Pedro Marques dos Santos por - Feb 13, 2019

Away: A Journey to the Unexpected – Análise

Nem todas as obras estão destinadas para o estrelato e muitas nem sequer colocam os seus objetivos num patamar tão elevado. Alguns jogos contentam-se em oferecer uma experiência compacta, concentrada e focada aos jogadores que lhes derem uma oportunidade e esperam que isso seja suficiente para justificar o preço de admissão. Away: A Journey to the Unexpected enquadra-se nesta categoria, muito embora tivesse claramente potencial para ser algo mais, para ser um título capaz de perdurar na memória dos jogadores.

Isso deve-se sobretudo ao facto do tom pitoresco e alegre da aventura não ser suportado por uma narrativa capaz de cativar verdadeiramente o jogador. Aqui assumimos o controlo de um jovem rapaz a viver com os seus avós e que parte numa jornada pelas diferentes áreas que circundam a sua habitação em busca de descobrir o porquê da parede da cave da sua casa ter sido destruída e o paradeiro dos seus pais que partiram numa missão secreta ao serviço do governo.

Não é, nem precisava de ser uma história repleta de voltas e reviravoltas inesperadas ou de momentos emocionais fortes para brilhar, contudo, é claramente uma narrativa subdesenvolvida. As personagens peculiares com as quais podemos interagir – e recrutar – ao longo da aventura proporcionam diálogos bem humorados, mas são tão curtos que acabam por não permitir que as suas idiossincrasias fiquem em evidência durante mais tempo do que o minuto ou dois que necessitarão para os recrutar pela primeira vez.

O pouco que Away: A Journey to the Unexpected oferece é bom, mas é efetivamente demasiado pouco para cativar verdadeiramente o jogador. O arco narrativo do título precisava de mais sumo para assumir um plano de maior destaque na experiência, dando mais tempo às suas personagens secundárias para fazer sorrir os jogadores. Era neste departamento que a obra tinha mais potencial para oferecer algo memorável, mas a oportunidade foi claramente desperdiçada.

Na sua jogabilidade, a obra da Aurelien Regard Games opta por uma abordagem simplista. Com elementos de dungeon-crawler na primeira pessoa, roguelike e escolhas de diálogo, o combate assenta no ataque com o nosso pau de madeira e no uso das habilidades das personagens que podemos recrutar para a nossa party. Precisam de um cubo de amizade para os poderem recrutar, sendo que depois terão de escolher as opções de diálogo corretas para que estes aceitem lutar ao vosso lado.

Cada personagem recrutada garante-vos uma estrela e será através destas estrelas que desbloquearão o acesso a novas áreas da vossa casa e, finalmente, garantirão acesso ao local da batalha final. Embora necessitem sempre dos cubos de amizade para juntarem os aliados à vossa party, após os recrutarem pela primeira vez, não mais terão de voltar a dialogar com os mesmos para conseguir a sua ajuda. Podem ter até três aliados em simultâneo na vossa equipa e como é óbvio cada um deles tem as habilidades únicas.

Um deles dispara corações para restaurar a vossa saúde, enquanto outro usa a sua arma para ataques de longa distância que retiram bem mais do que apenas um ponto de vida aos inimigos. Há ainda no cenário caixas de tesouro para abrir que geralmente vos premeiam com bombas que podem ser usadas pelo protagonista para ataques à distância. Não é um sistema de combate complexo, mas é suficientemente interessante para não se tornar cansativo ao longo da curta aventura.

Sempre que morrerem regressarão ao quarto da vossa casa de onde iniciaram a aventura e utilizarão as estrelas obtidas pelo recrutamento de aliados para aceder a novas divisões da casa, bem como abrir acesso a novas áreas do mapa onde encontrarão novas personagens para recrutar e, portanto, mais estrelas para acumular. Devido à estrutura da obra, existem áreas que não podem ser exploradas numa mesma tentativa por causa da bifurcação do caminho a seguir, pelo que após todas as áreas serem desbloqueadas é importante escolherem aquela que vos permite obter os aliados mais úteis para concluírem a aventura.

Para além disso, a morte é também o momento em que todos os pontos de experiência obtidos são adicionados a barra de nível do protagonista. Cada subida de nível pode oferecer melhorias de saúde ou a abertura permanente do acesso à masmorra que marca o ponto de transição de uma área para a seguinte. Antes desse acesso estar sempre disponível, terão de explorar a área para ativar as três alavancas necessárias – quase sempre protegidas por vários inimigos – para abrir as portas da masmorra. Uma vez que Away: A Journey to the Unexpected apenas é uma obra curta e cada tentativa nunca se arrasta por muito tempo, este ciclo de jogabilidade funciona bastante bem.

Como não surpreenderá qualquer pessoa que já esteja familiarizado com o jogo, Away: A Journey to the Unexpected é uma obra bastante inspirada no seu departamento técnico. A banda sonora capta na perfeição o tom alegre e jovial da aventura, sendo mais pausada e lenta nos momentos de exploração e mais intensa no interior das masmorras. Dito isto, é o grafismo colorido num mundo 3D populado por seres 2D que brilha mais alto. Com cenários à beira-mar, na floresta, no gelo e no deserto, a variadade dos mesmos proporcionada pelas cores que os caracterizam, bem como o design inspirados dos inimigos e aliados, fazem deste título uma experiência visualmente bastante apelativa.

Away: A Journey to the Unexpected é assim uma obra competente que dificilmente desiludirá aqueles que lhe dedicarem as cerca de cinco horas necessárias para a sua conclusão. No entanto, o título da Aurelien Regard Games podia perfeitamente ter apostado mais na sua narrativa e nas suas peculiares personagens para entregar uma experiência que conseguisse ser bem mais memorável. Desta forma, Away: A Journey to the Unexpected é apenas uma experiência interessante e não uma obra de recomendação obrigatória.

veredito

Away: A Journey to the Unexpected é uma obra competente que oferece uma experiência que proporciona sessões de jogo tranquilas e sem grandes sobressaltos. Infelizmente, é igualmente pouco memorável.
7 Combate simplista, mas eficaz. Grafismo colorido. Narrativa subdesenvolvida. Nada de memorável.

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Away: Journey to the Unexpected

para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

01 January 2017