Quando se pensa em jogos, provavelmente não é Tetris, Mario ou Pac-Man que nos vêm à cabeça. Damas, Xadrez ou Sueca são alguns dos jogos dos quais me recordo, há jogos ainda mais antigos que ainda hoje se jogam em todo o mundo, alguns com milhares de anos. O que estes jogos têm de bom é que atravessaram várias gerações, o que torna possível um avô jogar com o seu neto sem ser necessário que nenhum deles tenha que ultrapassar alguma barreira de algum arcaísmo ou tecnologia complexa de entender.

É por isso que 51 Worldwide Games tem um certo carisma, um verdadeiro encanto por entregar uma coletânea de grandes clássicos. Não são só jogos de cartas ou jogos de tabuleiro, há também algumas propostas que utilizam sistemas mecânicos como um que é a simulação de matraquilhos. E também há outros que encaixam nesta categoria de clássicos, mas não se jogam numa mesa, nem sequer em casa como é o caso de bowling ou golfe.

Visto ter uma quantidade considerável de jogos para se jogar com outros, há várias formas de os experimentarem com os vossos amigos, familiares ou desconhecidos em sessões online. Como é óbvio, os jogos de cartas requerem que cada um use uma única Switch, contudo, só uma pessoa é que precisa de ter o jogo comprado. Mas o melhor, para mim, é colocar a consola sem os Joy-Con em cima de uma mesa, como se esta fosse um tabuleiro, e interagir com os jogos através do toque.

Um dos pontos mais importantes de 51 Worldwide Games é conhecer as regras de jogos que não conhecíamos e descobri-los com outra pessoa. Os jogos são apresentados por duas personagens em forma de bonecos de plástico. Aqui, o jogo pretende dar um ar da sua graça, mostrando um lado mais cómico. Sinceramente, a explicação que estas personagens nos dão cansa após um certo ponto. O foco, por vezes, são as brincadeiras que têm um com o outro. Porém, se salterem este tutorial, podem sempre irem ver as regras escritas no menu do jogo em questão.

Claro que um jogo digital nunca irá substituir a experiência de jogar com o material físico. Contudo, ter um videojogo que engloba meia centena de títulos é algo de muito prático. E, na verdade, o seu aspeto técnico está muito bem conseguido, nomeadamente, no que diz respeito aos efeitos sonoros.

Jogar o clássico quatro em linha é um dos melhores exercícios para nos apercebermos de como este trabalho foi bem feito. As peças caem respeitando as leis da física e o próprio material no qual deslizam até ao local mais baixo. Só é pena o jogo de quatro em linha tenha a estrutura, onde se colocam os discos, transparente e não o seu azul característico.

Depois há também uma parte mais estranha do título da Switch: há jogos que nã encaixam na categoria de jogo de tabuleiro, outros nem são bem jogos. Por exemplo, existe uma aplicação onde podem tocar piano, algo que inicialmente pode parecer muito básico, mas não é. Virem a consola ao contrário e têm um sintetizador em vez de um piano para tocar música clássica.

Coloquem várias consolas Switch lado a lado e têm um piano maior, onde a consola mais à esquerda tem o conjunto de teclas de notas mais graves. Ainda podem utilizar os Joy-Con para introduzir vários sons de percussão enquanto uma outra pessoa toca piano. No fundo, acaba por ser uma forma de fazer uma pausa nos desafios proporcionados pelos jogos clássicos incluídos em 51 Worldwide Games.

O “Mosaic Mode”, a funcionalidade de interagir com o jogo colocando várias consolas juntas umas às outras, também se aplica a um jogo de pista de carros elétricos. Aqui, quanto mais consolas fora colocadas em “Mosaic Mode”, maior é a pista. E dependendo da forma como juntam as consolas, a pista de carros pode ter várias curvas e contracurvas. É inspirador ver algo tão simples como o “Mosaic Mode” ser aproveitado tão bem num jogo tão simples como este.

Também há pequenos jogos fascinantes, como uma proposta de futebol que parece uma mistura entre matraquilhos e Subbuteo. É um jogo mecânico com peças com as quais não nos podemos esquecer de mexer antes de a bola ir para o seu destino. Como me esquecia de deslocar o meu guarda-redes, quando um remate não intencionado do meu adversário ia em direção à minha baliza, sofria golos sem haver necessidade disso.

51 Worldwide Games é um jogo essencialmente para ser desfrutado com, pelo menos, duas pessoas. Todavia, não perdem tudo se o jogarem sozinhos, pois há vários níveis de dificuldade para manter qualquer um entretido durante horas a fio. É surpreendente um jogo que engloba jogos tradicionais ser tão bom, e nesta altura de afastamento social é um jogo que aproximará pessoas de todas as idades. Contudo, quando penso no “Worldwide” tenho pena de não haver uma Sueca ou um jogo da malha, os clássicos do nosso país.