Filipe Urriça por - Apr 22, 2022

Aztech Forgotten Gods (Switch) – Análise

Quando li pela primeira vez sobre Aztech Forgotten Gods, fiquei encantado com a ideia de podermos mergulhar num mundo idealizado com base no povo indígena da América Central, os Astecas. Aqui a narrativa apresentada imagina que esta civilização mesoamericana nunca foi conquistada pelos espanhóis, conseguindo evoluir e mesmo passar por períodos de revolução como aconteceu no Velho Continente. No jogo da produtora mexicana Lienzo, os Astecas são um povo tecnologicamente avançado e próspero – um ponto de partida muito interessante para um jogo deste género.

Aztech Forgotten Gods é uma obra com uma premissa narrativa bastante curiosa, porém, isto não é suficiente para garantir a qualidade do jogo e o produto final não chega ser o resultado de boas intenções. Só o aspeto deste título é lastimável para um jogo lançado em 2022, já vi obras da PlayStation 2 com muito melhor aspeto, aliás há jogos com baixa resolução que replicam propositadamente consolas de outras épocas, como os jogos de terror Christmas Massacre e Murder House da Puppet Combo. Infelizmente, estamos perante um caso de ambição desmedida que não foi, como é óbvia, atingida – ou pior, foi um simples desleixo por parte dos criadores.

Este título mexicano é um jogo em “mundo aberto” de ação e aventura que tem como palco a cidade Tenochtitlan. Embora o mundo esteja aberto à exploração, o que está efetivamente ao nosso dispor para explorar é bastante limitado. A protagonista de Aztech Forgotten Gods é a Achtil, filha de uma famosa arqueologista que descobriu artefactos fascinantes num local em escavação. Achtil tem uma rotina enfadonha dado que é uma estafeta que realiza quase sempre a mesma atividade laboral, mas a importante descoberta da sua mãe vai mudar radicalmente a sua vida. A narrativa é bastante extensa e, por isso, há bastante diálogos para dar contexto aos eventos que ocorrem no mundo fictício em que nos encontramos.

A mãe da protagonista consegue ter acesso a um braço robótico num certo dia em que Achtil lhe foi dar uma ajuda. Este braço transforma Achtil numa autêntica heroína, que bem podia ter a sua própria banda desenhada, dado que além de poder acertar com uma força sobre-humana, também pode voar graças ao propulsor incorporado no braço robótico. Isto pode parecer um bom presságio para a jogabilidade que teremos pela frente, mas infelizmente não é o caso. A produtora estava tão confiante com o jogo que tinha em mãos que nos entregou as mecânicas do braço robótico logo na abertura do jogo. Para infortúnio dos produtores mexicanos, o início do jogo serve para exibir a jogabilidade grotesca providenciada por essa funcionalidade.

Este braço especial, que confere poderes à protagonista, tinha tanto potencial para nos dar um bom jogo de combate. Na introdução, Aztech Forgotten Gods expõe os seus defeitos sem vergonha nenhuma. Além de um grafismo pouco inspirado e concebido de forma muito descuidada, os controlos são rombos. A fraca jogabilidade deve-se, sobretudo, à câmara desgovernada que não nos ajuda em nada para estarmos focados na ação – é preciso estarmos a fazer constantemente pequenos ajustes para podermos estar centrados. A Nintendo Switch não foi, claramente, a plataforma que os produtores tiveram em mente na hora de produzir esta obra.

Não é que seja um grande problema, mas ouvir as personagens a fazer barulhos nasais e com a garganta quando estão a discordar e a concordar durante longos diálogos é muito cansativo. Percebo que nem todas produtoras independentes tenham fundos monetários para contratar atores para inserir vocalização nos seus jogos, mas há soluções mais inteligentes do que esta. Para um jogo que já está minado de decisões duvidosas, termos mais um aspeto que não lhe favorece é pena, porque sabemos que está ali potencial mal aproveitado, que está aqui uma boa ideia que não foi bem explorada.

É difícil recomendar Aztech Forgotten Gods, mas caso estejam interessados numa narrativa interessante arrisquem neste jogo. O combate é enfadonho, mas não é nada que não se ultrapasse com alguma insistência. O grafismo é pobre, mas não é nada que trave a performance da consola. Apesar de não ser um jogo com a qualidade exigida para um título moderno, só o aconselho pela história e se tiverem estofo para ultrapassar horas de frustração e aborrecimento.

veredito

O conceito deste jogo é interessante e mal executado. Infelizmente, só a narrativa se salva de uma obra com jogabilidade frustrante.
5 Narrativa interessante. Controlos rombos. Jogabilidade frustrante. Câmara descontrolada.

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Lançado originalmente:

10 de março, 2022