Quando em 2013 a Square Enix lançou para o mercado um novo MMORPG inspirado no universo de Final Fantasy, poucas eram as expectativas dos jogadores em relação à obra. Isto deveu-se em grande parte ao autêntico falhanço que havia sido Final Fantasy XIV Online, um MMO que deixava a desejar em praticamente todos os aspetos e que estava muito longe de corresponder à qualidade que se espera de uma entrada da já longa saga. Com a chegada de A Realm Reborn, a produtora não só conseguiu a árdua tarefa de recuperar uma obra moribunda, mas também de recompensar todos os jogadores afetados pelo pobre estado em que o título original lhes foi apresentado. Agora na PlayStation 4, o MMORPG da Square Enix mostra mais uma vez todo o seu esplendor com uma experiência sólida e duradoura.

Essencialmente, Final Fantasy XIV: A Realm Reborn na nova consola caseira da Sony é a mesma experiência que já se encontra disponível atualmente para PC e PlayStation 3 - cuja análise pode ser lida aqui. Toda a aventura começa novamente com o processo de criação do nosso aventureiro que se prepara para partir em direção ao majestoso, mas abalado mundo de Eorzea que viu grande parte de si ser destruído nos eventos que marcaram o final da obra original. Apesar de o alicerce de toda a experiência do título ser a vontade de evoluir a nossa personagem e torná-la cada vez mais poderosa, o jogo faz questão de nos incentivar a experimentar outras classes para além daquela pela qual a nossa decisão inicial acabou por recair. Uma vez que a simples alteração da arma principal é suficiente para começarem a jogar com uma classe alternativa, podem, a qualquer momento, trabalhar para desenvolver a vossa personagem em técnicas adicionais de combate.

Como seria de esperar de um título do género, este MMO possui um número gigantesco de missões que não só obrigarão o jogador a despender um número incontável de horas para conseguir ver os créditos após a conclusão do enredo principal, mas também para realizar todas as atividades secundárias. Ao navegar pelo mundo aberto gigantesco de Eorzea, é impossível não ser constantemente confrontado com pequenos eventos e distrações sempre disponíveis para nos adiarem mais um pouco o progresso pela campanha. Guildhests, missões para fomentar o trabalho em equipa entre jogadores, Fates, eventos aleatórios que surgem no ambiente e nas quais qualquer jogador pode participar se assim entender, e Levequests, atividades em que o objetivo principal é obter experiência, são alguns dos tipos de tarefas que farão durante a vossa estadia no mundo de jogo. No entanto, as Dungeons continuam a ser o verdadeiro ponto alto de toda a experiência. Estas requerem um enorme grau de coordenação e cooperação entre jogadores para que o trabalho de equipa dê frutos, assim como representam alguns dos desafios mais interessantes de toda a obra. É importante relembrar que todo o progresso da versão PS3 pode ser transferido para a nova versão, o que significa que não serão forçados a repetir tarefas que já tenham realizado anteriormente.

No que diz respeito à jogabilidade, a produtora não trouxe qualquer tipo de novidades para implementar na nova edição do seu título. Os combates permanecem frenéticos devido à ausência de um botão para esquivar ataques, o que nos obriga a estar em constante movimento. Já forma como gerimos os nossos ataques, movimentos e feitiços continuam a ser feita através dos vários sets que os permitem atribuir a várias combinações de botões. A grande novidade acaba por ser a utilização do touchpad incorporado no DualShock 4 para navegar pela interface de jogo. Ainda assim, esta novidade, embora óbvia e bem implementada, apenas serve para salientar ainda mais a qualidade da adaptação da interface aos controlos do comando, tornando a utilização desta mecânica um pouco desnecessária.

Uma vez que as diferenças entre as versões de Final Fantasy XIV: A Realm Reborn são mínimas, isso significa que os mesmos problemas que apontei à versão original continuam presentes. O início muito lento, um sistema de navegação pouco esclarecedor, missões secundárias desinteressantes, diálogos demasiado longos e com informação supérflua que quebram o ritmo de jogo são aspetos que dificilmente seriam corrigidos para a chegada do título à nova consola da Sony, mas que ainda assim não podem deixar de ser mencionados. Pelo contrário, a compatibilidade com a funcionalidade Remote Play é um excelente bónus que permite levar a experiência connosco para qualquer lado e que certamente agradará aos jogadores que pretenderem aproveitar todos os momentos para melhorarem a sua personagem e realizarem mais tarefas.

Obviamente, é no departamento gráfico que as diferenças entre as versões PlayStation do título são mais notórias. O simples facto de o título correr a uma resolução nativa de 1080p na plataforma mais recente faz com que os visuais sejam superiores, embora a diferença não seja tão acentuada como seria expectável. A verdade é que o título já era extremamente bonito na versão original e a nova edição limita-se a salientar isso mesmo. Ainda assim, são notórias melhorias consideráveis ao nível das texturas, embora se continue a verificar um frequente aparecimento súbito de elementos nos cenários, inclusivamente inimigos. Por outro lado, a banda sonora permanece fantástica, fazendo jus à saga que empresta o título ao jogo. As transições entre a suavidade da exploração e o ritmo rápido dos momentos de combate são realizadas com mestria e contribuem para tornar a experiência ainda mais apelativa.

Final Fantasy XIV: A Realm Reborn na PlayStation 4 é a mesma excelente experiência que já está disponível nas restantes plataformas. Embora seja um pouco desapontante a ausência de novidades de maior, o importante é que tudo aquilo pelo qual os jogadores se apaixonaram na obra não foi comprometido com a transição para a nova geração. Ainda que as ligeiras melhorias no departamento visual não sejam suficientes para tornar esta versão mais apelativa em relação às edições originais, o facto de a transição ser absolutamente gratuita poderá convencer muito jogadores a dar o salto. As mensalidades continuam a ser uma realidade, mas aquilo que distingue verdadeiramente este MMORPG é a sua capacidade para comprovar, mais uma vez, a viabilidade do género nas consolas.