Uma das muitas histórias de sucesso no Kickstarter após a plataforma de financiamento ter saltado para a ribalta com Broken Age da Double Fine, A Hat in Time captou a atenção dos jogadores mais atentos com o seu colorido estilo visual e a vontade de fazer regressar os populares títulos de plataformas 3D de gerações anteriores. Entre 2013 e o seu recente lançamento muito aconteceu e foram vários os títulos deste género que se julgava esquecido que tentaram a sorte num mercado em tempos inundado com mascotes em aventuras de plataformas tridimensionais.

A Hat in Time Imagens Analise

Com diferentes graus de sucesso e variações em termos de qualidade, diversas produtoras tentaram preencher o vazio deixado pelo desaparecimento do género. Durante esse período, A Hat in Time permaneceu na mente daqueles que ajudaram ao seu financiamento e dos que aguardavam pacientemente para descobrir se a espera iria valer a pena. Depois de em outubro se ter estreado no PC, a obra do estúdio Gears for Breakfast chega esta semana à PlayStation 4 e Xbox One e o VideoGamer Portugal já teve oportunidade passar largas horas com a obra.

Inspirado de forma clara em Super Mario 64, o título coloca-nos no controlo de uma jovem rapariga a bordo de uma nave espacial em forma de navio que está à procura de encontrar o combustível necessário para regressar a casa. Após uma visita não planeada da Máfia, esse combustível - as Time Pieces - acaba espalhado por vários estranhos e peculiares planetas, competindo à jovem partir em busca da sua recuperação para poder finalmente cumprir o seu objetivo.

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A história não é original, aliás, a história está longe de ter grande importância, servindo meramente como pano de fundo à aventura da protagonista, contudo, existe aqui um inegável charme que aproxima a obra de uma espécie de desenho animado das manhãs de sábado que, apesar de um humor simplista, consegue colocar com frequência um sorriso na nossa cara. Mesmo sem pronunciar uma única palavra, as ações da protagonista tornam-na imediatamente cativante e uma personagem que queremos ver ser bem sucedida.

Através desse tom juvenil e fazendo da sua protagonista a estrela maior da aventura, A Hat in Time consegue entregar uma experiência extremamente agradável que mantém o jogador interessado do princípio ao fim. A variedade dos seus níveis dá-lhe uma identidade muito própria e o facto de não se prolongar em demasia faz com que nunca se torne cansativo. No entanto, é a forma como a obra utiliza diferentes mecânicas para distinguir os diferentes mundos que mais se destaca.

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Se Mafia Town, o primeiro dos mundos a que temos acesso, pode ser descrito como o mais familiar, oferecendo um pequeno mundo aberto recheado de segredos para descobrir e que incentiva a exploração, os restantes quebram rapidamente com esses moldes e introduzem algo de diferente que eleva a experiência a novos patamares. Tanto podem estar a percorrer um comboio em movimento de forma a encontrar pistas para resolver um homicídio, invadir à socapa o local de gravações de um filme ou até a tentar sobreviver a uma casa assombrada, enfim, os níveis podem não ser muitos, mas originalidade não lhes falta.

Apesar de alguns dos níveis serem mais abertos do que outros, os objetivos que vos levam até às Time Pieces são sempre bastante lineares, o que faz com que seja o jogador a ter de evitar o caminho principal para descobrir os segredos de cada um dos níveis. Esses segredos podem passar por Time Rifts, níveis especiais que contêm as suas próprias Time Pieces, ou por novelos que vos permitem criar novos chapéus, sendo que diferentes chapéus têm diferentes habilidades que variam entre a indicação de onde está a Time Piece, a capacidade de correr mais rápido ou de atirar bombas para destruir barreiras.

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Ao longo do jogo vão também recolher diamantes por onde passam que podem ser utilizados para adquirir habilidades adicionais. Nenhuma dessas habilidades tem grande influência na jogabilidade, mas podem dar-vos a possibilidade de atrair automaticamente colecionáveis, utilizar o chapéu de chuva para evitar uma queda mortal ou utilizar a câmara para tirar uma foto. Por sua vez, a realização dos Time Rifts dá-vos acesso a novas opções de personalização da personagem, seja novas cores para a roupa e cabelo ou versões diferentes dos chapéus que já tiverem desbloqueado.

Tal como muitas obras do género, cada um dos capítulos de A Hat in Time culmina numa batalha com um boss. Felizmente, também aqui o título não desilude e entrega momentos altamente interessantes assentes num esquema de controlos simples, mas bastante eficaz. São os segmentos de maior dificuldade do jogo, mas nunca se tornam frustrantes e, mais uma vez, também nunca se arrastam por demasiado tempo. Ao variar a perspetiva e introduzir sucessivamente novos padrões de ataque, a produtora consegue com que todas estas batalhas sejam únicas e encaixem no tom da obra e, mais concretamente, na temático do capítulo em questão.

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Ainda assim, o título da Gears for Breakfast não está isento de problemas, sobretudo no que diz respeito à sua jogabilidade. A câmara de jogo consegue ser fonte de várias mortes frustrantes, o que se torna especialmente problemático quando os controlos não têm a precisão necessária para a compensar. No fundo, estes problemas levam a que o jogo tenha por vezes súbitos picos de dificuldade que não se coadunam com a experiência que pretende oferecer. Dito isto, são raras as situações em que o título pede precisão ao jogador, pelo que estes momentos são poucos e afastados entre si.

Como já referi, A Hat in Time é uma obra bastante charmosa e isso deve-se em parte ao seu departamento visual. Não, não é um portento técnico, mas não precisa de o ser para entregar uma experiência esteticamente apelativa. Extremamente colorido e com um estilo visual que vai buscar inspiração aos clássicos do género, o título brilha através da diversidade de cenários que coloca à nossa disposição e pela forma como os torna interessantes de explorar. A banda sonora adequa-se ao tom jovial da obra, mas nunca assume um papel de grande destaque.

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A espera foi longa, mas valeu certamente a pena. A Hat in Time é um título que faz jus às obras em que se inspira e que nos relembra do porquê deste género ter sido tão popular no passado. Uma experiência que cativa e surpreende durante as suas várias horas de duração, a obra da Gears for Breakfast entrega precisamente aquilo que prometeu, ou seja, um jogo inspirado nos clássicos, mas recheado de originalidade, sendo claramente merecedor da atenção dos fãs do género.