por - Jun 4, 2013

Animal Crossing: New Leaf Análise

Começar a jogar Animal Crossing: New Leaf é partir numa aventura sem fim, uma viagem que demora pela qual recarregam a bateria da vossa Nintendo 3DS à noite e pela qual a abrem de manhã. Provavelmente, a série Animal Crossing tem tantos fãs como inimigos, ou seja, existirão pessoas a ler este texto que há muito marcaram no calendário o dia 14 de junho – dia em que o jogo é lançado na Europa – e outros tantos não comprarão o jogo quando ele sofrer cortes no preço, o que é compreensível.

New Leaf inova sem nunca tocar nas raízes da jogabilidade que foi conquistando seguidores desde a sua estreia nas Nintendo 64 japonesas. A força motriz do jogo continua a ser fazer da chegada do jogador a uma nova vila um acontecimento, um ponto de partida. Este é o único ponto em que a experiência com New Leaf será igual para todos os que o comprarem, pois daqui para a frente é o jogador que serve de alfaiate à sua própria aventura.

Como Tortimer resolveu ir passar umas férias numa ilha com temperaturas mais quentes, pela primeira vez na série o jogador assume logo o cargo de mayor da vila, o que muda drasticamente o que podem fazer durante a vossa estadia. Tal como já afirmei, New Leaf não esqueceu os básicos da série, ou seja, vão passar bastante tempo a falar com os habitantes da aldeia, estabelecendo relações que vão sendo aprofundadas com o passar do tempo, assim como recolher fruta, escavar à procura de fosseis, pescar, apanhar insetos com uma rede, decorar a vossa casa, enfim, é mais fácil se virem New Leaf como umas férias da vossa realidade. Umas férias que evoluem mesmo quando têm a vossa 3DS com a tampa fechada, mas voltaremos a isso mais à frente.

Todas estas atividades parecem inofensivas e cansativas após as primeiras horas de jogo, contudo, isso está bastante distante da realidade. Depois de pensar sobre o meu tempo com New Leaf, comecei a perceber que o motivo de estar constantemente a regressar ao jogo era precisamente a curiosidade. Como estas atividades não são estanques, até porque usam a data e o relógio da vossa portátil para irem evoluindo, houve sempre a necessidade de ver como é que a minha vila estava após não estar presente durante umas horas. New Leaf torna-se rapidamente um ritual diário, sobretudo durante as primeiras horas da manhã, onde imperou a necessidade de ver o que tinha acontecido durante a noite.

Antes de avançar, acho oportuno detalhar algumas das funcionalidades que advêm do uso da hora e dia da vossa consola. Além da inclusão em tempo real das quatro estações do ano, o jogo altera ainda as várias condições climatéricas e celebra o Natal, a passagem de ano, o dia das bruxas, enfim, New Leaf mimica na consola aquilo que está a acontecer na vossa vida. É fácil perceber que isto se traduz numa dinâmica deveras interessante e, sobretudo, ajuda imenso a variar o que têm à vossa espera quando abrem a consola. Além disso, com um ciclo de 365 dias, a Nintendo não quer que o jogo ande muito tempo fora da vossa portátil, uma vez que a experiência em junho será consideravelmente diferente do que vão experimentar em novembro. Além de tudo isto, existe um ciclo dia/noite diário, que obriga as lojas a estarem fechadas depois de uma determinada hora, obrigando os jogadores a fazerem algo que não envolva comercializarem os bens que foram encontrando.

Outro ponto que diferencia o jogo de tudo o que compõe o catálogo da Nintendo 3DS é a paz e harmonia que o jogo transmite. Se os hippies pudessem escolher apenas um jogo para o resto das suas vidas, tenho a certeza que este estaria entre os eleitos. Mas New Leaf não é apenas um reciclar de ideias do seu passado. Aliás, este é um dos jogos que mais novidades transporta consigo. Sermos o mayor da vila dá-nos um poder que não tínhamos quando fomos governados pelo velho Tortimer.

Na prática, isto traduz-se numa personalização do que é vosso e do que pertence aos vossos cidadãos. A personalização da vila ao vosso gosto começa logo nos primeiros minutos de jogo onde têm que escolher um sítio para mandarem erigir a vossa casa – verdade seja dita, começam com um tenda – e passadas algumas horas podem decidir onde fica a esquadra da polícia, por exemplo. Para manter a vossa veia criativa despertada, cada local da vila poderá receber adornos e atrações para que os habitantes continuem felizes e com o jogador nas suas boas graças.

Por falar em habitantes, ser mayor não é tarefa fácil. Não demoram muito a sugerir melhorias à área de jogo, fazendo com que o jogador viva numa canseira para os tentar ver satisfeitos. É verdade que New Leaf arranca devagar, talvez para que os jogadores que o usam para aceder à série pela primeira não se sintam muito perdidos, mas se continuarem a investir o vosso tempo, as opções abrem como um leque, desde os empreendimentos de grande porte até ao sítio onde pretendem colocar a mobília dentro da vossa casa.

