Os roguelikes não costumam estar associados ao género da estratégia em tempo real. Em Bad North podíamos ter algo bastante complexo com a junção destes dois elementos, mas o resultado é uma experiência que descomplica o que é intrínseco aos RTS. Ainda assim, isso é o que há de melhor neste pequeno jogo indie, porque as suas tentativas de ser algo mais significativo caem por terra a longo prazo.

Aqui não há uma história que vos é contada, não existe uma narrativa para dar um contexto mais elaborado às ações que têm de realizar. O que têm de saber é muito simples: o Império Romano está prestes a sucumbir e os visigodos (mais conhecidos por vikings na cultura popular) começaram a invadir a Europa, o que levará ao início do período que se designou por Idade Média.

E como sabemos muito bem (isto é matéria do sétimo ano), uma boa parte dos vikings veio pela via marítima. Nós, em Bad North, estamos a ser perseguidos pelos vikings que querem conquistar todas as terras pelas quais passam. De ilha em ilha paramos para recuperar forças e montar uma linha de defesa contra esta ameaça. Começamos com dois grupos de guerreiros ao nosso dispor, cada um liderado pelo chefes do seu clã, mas o verdadeiro líder, isto é, o estratega que vai comandar as tropas para defender as diferentes ilhas são vocês.

A ilha está dividida numa grelha e têm de prestar atenção à chegada de barcos inimigos. No início é tudo muito fácil, é só fazer uma espera onde os inimigos vão desembarcar e os vossos guerreiros não têm problema nenhum em eliminar a ameaça. Todavia, à medida que avançam no jogo, os problemas que vão ter de resolver com as vossas decisões vão aumentando.

Primeiro, é necessário cumprir o objetivo secundário do jogo: proteger as casas dos habitantes da ilha. Se o cumprirem, são recompensados com moedas e estas terão de ser entregues aos chefes de cada um dos grupos que lideram. Se amealharem moedas suficientes, ganham a possibilidade de dar uma especialização a um grupo à vossa escolha que vos permitirá serem mais eficientes durante o combate.

Podem transformar os vossos grupos em arqueiros, guerreiros de espada e escudo ou infantaria que empunha lanças compridas. Cada uma dessas classes tem as suas vantagens e desvantagens, o que vos vai obrigar a adoptar táticas que melhoram o vosso desempenho, até porque com a dificuldade a aumentar, também os inimigos começam a ganhar especializações como as vossas. Cada disciplina de combate também tem uma habilidade associada que terá de ser posteriormente comprada. Por isso, é de máxima importância protegerem as habitações que vos garantem mais moedas, algo que por sua vez vos permitirá melhorar consideravelmente o vosso ataque.

Após uma defesa bem conseguida, passam para uma outra ilha à vossa escolha. É uma parte do jogo na qual têm de decidir muito bem. Dita o senso comum que escolham ilhas que têm bastante habitações - pois quantas mais houver, mais moedas é possível recolher. Mas também há ilhas que têm um ponto de interrogação. Estas oferecem-vos um item após uma boa defesa. Como ainda têm dois espaços vazios para acolher mais clãs, podem decidir ir para uma ilha em que lá esteja um outro clã para reforçar o vosso grupo de guerreiros. Contudo, é preciso ter em conta a movimentação marítima de quem nos persegue, porque se formos apanhados pela frota inimiga é game over.

O layout das ilhas e o tipo de inimigos que aparecem são os elementos que estão sujeitos à aleatoriedade típica do género em que este título se insere. Contudo, é possível ter um vislumbre daquilo que nos vai calhar na seleção prévia feita no mapa. Convém, obviamente, escolher a ilha que nos pode enriquecer mais, mas se a dificuldade for muito grande, escolham uma com bastante elevações que obriga os inimigos a seguirem por um único caminho onde os podem embuscar. Forcem-nos caminhar para a morte certa. 

Para um roguelike mostrar as suas cores é necessário investir um bom punhado de horas com o jogo em questão. Depois de algumas horas e de novos avanços terem sido feitos em Bad North só podemos chegar a uma conclusão: este jogo é repetitivo. Os itens que apanhamos são sempre os mesmos e chegarmos mais longe depende demasiado da sorte. O esquema da ilha pode inclusivamente revelar-se uma complicação para nós e os inimigos que surgem não estarem ao nosso nível.

Não basta ter um estilo artístico limpo que acompanha a simplicidade de um jogo de estratégia em tempo real para se ter uma experiência livre de complicações. Um roguellike tem de permitir chegar-se à conclusão com diferentes abordagens, tem de ter alguma versatilidade para o jogador poder fazer das suas partidas uma experiência própria. Infelizmente, isto não é possível aqui, não há margem de manobra, não há mais classes, nem mais modos de jogo. Perderam? Recomeçam a mesma tarefa. E isto foi o que impediu Bad North de ser uma referência e não se tornar apenas mais um num mercado saturado pelas mesmas experiências.