Se por acaso leram a minha análise ao jogo original - A.O.T. Wings of Freedom -, saberão que tenho uma opinião algo dividida sobre o mesmo. O primeiro título inspirado na popular e aclamada série de animação nipónica é um daqueles jogos em que é extremamente fácil encontrar e identificar os seus defeitos e pontos mais fracos. Contudo, é também uma daquelas obras que é, apesar desses problemas, extremamente recompensadora e por vezes até altamente viciante, mesmo depois de várias horas a fazer essencialmente a mesma coisa.

A sua sequela, Attack on Titan 2 - ou, se preferirem, A.O.T. 2 -, é basicamente mais do mesmo. Sim, continua ser recompensador e viciante, mas os problemas que caracterizam o original continuam a fazer-se sentir, muito embora novas mecânicas tenham sido adicionadas para dar mais robustez e diversidade à experiência. Ainda assim, estas novidades são sol de pouca dura e, tal como sucedeu no seu antecessor, as ações que realizamos na primeira hora de jogo são exatamente as mesmas quando o relógio já contar 5, 10 ou 15 horas.

Isso poderia ser um enorme problema para um qualquer outro título, mas não para Attack on Titan 2. Obviamente, o jogo estará sempre muito dependente do vosso conhecimento e ligação a este estranho universo populado por humanos gigantes que se alimentam dos humanos normais e às personagens que nele coabitam. Se forem fãs, então Attack on Titan 2 faz mais do que suficiente para agarrar a vossa atenção durante a sua campanha. Se não tiverem grande historial com a propriedade intelectual, é provável que não haja aqui diversidade suficiente para vos manter interessados.

Como seria de esperar, a sequela traz consigo os eventos e personagens da segunda temporada, no entanto, esta não veio sozinha, uma vez que o jogo retrata igualmente os acontecimentos da temporada original. Se por um lado isto é bom para aqueles que não jogaram o título original, para aqueles que o fizeram existe aqui muito pouco para justificar a quantidade de conteúdo oriundo do primeiro título que foi utilizado para alargar a duração da campanha da sequela.

É verdade que agora não assumimos o controlo de Eren Jaeger, o protagonista da série, mas sim de uma personagem nova criada pelo jogador, ainda assim, salvo algumas exceções, as missões são exatamente as mesmas que figuravam na campanha original, o que é extremamente desapontante, mesmo que sirva como um demasiado longo avivar da memória de eventos passados. Na verdade, as únicas diferentes são a personagem jogável e as novidades adicionadas ao sistema de combate.

Se Attack on Titan 2 se mantém interessante durante largos períodos de tempo é precisamente graças ao combate. A movimentação aérea, a gestão das espadas e das garrafas de gás de alta velocidade, o ataque de pontos estratégicos do corpo dos Titãs para os desmembrar, eliminar ou capturar, enfim, tudo o que tornou o combate do jogo original tão viciante continua bem presente na sequela, sendo ainda alimentada por novas e interessantes mecânicas, como a construção de diferentes tipos de bases, seja para bombardear os Titãs através de canhões, explorar o solo para encontrar materiais, recuperar o stock de espadas e gás, entre outras.

Para além disso, existe também a possibilidade de recrutar, durante as missões principais, aliados para combater ao nosso lado através da conclusão de objetivos secundários. Diferentes personagens têm diferentes habilidades especiais, mas todas são úteis, especialmente porque podem sempre servir de pronto socorro caso sejam apanhados por um Titã. Outra novidade passa pela possibilidade de realizar ataques furtivos a grandes distâncias capazes de destruir um Titã de uma só vez ou, no mínimo, provocar danos bastante elevados.

Infelizmente, como já referi, Attack on Titan 2 sofre do mesmo design repetitivo das missões que já estava presente no original. A fórmula mudou ligeiramente de um jogo para o outro, mas rapidamente se torna altamente previsível. O facto dos Titãs estarem mais agressivos e de alguns necessitarem de ataques em pontos específicos para que percam stamina e fiquem mais suscetíveis aos nossos danos causados pelas nossas lâminas altera um pouco o combate, mas o facto destes Titãs serem sempre o ponto final de todas as missões torna-se algo cansativo.

Pedia-se mais originalidade e diversidade na construção das missões e dos confrontos, especialmente quando o combate com os Titãs apenas surge já numa fase avançada da campanha, mas esse não parece ser o ponto forte da produtora Omega Force. A adaptação da história do anime a videojogo também está longe da perfeição, uma vez que pedaços importantes de informações estão completamente ausentes ou então estão relegadas a caixas de diálogo impossíveis de ler durante a ação caótica que o jogo proporciona de forma constante. Como já disse, é fácil apontar defeitos ao título, pelo que o vosso grau de diversão dependerá sempre prazer que retirarem do combate.

Uma vez que estamos a controlar uma personagem criada por nós, o jogo da-nos a oportunidade de ter conversas opcionais com as personagens da série e subir lentamente a nossa relação com as mesmas. Essa subida traduz-se no desbloquear de habilidades para serem adicionadas ao arsenal do nosso protagonista que podem ir de simples bónus estatísticos até ataques mais poderosos. As conversas não têm grande impacto na narrativa geral, mas ajudam a dar uma maior profundidade às personagens, embora o jogo não lide bem com a morte das mesmas na narrativa principal, mantendo-as disponíveis nestes momentos intermédios.

As missões de scouting, que servem basicamente como missões secundárias com várias etapas que podem utilizar para obter mais pontos de experiência para subir o nível da personagem e obter materiais para a aquisição de melhor equipamento, voltam a estar presentes e também estas pecam pela repetitividade. Felizmente, o jogo permite-nos partilhar estas missões com outros jogadores online, o que ajuda a ultrapassar essa fadiga e a torná-las mais acessíveis quando a dificuldade começa a subir para píncaros insuportáveis. No modo online podem também participar em missões de ajuda a outros jogadores e pedir ajuda para a aquisição de materiais específicos, mas estas duas componentes do multijogador apresentam-se já pobres em jogadores.

No que diz respeito ao departamento técnico, Attack on Titan 2 é um título acima de tudo competente, servindo-se do mesmo estilo visual do seu antecessor que adaptava com sucesso a estética da série de animação nipónica. Mas mais importante que isso é falar sobre a performance do jogo e aqui o jogo soluça, muito devido à agressividade dos Titãs e à capacidade para destruir tudo no cenário, provocando quebras momentâneas na fluidez da framerate. A banda sonora continua a acompanhar com sucesso a ação frenética. Mais uma vez, apenas estão disponíveis as vozes japonesas, o que agradará a uns e desapontará outros.

Attack on Titan 2 é um digno sucessor de A.O.T. Wings of Freedom. Melhora aquilo que já era bom, mas não corrige nenhum dos seus principais defeitos, muito pelo contrário, repete-os vezes sem conta. A decisão de incluir o conteúdo alusivo à primeira temporada percebe-se no sentido de dar mais robustez à obra, contudo, o facto de não haver forma de evitar jogar algo que já havia sido feito anteriormente é um pouco incompreensível. No fundo, Attack on Titan é mais do mesmo. Se gostaram do original, gostarão deste - ou ficarão irritados com a repetição de conteúdo. Se não gostaram, nada na sequela vos fará mudar de ideias.