Com a cada vez maior popularidade encontrada por séries Manga e Anime nipónicas junto dos consumidores ocidentais, seria expectável que as mais aclamadas obras do género fossem adaptadas a uma das indústrias que mais milhões movimenta todos os anos. Contudo, tal não se verifica, pelo menos não com a frequência que se poderia pensar. Na verdade, o processo contrário é bem mais frequente, ou seja, são vários os videojogos de origem nipónica a terem direito às suas séries animadas, sendo exemplos disso Persona 4, Danganronpa 3 e, mais recentemente, Final Fantasy XV.

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Aprecie-se Anime ou não, é completamente impossível escapar ao fenómeno em que se transformou em anos recentes e penso que não será exagerado afirmar que todos nós temos pelo menos uma pessoa no nosso grupo de amigos que não dispensa esta forma de entretenimento. Talvez com o objetivo de retirar o máximo proveito da popularidade ocidental, a Omega Force decidiu aplicar a sua já comprovada fórmula de sucesso da série Dynasty Warriors naquela que é certamente uma das Manga mais conhecidas do público geral e que dá pelo nome de Attack on Titan.

Felizmente, ao invés de tentar forçar o universo da Manga ao padrão bastante familiar e sem grandes diferenças relativamente à série mencionada e todos os seus spin-offs lançados recentemente, a produtora optou antes por adaptar a sua fórmula e fazê-la encaixar de forma eficaz no mundo de Attack on Titan. Significa isso que não encontrarão aqui os cenários recheados de inimigos que pouca ou nenhuma oposição fazem à personagem jogável, uma vez que esse conceito simplesmente não faz qualquer sentido no contexto deste universo.

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Sem grande surpresa e para agrado dos fãs mais acérrimos, o combate é uma representação bastante fiel das sequências de ação que podem ver na série animada e não só é visualmente espetacular, como é extremamente satisfatório e divertido. Fazendo uso do Three Dimensional Maneuver Gear, o jogador movimentar-se-á a alta velocidade por áreas de dimensões consideráveis invadidas pelos temidos Titãs e terá de gerir o gás necessário para o equipamento funcionar e o número de lâminas à sua disposição para evitar ficar à mercê destes gigantescos humanoides.

Com o seu ponto fraco devidamente identificado na zona traseira do pescoço, podem optar por tentar destruir o inimigo com apenas um ataque ou optar por destruir primeiramente os seus braços para os impedirem de vos agarrar durante o combate ou destruir as suas pernas para lhes retirar a capacidade de movimentação. Seja qual for a vossa estratégia de combate, o importante é que as lutas se mantêm frenéticas e frescas durante a totalidade da campanha. Sim, é verdade que as mecânicas se mantêm inalteradas do princípio ao fim da aventura, mas em momento algum senti que a sua repetibilidade tivesse prejudicado a minha diversão ao longo das várias horas que depositei no título.

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Tal como é apanágio das obras da Omega Force, a jogabilidade sofre um pouco com a estrutura repetitiva das suas missões que seguem sempre a mesma sequência, isto é, são colocados numa área aberta, com vários inimigos espalhados pelo cenário, na qual os objetivos principais culminam na destruição de um titã mais poderoso que sinaliza o término da missão ao mesmo tempo que objetivos secundários vão surgindo, incentivando-nos a salvar soldados em dificuldades. Desde a primeira até à última missão, isto será aquilo que farão em Attack on Titan e, apesar da ausência de diversidade ser algo desapontante, o combate consegue sempre manter-nos ligados à experiência.

No entanto, os problemas não se ficam por aqui. Para além da pouca variedade de missões, excetuando aquelas raras ocasiões em que têm oportunidade de assumir o controlo de um Titã, a falta de diversidade de cenários é gritante, mesmo compreendo as limitações oferecidas pelo facto de o título seguir à risca a narrativa da primeira temporada da série. A câmara também se torna algo problemática em situações de maior aperto, mas nunca ao ponto de ser justificação para o fracasso.

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Como já referi no parágrafo anterior, Attack on Titan: Wings of Freedom reconta os eventos da primeira temporada da Manga e expande alguns ramos narrativos menos explorados. Para os menos familiarizados, Attack on Titan conta a história de um mundo onde a humanidade foi levada ao limiar da extinção depois do surgimento de humanoides gigantescos, os Titãs, que se alimentam de humanos. Depois de quase 100 anos de paz dentro das muralhas onde o que resta da humanidade sobrevive, a primeira de três muralhas é finalmente quebrada por um misterioso Titã Colossal, que aparece e desaparece numa questão de segundos, e a humanidade é novamente ameaçada.

Seguindo os três amigos e protagonistas Eren, Mikasa e Armin, a história foca-se agora na sua formação enquanto soldados e na consequente segunda aparição do Titã Colossal que provoca novamente danos agora na segunda muralha. De uma forma geral, a premissa é simplesmente ridícula, contudo, a execução é sólida e cria uma narrativa com suficientes voltas e reviravoltas inesperadas para nos manter investidos até ao momento em que os créditos começarem a rolar. Algumas personagens são demasiadas estereotipadas, mas o arco narrativo que as envolve é rico o suficiente para permitir que estas fiquem cravadas na mente do jogador.

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Tecnicamente, a Omega Force volta a entregar uma experiência muito competente que, mesmo sem deslumbrar graficamente, prima pela fluidez com que apresenta a sua ação. As cinemáticas são adaptadas da Manga pelo que a qualidade aí esta assegurada. Já durante os momentos de jogabilidade, nota-se perfeitamente que as texturas não resistem muito bem a um olhar mais próximo e atento. A banda sonora retém o tom épico que pode ser ouvido nos episódios da série, acompanhado de forma eficiente a ação frenética.

Em suma, Attack on Titan: Wings of Freedom é uma bastante agradável adaptação da popular Manga à indústria dos videojogos. Não é um jogo perfeito, nem sequer é um jogo excecional, no entanto, estamos perante uma obra que oferece a aquilo que é mais importante numa experiência jogável, ou seja, muita, mas mesmo muita diversão. Precisava de uma maior diversidade para atingir patamares de qualidade mais elevada, mas tudo aquilo que se propõe a oferecer, fá-lo com uma enorme solidez, entregando uma das obras que mais gozo me deu jogar nos últimos meses.