Este título é mais um jogo entregue gratuitamente no mercado mobile que vem para a consola portátil da Nintendo. Embora não apoie uma conversão direta como The Battle Cats POP!, Ambition of the Slimes pratica o que deve ser feito: entregar uma experiência naturalmente adaptada para a consola a que se destina, nem que para isso passe ser disponibilizada a troco de uma certa quantia.

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Dragon Quest mostrou-nos que os slimes, a sua imagem de marca, são o que mais de fácil e irritante existe num primeiro contacto com uma aventura. Tem que haver um certo tipo de oponente fraco que sirva de carne para canhão, para podermos evoluir progressivamente desde o nível um. Fartos de serem exterminados sucessivamente pelos humanos, os slimes têm uma vingança organizada, com uma tática em ordem para derrotar a força humana.

O único apelo do jogo é a sua mecânica peculiar para os slimes poderem ter uma hipótese no campo de batalha. Não quer isto dizer que a partir daí, esta não tenha consequências diretas na jogabilidade e que não a aprofunde. Esta mecânica é só o começo. O grande poder, a mecânica que tenho vindo a mencionar, dos slimes é a sua capacidade de possuir o corpo dos humanos que estão a seu lado, ao forçar a sua entrada pela garganta abaixo.

Ambition of the slimes

Sempre que iniciam uma partida num determinado terreno - ao estilo de Final Fantasy Tactics ou Disgaea - começam com uma equipa de slimes> previamente selecionada por vocês. Sem surpresas, talvez como homenagem a Dragon Quest, o slime mais básico é um azul. Mas encontram muito rapidamente uma grande quantidade de outros tipos de monstros viscosos. Após um tutorial muito bem desenhado para vos ensinar as táticas básicas e o objetivo do jogo, são levados para a terra medieval onde começam a invadir literalmente os humanos.

A luta propriamente dita é realizada num campo em grelha, com elevações no terreno, e dividida em dois turnos - o vosso e o dos oponentes. O jogo parece simples, mas é longe de o ser. Normalmente estão em desvantagem numérica - não seria lógico poderem possuir todos os vossos adversários e acabar a partida. Mas esta característica do jogo coloca desde já uma dúvida tática: invadir rapidamente os humanos ou esperar que venham ter comigo? O ideal era conseguir separar cada um do grupo, mas estes avançam em conjunto. E ainda por cima, sempre que possuímos um corpo, o turno do slime que o possuiu termina. Isto abre a possibilidade de no turno seguinte o corpo que acabamos de ganhar poder sofrer danos escusados.

Ambition of the slimes

Perder é uma inevitabilidade. Sabermos aprender o que esta mecânica pode oferecer é muito importante. Não obstante, há que ter em conta as variáveis que podem determinar o nosso sucesso, ou insucesso, na batalha que está a ser travada. Por exemplo, há monstros com habilidades, que se distinguem pela sua forma ou cor: uns conseguem abrandar a movimentação inimiga, outros conseguem bloqueá-los temporariamente, enquanto que um verde pode teletransportar-se para qualquer local do mapa.

Um exército deste último monstro tornava-nos invencíveis em teoria, mas ainda há outra consideração a pesar na balança. Os monstros viscosos têm uma determinada taxa de sucesso em possuir o inimigo, que depende do tipo de unidade que querem conquistar. Um agricultor ou mineiro são sempre fáceis de conquistar, com a taxa de sucesso nos 100%, já guerreiros bem equipados têm uma percentagem bastante baixa. Para contornar esta situação e podermos aceder aos seus poderes de combate devastadores, teremos de usar habilidades para aumentar a probabilidade de possuírem os seus corpos. O problema reside em chegar perto deles, visto não sabermos a sua reação à nossa aproximação, nem que com alguma cautela.

Ambition of the slimes

Nada é impossível e como tal com paciência e persistência chega-se aos resultados pretendidos. É recompensador desenvolver técnicas próprias, desenhar trajetos para os nossos elementos, ou experimentar várias técnicas que nem um cientista dos RPG. Ambition of the Slimes vive para esta mecânica e se fosse um desastre estávamos a assistir em primeira mão a um atentado ao género. Felizmente, este sistema foi muito bem explorado e dá alguma frescura a esta fórmula já experimentada diversas vezes.

Tecnicamente, este título não é nada de realmente inovador ou criativo. Adoro o estilo pixel art, mas aqui não há nada que o faça sobressair dos inúmeros jogos que se encontram no vasto catálogo em oferta nas lojas digitais do momento. Há variedade e distinguem-se bem as unidades umas das outras não dificultando a leitura do campo de batalha. Novamente, a música está lá a acompanhar o jogo, mas se baixarem o som até ficar inaudível e colocarem uma playlist do Spotify enquanto jogam, estão bem servidos.

Ambition of the slimes

Ambition of the Slimes é bom título que joga com as regras dos combates por turnos. Ao termos o leme no lado tipicamente inimigo, dá-nos uma outra perspetiva onde podemos jogar com o que se espera com um título deste género. Não inova, nem apela a uma legião de jogadores, mas é suficientemente bem desenvolvido para poder oferecer horas de diversão estratégica.