esférico oferece uma vida e uma variedade de situações que o convertem num elemento imprevisível, mas real. Eliminou-se completamente a sensação de que o jogador tem o pé colado à bola, uma vez que tem reações totalmente independentes. Assim, as reações parecem muito mais verdadeiras, o que melhora a experiência de jogo.

Mandar uma bola em profundidade causa uma sensação verosímil. Os remates normais mantém trajetórias e força similares ao FIFA 12. O jogo ao primeiro toque, outra das novidades ofensivas do jogo, é um dos elementos que nos permite viver e constatar da forma aleatória como se move a bola.

O ritmo de jogo aumentou face ao seu antecessor. Assim, quando nos dedicamos a jogar um futebol mais direto, vemos que os passes saem com mais potência e maior velocidades do que anteriormente. No entanto, com passes curtos e jogadores próximos, a sensação não é tão imediata.

Uma das grandes introduções de FIFA 12 foi o motor de impacto, que permitia ter choques entre jogadores e físicas que correspondiam a uma partida de verdade. No entanto, esta adição tinha alguns erros e acabávamos por ver situações completamente irreais. Neste novo título, o motor foi melhorado e oferece choques realistas entre jogadores. A quantidade de animações e interações entre jogadores é enorme.

As animações em FIFA 13 continuam sem rival, tanto pela grande quantidade de movimentos e detalhes de forma harmoniosa e credível. O que se vê é um jogo sólido e sem interrupções ao recriar todos os movimentos que podem ser vistos no mundo do futebol, não só da cintura para baixo.

Um dos problemas que afetava FIFA 12 e que não foi bem solucionado em FIFA 13 foi o nível de IA da equipa adversária, quando controlado pelo CPU: equipas pequenas que dominam partidas de maneira abusiva, encontrando buracos, fechando espaços e antecipando-se às nossas jogadas. Isto acontece, sobretudo, quando se joga nos níveis de dificuldade Classe Mundial e Lenda.

Já a nível de estratégias, continuamos a usufruir de uma grande quantidade de táticas e possíveis modificações, bem como parâmetros para conseguir um jogo mais direto, de maior posse de bola, agressivo, etc.

Um dos aspetos que sempre caracterizou a série FIFA foi o seu grande número de licenças de clubes e jogadores que oferecia. Em FIFA 13, temos um total de 30 ligas licenciadas onde não faltam as mais importantes ligas europeias (Inglaterra, Alemanha, Espanha, Italia, França, Holanda, Portugal, Russia), a Major League Soccer, a liga brasileira e uma das novidades: Saudi Pro League. A estas ligas juntam-se algumas outras equipas licenciadas como River Plate, Boca e Galatasaray.

FIFA 13 mantém a essência da série destes últimos anos, sendo um claro herdeiro de FIFA 12. Quando algo está bem feito, não vale apena mudar muito. Foram melhorados alguns detalhes como o motor de impacto e consolidada a defesa tática. A bola está mais imprevisível e menos dependente do jogador, o que torna toda mais real. Podemos então considerar FIFA 13 como o jogo de futebol mais completo desta geração até à data.