Este desenvolvimento faz com que o tempo roubado haja como uma verdadeira bola de neve. Quanto mais fazem, quanto mais têm para fazer, quanto mais tempo dedicam ao jogo, mais tempo o jogo vos faz gastar. Quando o fardo de terem que encontrar objetos para trocarem pelo dinheiro – a moeda de troca em New Leaf tem o nome de Bells – indispensável à expansão e personalização da vossa área de jogo, basta pararem o que estão e olharem à vossa volta para tudo o que já conseguiram fazer com uma terra que estava praticamente despida quando vocês saíram do comboio e a visitaram pela primeira vez. Apesar de ser tudo digital, é impossível não se sentirem orgulhosos com tudo o que foram construindo no decorrer das últimas horas, dias, semanas ou meses. A aldeia está refeita, tem vida própria e os habitantes estão felizes – e foi tudo graças a vocês.

Mas nem sempre vão estar com os pés assentes na terra. New Leaf permite aos jogadores tirarem partido da água que banha a vossa vila – sim, além de usarem a cana de pesca em longas sessões de pesca. Se tiverem o equipamento adequado é possível nadar e fazer mergulho, o que ajuda a diversificar a jogabilidade. Outras novidades mais materiais incluem novas personagens, novos tipos de fruta e novos edifícios, como por exemplo o Club LOL, um novo café ou o Nook’s Homes, uma loja onde podem comprar itens para redecorar a vossa casa.

Além de tudo isto que foi descrito, New Leaf tem algumas curiosidades interessantes, como por exemplo um museu vazio à espera das vossas doações. É certo que podem vender os fósseis, peixes e insetos por bom dinheiro, mas quando a vossa carteira digital estiver cheia de Bells, podem sempre vestir o papel de bom samaritano e doar os vossos achados ao museu e serem curadores digitais sempre que alguém o visitar. É o mais próximo que estarão de ter uma placa com o vosso nome em Serralves ou no Museu Berardo, portanto, não é um cenário a desconsiderar.

Ok, eu confesso: além da realização pessoal, existe outro motivo pelo qual devem cuidar e ter uma vila o mais apresentável possível. Através da estação de comboios – e depois de terem tirado uma fotografia para serem identificados – é possível visitar vilas que pertencem a outros jogadores e realizar o mesmo tipo de tarefas que fazem a solo, ou seja, podem apanhar fruta, pescar, interagir com os residentes. Enquanto localmente poderão visitar qualquer jogador com uma cópia do jogo que esteja ao vosso alcance, através do online só o poderão fazer nas vilas dos jogadores que estiverem na vossa lista de amigos. É ainda possível criarem um Town Pass Card – TPC – com algumas informações sobre o desempenho do jogador que será partilhado via StreetPass.

Se tiverem 1000 Bells no vosso bolso e já tiverem pago o empréstimo da vossa primeira habitação, poderão visitar uma ilha fora do cenário principal do jogo. Intitulada Tortimer Island, o seu acesso é feito de barco, mais especificamente pelo barco de Kapp’n que vos cantará uma serenata durante a viagem. Depois de lá chegarem, poderão desfrutar de um resort paradisíaco onde a diversão é apoiada no multijogador com suporte até quatro jogadores que se podem juntar a vocês localmente ou pela internet. O grande destaque vai para as competições que têm ao vosso dispor e que incluem pesca, mergulho, apanha de insetos, rebentamento de balões, entre outros. No final são avaliados com uma classificação que varia entre o bronze e o ouro.

Tecnicamente, New Leaf não precisa de muito tempo a demonstrar o seu charme gráfico. Independentemente do local onde estiverem, a atenção dada aos detalhes é incrível e os cenários propriamente ditos também estão muito bem enquadrados dentro do tema e o efeito 3D, ainda que tenha resultados mais bem conseguidos em algumas zonas do jogo, de uma maneira geral não destoa. A banda sonora ajuda a dar o mote com as melodias a convidarem ao relaxamento e à harmonia. Um dos pontos menos conseguido tecnicamente são os tempos de carregamento entre algumas áreas que visitamos frequentemente, por exemplo, sempre que passamos a linha do comboio para nos deslocarmos à parte superior da vila somos brindados com um ecrã de carregamento, o que começa a irritar depois da décima deslocação.

Animal Crossing: New Leaf mantém intactos os mandamentos que ditaram o sucesso da série tanto no Japão como nos mercados ocidentais e introduz algumas novidades interessantes. Provavelmente não será suficiente para converter os jogadores que nunca gostaram da série, contudo, para os que há muito acompanham a série criada por Katsuya Eguchi, é uma pérola que vos fará trocar longas horas da vossa vida real pela vossa vida digital.

veredito

New Leaf promete fazer as delícias dos fãs da série Animal Crossing. Para os que ainda não experimentaram a série criada por Katsuya Eguchi, têm aqui uma boa porta de entrada.
9 Mundo construído para espalhar carisma Há sempre algo para fazer Experiência de jogo pode facilmente chegar às cem horas Alguns tempos de carregamento mais persistentes

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Animal Crossing: New Leaf

para Nintendo 3DS

More bewilderingly-addictive town and social life management – in 3D.

Lançado originalmente:

14 June 2013