Responsável por trazer para terra ocidentais uma enormidade de títulos que de outra forma estariam destinados a nunca abandonar a sua terra natal, ficando impedidos de chegar a uma audiência mais vasta de jogadores, a NIS America tem sido um autêntico abono de família dos fãs de obras nipónicas nos últimos anos. Para além dos populares Role-Playing Games, a editora tem também trazido jogos de mais modestas dimensões até à Europa e América, jogos que se destacam pelo seu valor artístico, que tentam oferecer algo diferente daquilo a que normalmente associamos à produção de videojogos japonesa.

Escrevi, no final de 2016, sobre Yomawari: Night Alone, um carismático título de terror e sobrevivência que subverte constantemente as expectativas do jogador, servindo-se de um estilo visual minimalista e aparentemente inócuo para o apanhar desprevenido e assegurar a manutenção da tensão em níveis elevados ao longo de toda a aventura. Agora, poucos meses depois, chega às lojas digitais mais uma curiosa obra nipónica pela mão da mesma produtora e editora de nome A Rose in the Twilight.

Rose in the Twilight Imagens Analise

Na sua essência, este é um título de puzzles e plataformas que tem no seu departamento visual e na apresentação da narrativa os seus maiores trunfos. Nem sempre a mais cativante das obras de se jogar, é muito graças à sua aventura emocional que vai segurando a nossa atenção e nos impede de desistir após umas primeiras horas bastante frouxas. Felizmente, ultrapassem esse arranque pejado de quebra-cabeças ambíguos e jogabilidade monótona e perceberão que têm em mãos uma obra especial que, apesar dos problemas óbvios, tocará no vosso coração.

Seguindo a história de Rose, uma protagonista amaldiçoada que vive carregando uma rosa e os seus espinhos presos nas suas costas, o jogador terá, com a ajuda de um misterioso gigante, de escapar de um estranho castelo desprovido de cor e no qual a personagem principal terá de realizar vários sacrifícios de sangue - que envolvem mortes de formas pouco simpáticas -, para ganhar acesso a novas áreas do edifício onde se encontra aprisionada. Pelo caminho, pequenas peças do puzzle que representa a condição de Rose, as origens do gigante e do próprio castelo vão sendo desvendadas até termos uma melhor ideia da narrativa que o título tem para nos contar.

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Contada principalmente através de documentos espalhados pelo cenário e por cinemáticas desbloqueadas através da habilidade da protagonista para armazenar sangue na sua rosa proveniente dos locais que explora, A Rose in the Twilight consegue oferecer uma experiência altamente emocional apenas através das animações da sua protagonista, sem nunca recorrer a uma única linha de diálogo entre ela e o gigante que a acompanha nesta aventura. Mantendo-se quase sempre abstrato e deixando o jogador fazer as ligações entre aquilo que lhe é apresentado e o que é deixado por dizer, o título cria algo que marca, que fica connosco e que provoca em nós uma miríade de emoções.

Infelizmente, o impacto emocional da narrativa é muitas vezes prejudicado por uma jogabilidade que simplesmente não entusiasma, que em vez de representar a fragilidade constante de Rose, nos causa constantes inúmeros momentos de frustração. Sobretudo na primeira metade da obra, quando o título ainda nos está a treinar para descobrir as diferentes formas de utilizar a sua principal mecânica para resolver os quebra-cabeças. 

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Alternando com o pressionar de um botão entre o gigante, que faz uso da sua força para transportar objetos e Rose, e a própria protagonista que, através do sangue, pode fazer parar ou reativar o tempo para determinados objetos, o jogador tem como principal objetivo chegar ao final de cada nível com ambas as personagens e ao final de cada área do castelo com um número mínimo de poças de sangue analisadas para realizar o sacrifício de sangue e aceder a novas secções do mapa. 

Apesar da aparente simplicidade, muitos dos puzzles são tudo menos simples, sendo bastante provável que fiquem presos no mesmo cenário durante mais tempo do que seria recomendável, algo que, para além da frustração natural, resulta num ritmo inconstante que nos trava constante o progresso no seu melhor departamento, ou seja, na narrativa. Como referi, isto é especialmente notório nas primeiras horas de aventura, tornado-se menos acentuado à medida que o jogador vai assimilando a lógica por detrás de muitos destes puzzles.

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Já perto da reta final da aventura, o título tenta transportar as suas mecânicas para uma batalha com um boss que não resulta da melhor forma, voltando mais uma vez a colocar um entrave à nossa progressão e a originar vários momentos de frustração. Não estraga a experiência por completo, obviamente, mas é um pico de dificuldade desnecessário que mais do que oferecer um puzzle difícil de resolver, coloca o ênfase na nossa capacidade para executar as ações corretas no momento certo.

Juntamente com o tom emocional da narrativa, A Rose in the Twilight tem no seu departamento visual um dos seus melhores elementos. Mesmo num mundo desprovido quase na totalidade de cor, o título consegue proporcionar cenários belos e detalhados através de um grafismo que o aproxima de uma espécie de pintura em óleo com cenários desbotados. As animações são igualmente minimalistas, mas extremamente eficazes. Sem grandes surpresas, a banda sonora orquestral acentua a componente emocional da obra e acompanha fielmente, embora de utilização esparsa, a aventura.

Rose in the Twilight Imagens Analise

Concluindo, o jogo da Nippon Ichi Software é uma interessante oferta que se destaca pela sua apresentação e arco narrativo, mas que sofre sempre bastante para entregar uma jogabilidade interessante e capaz de fugir à monotonia. É certo que melhora com o acumular das horas, no entanto, isso poderá não ser suficiente para impedir que os menos persistentes parem de jogar antes da narrativa conseguir captar a sua atenção.