A melhor forma de abordar um género saturado é reduzi-lo aos seus elementos básicos e cortar o excesso, deixar apenas o que é necessário para ser operacional. A partir daí é construir o jogo como qualquer outro, adicionando as partes indispensáveis para torná-lo original e, sobretudo, divertido. Sinceramente, acredito que tenha sido isso que se passou com ATOMINE, um novo twin stick shooter, com particularidades de roguelike, que foi lançado na Nintendo Switch.
Todavia, expor um atirador deste género aos seus elementos técnicos essenciais para o apelidar de twin stick shooter retira também a sua identidade. E por muito que esta obra australiana esteja bem adaptada à experiência que quer entregar, não deixa de ter a falta de algum elemento que a torne única, porque, sem muito esforço, conseguimos imaginar outros jogos que foram sujeitos ao mesmo processo e passaram por esta fase de desenvolvimento.
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Em ATOMINE estamos a controlar um vírus informático, o famoso STUXNET, que tem de ganhar força (subir de nível na linguagem dos videojogos) para se tornar uma verdadeira ameaça, tal como se soube quando foi descoberto em 2010. Este vírus é representado por um cubo num ambiente virtual monocromático e este defende-se dos antivírus do sistema operativo ao disparar mísseis, balas e raios laser. Cada vez que conseguimos destruir um dos nossos inimigos, recebemos pontos de experiência e sempre que acumulamos uma certa quantidade destes pontos, subimos de nível. Ou seja, aqui não há nada que já não tenham feito em inúmeros outros jogos.
Além de terem de derrotar todos os inimigos de um nível, têm de encontrar uma sala escura onde vão poder encontrar melhoramentos para o vosso vírus, uma rotina essencial para garantir a vossa sobrevivência. Desta forma, vão tornar-se mais eficazes a eliminar inimigos porque o vosso equipamento bélico provocará mais dano, os tiros serão disparados com mais velocidade ou poderão passar a cobrir uma maior área. Enfim, há uma infinidade de combinações de melhoramentos e novas armas para moldarem a jogabilidade como bem entenderem.
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Embora haja uma boa quantidade de itens para recolher, estes aparecem nas nossas partidas conforme a aleatoriedade do jogo. A aleatoriedade gere alguns elementos do jogo para além dos itens que vos são disponibilizados, como por exemplo o layout da área onde vocês se encontram ou o tipo de inimigos que vão encontrar e enfrentar. A conjunção destes elementos todos que são ditados pelo algoritmo do jogo condiciona bastante as vossas partidas, tal como a dinâmica que estas vão ter conforme o que têm recolhido para chegar até ao boss.
Como já foi referido, este jogo australiano é um twin stick shooter e, como tal, é bastante desafiante. A estrutura do jogo transforma-o, nas suas secções mais difíceis, num autêntico bullet hell, tal é a enorme quantidade de projéteis disparados pelos inimigos que preenchem o ecrã. Não são só estas situações que são complicadas, há muitos tipos de inimigos que nos atacam ao mesmo tempo, que nos obrigam a adotar manobras de evasão ou uma abordagem menos agressiva do que pensávamos poder usar.
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Este título é eficaz na forma como apresenta os seus visuais. Em palcos que simulam um ambiente virtual de um sistema operativo, tal como o filme Tron tentou na sua altura, não temos grandes efeitos pirotécnicos, o que acaba por não provocar atrasos na ação. Contudo, o aspecto curioso de ver qual será a próxima forma geométrica que fará parte do grupo de inimigos é uma novidade que perde rapidamente o seu interesse.
Quem procura um atirador controlado pelos dois analógicos tem aqui uma proposta interessante, mas nada que não já tenha sido feito por outros títulos do mesmo género. Enquanto jogos como The Binding of Isaac têm muita personalidade, ATOMINE parece ter saído de uma game jam e que pouco foi feito para o tornar único - quando um trabalho não tem o mesmo brilho que outros, talvez seja melhor estudarem-no bem antes de lhe dar a atenção que procura.

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