Filipe Urriça por - Jun 20, 2022

Arise: A Simple Story – Definitive Edition (Switch) – Análise

Journey, o jogo da thatgamecompany que foi originalmente publicado na PlayStation 3, foi uma grande influência para muitos produtores que fazem videojogos de uma forma mais artesanal. Esta obra fenomenal procurou despertar emoções nos jogadores, com um design caracterizado pela sua simplicidade e minimalismo. Na altura, foi impressionante jogar Journey, ainda o é hoje, mas em 2012 não havia muitos produtores que tentaram uma abordagem diferente na criação de videojogos. Em 2019, a Piccolo Studio e a Untold Tales provaram com Arise: A Simple Story que precisamos, pontualmente, de jogos para nos emocionar, porque a emoção mais sentimental é importante para nos fazer sentir bem.

Esta obra criada em Espanha chegou este ano à Nintendo Switch, uma consola onde não se encontram, habitualmente, jogos deste género. Contar uma história sem recorrer a diálogo falado ou escrito, nem a qualquer tipo de texto para contextualizar o que se está a passar no jogo não é algo fácil de concretizar. Portanto, Arise: A Simple Story é, assim, precisamente o que refere o título, uma obra que faz uso da simplicidade na narrativa. Deste modo, a produtora sediada em Barcelona conseguiu fazer com que os jogadores sintam as emoções que quer transmitir através do seu videojogo, o que é fabuloso dado que são entregues numa experiência audiovisual e, claro, com mecânicas simples de um típico título de plataformas.

Arise: A Simple Story começa no fim, quando o nosso protagonista falecido está deitado numa pira e prestes a ser cremado num funeral medieval. Este homem, de idade avançada denunciada pela sua farta barba grisalha e pelo seu cabelo branco, acorda num momento que será o início da sua jornada para o além, para aquilo que será o seu destino após a morte. Ao longo desta pequena aventura, o jogador descobre a vida pretérita deste homem, não para perceber como chegou até aqui mas para recordar momentos marcantes que viveu.

A exploração do espaço em que estamos, antes de chegarmos ao destino que está reservado para o nosso falecido protagonista, é feito numa dezena de níveis diferentes. Estes níveis têm como base a vida do homem que controlamos e são jogados como um comum videojogo de plataformas tridimensional, como já estamos habituados (apesar deste já não ser o mais popular género deste meio de entretenimento). Todavia, uma das habilidades principais de Arise não é saltar, nem subir plataformas, mas fazer o tempo avançar ou retroceder, e quando o fazemos vemos as estações do ano a passar.

A capacidade de podermos fazer o tempo avançar ou retroceder existe para uma função muito simples: resolver puzzles. Estes pequenos desafios variam muito em dificuldade e, felizmente, nunca chegam ao ponto de nos provocar qualquer tipo de frustração por não conseguirmos chegar rapidamente à solução. Um dos primeiros e mais básicos puzzles envolve fazer subir o nível da água para que saltemos em cima de umas tábuas para podermos ir onde pretendemos. O facto de controlarmos o tempo torna esta experiência interessante em termos mecânicos, mas também visuais.

Arise: A Simple Story é um jogo que quer ser contemplado pela sua beleza. As enormes e infindáveis paisagens que apresenta são lindíssimas – um regalo para a vista – mas é precisamente neste espaço que temos de fazer a nossa personagem ir de um lado para o outro. Este pequeno exercício envolve saltar, escalar e correr, de plataforma em plataforma. Um dos problemas que encontrei, é que, por vezes, é difícil avaliar o salto que temos de dar para cair exatamente onde queremos. Como é claro, aqui não se perde de forma permanente, nem se morre, regressamos de imediato ao último checkpoint que, normalmente, nunca fica muito longe do local onde falhamos.

Infelizmente, nem todas as produtoras têm a experiência da Panic Button (que nos trouxe Doom de 2016 para a Switch) para fazer jogos funcionar na consola híbrida da casa de Quioto com toda a suavidade possível. É pena que em níveis mais tecnicamente agitados se note Arise a ter alguma dificuldade em manter o jogo estável. Felizmente, é raro acontecer problemas e quando acontecem não duram mais que um ou dois segundos. É uma situação que fragiliza a experiência. Ainda que não permaneçam demasiado tempo, não deixam de ser apenas uma pequena pedra no sapato desta obra.

Se leram o nome inteiro do jogo, repararam que esta versão é a Definitive Edition. Esta edição de Arise: A Simple Story inclui algumas funcionalidades interessantes, nomeadamente o modo de fotografia. Dada a beleza inata do jogo vão, obviamente, poder tirar algumas fotografias bem bonitas. Está também incluído um livro de arte e a Banda Sonora do jogo em formato digital, que podem ser acedidos através de um código QR. Daqui, destaco a música do jogo que é um prazer poder ouvir fora do contexto da obra, mas a fazer qualquer outra atividade como cozinhar, fazer exercício físico ou conduzir.

Arise: A Simple Story consegue o que se propôs a fazer: emocionar quem joga. A emoção vem, como se percebe bem, da narrativa, mas é claro que os departamentos artísticos do jogo ajudam a sublinhar as emoções sentidas, de tão bom que é o trabalho que foi feito. Mesmo com uma curta duração, Arise vale a pena ser adquirido na eShop ou em qualquer outra loja em que o jogo esteja disponível.

veredito

Esta obra é uma passagem por uma vida que terminou. Esperem ficar comovidos com uma narrativa que não usa texto para ser transmitida.
8 Narrativa emocionante. Paisagens belas. Mecânica principal. Alguns saltos complicados de acertar.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Arise: A Simple Story

para PlayStation 4
Arise: A Simple Story

Lançado originalmente:

03 December 2019