Filipe Urriça por - May 27, 2022

Agent Intercept (Switch) – Análise

Os jogos de ação com uma componente arcade – ou seja, um jogo que dá primazia às mecânicas de uma jogabilidade simples e rápida para curtas sessões – são, normalmente, muito divertidos e exigem alguma habilidade. É neste enquadramento que se encaixa Agent Intercept em que somos um agente que conduz um veículo armado até aos dentes. No fundo, é como se fossemos um 007 que só tirou a carta de condução para exercer as suas funções de agente secreto.

Em Agent Intercept, o jogador é convidado a conduzir um veículo híbrido, não troca de motor para ser mais ecológico, mas transforma-se de carro para barco e vice-versa, a toda a velocidade, na transição da água para terra ou quando o carro salta para um qualquer rio ou oceano. A troca é rápida de forma a não perdermos um milésimo de velocidade, como não podia deixar de ser, dado que o jogo é assumidamente arcade. A obra é mecanicamente depurada para uma genuína experiência com as características de um título que está numa máquina presente num salão arcada. A nossa função passa por conduzir, atingir inimigos com os nossos projéteis, apanhar pontos e realizar objetivos pré-definidos, tudo isto a uma velocidade estonteante.

Entre as missões, há um pequeno briefing em estilo de visual novel, para o jogador perceber o que tem de fazer e saber quais são os intervenientes da trama que vão fazer o nosso motor rugir e os nossos dedos pressionar os gatilhos do Joy-Con. Não é por aqui que vão encontrar uma história ao nível de uma obra literária de Tom Clancy ou Ian Fleming, mas por muito que tenha havido um grande esforço por parte de quem escreveu o argumento, num jogo deste género quem brilha são – e têm de ser – as mecânicas do jogo. Felizmente, é bom poder afirmar que todas estas mecânicas conjugam-se muito bem para nós dar a diversão que o título quer entregar.

Neste jogo, produzido pela neozelandesa PikPok, um veículo que se transforma caso precise de andar na água, terra firme ou na neve. Ou seja, a transformação acontece conforme dá jeito à narrativa e ao level design para que não percamos velocidade ou para criar uma cena cinematográfica como num piroso filme de ação. É fácil imaginar Vin Diesel no papel deste piloto que conduz este peculiar veículo.

Agent Intercept é uma obra que podia estar a ser muito bem jogada numa máquina arcade, num salão de jogos de um café ou bar nos anos noventa. A jogabilidade está lá, no ponto de afinação certo entre a habilidade que nos é exigida e a recompensa que nos é dada por termos essa habilidade para ultrapassar todos os desafios que nos são lançados ao longo de um nível. Este jogo, como já devem ter percebido, não é um simples passeio de domingo à tarde de quem só tira o carro da garagem para tirar o pó. Cada missão está recheada de ação, pois vão embater contra outros veículos, passar por explosões (dignas de uma película realizada por Michael Bay) e fazer manobras bastante perigosas que alguém com problemas cardíacos não faria na vida real.

Os níveis estão meticulosamente desenhados para nos dar desafios a alta velocidade. Esta grandeza física, a velocidade, não é um elemento que atrapalha, mas quando somamos esta característica com curvas o resultado acaba por ser sempre drifts com enormes derrapagens. Curiosamente, neste jogo neozelandês, acelerar é automático mas temos de ter quase sempre o dedo no botão do turbo porque é raro que a velocidade padrão seja suficiente para cumprirem as missões. Portanto, a vossa posição na estrada (ou qualquer que seja o terreno) é importante para apanharem os itens essenciais para passar um determinado nível com uma boa pontuação.

Em qualquer nível há também vários anéis para recolher. Os anéis azuis restabelecem o depósito do Turbo (que atribuem o fulcral aumento na velocidade) e os cor de laranja dão-vos acesso a diverso armamento (com uma quantidade muito limitada), como por exemplo mísseis, metralhadoras ou canhões que disparam raios laser. Como é um jogo puramente arcade, é natural que quase todas as vossas ações vos atribuam pontos, para além de poderem recolher anéis que vos fornecem ainda mais pontos para o total da pontuação final. Está, por isso, tudo feito e desenhado para vos incentivarem a serem o mais competitivos possível.

O jogo não é perfeito e tem um ligeiro problema. É muito fácil perder o controlo do vosso veículo nas curvas, principalmente quando estamos a tentar fugir de um inimigo de grandes dimensões. É claro que isso é normal que aconteça, acelerar nas curvas é propício à derrapagem e é o processo principal para fazer drifts, mas quando queremos fugir bem pensamos muito nesse aspeto e acabamos por abrandar e perder velocidade para, eventualmente, perder. Sofrer um deslize é suficiente para um game over e recomeçarmos o nível todo de início.

Quanto às suas questões técnicas, Agent Intercept mantém-se equilibrado sem perder grande qualidade visual em momentos de maior exigência ao hardware da Nintendo Switch. Porém, o próprio grafismo não é muito inspirado, parece que foi desenhado para dispositivos iOS e Android e só depois adaptado para PC e consolas. Os efeitos técnicos não são os melhores, mas a velocidade está bem implementada e é, realmente, o que importa.

Agent Intercept é um bom jogo, nomeadamente, para quem gosta de um bom desafio e de mostrar as suas habilidades ao mundo nas tabelas de classificação. O jogo está bem feito para o que quer entregar, contudo, exige algum esforço para se sentirem confortáveis com as mecânicas de condução e de combate.

veredito

Velocidade e explosões num jogo que poderia muito bem estar embutido numa máquina arcade. A obra ganharia mais com uma condução tradicional.
7 Ação cinemática. Desafiante. Aceleração automática. Condução exigente.

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Agent Intercept

para Nintendo Switch, PC

Assume o controlo do Sceptre, o último veículo transformável de alta tecnologia…

Lançado originalmente:

16 de junho, 2021