Publicado originalmente na PlayStation 3 e na Xbox 360 em 2008, Baja: Edge of Control está de regresso em 2017. Não, não estou a falar de um novo jogo, mas sim de uma versão remasterizada do jogo de corridas que se prepara para festejar o nono aniversário. Depois de ter jogado o título original há alguns anos na Xbox 360, desta vez as minhas horas foram entregues à versão PlayStation 4 de Baja: Edge of Control HD.

É um lançamento que ainda não compreendi muito bem a quem se dirige. Talvez a THQ Nordic esteja a lavrar terreno para publicar um novo jogo, mas não me parece que Edge of Control tenha angariado uma legião de fãs acérrima que pedisse esta remasterização, até porque a obra original não era uma obra-prima. A versão HD também não o é.

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Em termos gerais, temos pela frente uma carreira extensa, cheia de provas todo-o-terreno que na sua génese forçam o jogador a levar o seu veículo ao limite - várias vezes ultrapassando-o, como lerão mais à frente. O modo carreira, sem grandes surpresas, está dividido em várias categorias: começamos com pequenos buggies e só na segunda metade temos acesso à nata deste tipo de veículos, aos bólides que já vimos, por exemplo, nas mãos de Robby Gordon.

O progresso é simples - aliás, todo o jogo é bastante direto na forma como revela as suas intenções. Temos experiência a ganhar e dinheiro a recolher com a conclusão das provas nos melhores lugares. Esse progredir vai desbloqueando novas categorias, já o dinheiro vai servindo para comprar novos veículos - com as vitórias recebem carros, contudo, são para serem usados nos modos arcada e multijogador.

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Mesmo jogando no modo de dificuldade normal, vão perceber que dificilmente conseguem o primeiro lugar em todos eventos de todas as categorias sem pegar numa boa maquia desse dinheiro e a atribuírem às melhorias do veículo que já têm na garagem. Acaba por ser uma factor minimamente interessante, esta gestão de novos carros e de melhorar o que já compraram, tentando assim uma progressão muito mais virada para a conclusão a 100% do modo.

É verdade que na classe 4X4 já se consegue extrair alguma diversão, mas é sobretudo depois de chegarmos a Open Wheel que se começa a sentir o verdadeiro espírito Baja. Os carros começam a necessitar de mais e mais dinheiro para serem adquiridos, pelo que não está descartada a hipótese de repetirem algumas provas. Edge of Control conta com a componente de patrocinadores - e de eventos por convite - mas não pensem que é tudo dado de mão beijada.

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Os problemas de Baja começam quando nos apercebemos que há muitas provas onde se instala um sentimento de repetição. A produtora afirma que há mais de 100 pistas e mais de 160 veículos, contudo, a questão está na forma como tudo isto é utilizado. Ou seja, no caminho feito pela campanha sente-se a reutilização da fórmula, o levar o jogador por caminhos que infelizmente raramente o deixarão curioso até saber qual é a próxima prova.

Em Baja há muito para fazer, falta é motivação para o realizar. É um jogo de condução assente num modelo de jogabilidade arcada. O aspecto mais inspirado na simulação é o facto de os veículos terem desgaste e avarias, o que nos obriga a ter algum cuidado com a condução e, sobretudo, a estar atentos às zonas de reparação. 

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Estas zonas fazem sentido nas provas mais longas, mas a assistência por camiões numa prova de cinco voltas é praticamente o adeus ao primeiro lugar. Isto seria justo se o próprio sistema de danos também o fosse. Todavia, por diversas vezes senti incongruências, mesmo sabendo perfeitamente que há veículos mais resistentes que outros.

Sendo uma jogabilidade arcada, somos convidados a andar a fundo, a fazer as curvas apoiados no ombro do traçado, o que é uma escolha válida da produtora. A questão é que uma curva mal calculada leva várias vezes a um efeito rubber banding rídiculo, com os adversários a recuperar dez segundos numa questão de metros. Podemos estar a construir uma vantagem sólida, apenas para vermos o nosso veículo “pregado” ao chão e toda essa liderança desperdiçada.

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Além disso, em muitas ocasiões, os adversários parecem ter um íman próprio, ou melhor, nas ultrapassagens, em vez de haver um toque entre carros e a sua separação, parece que há ali cola que nos faz ficar enganchados enquanto os níveis de frustração aumentam e os adversários passam por nós. São tudo pormenores, claro, mas quando se unem numa única prova, o resultado é - no mínimo - desanimador.

Mas apesar de tudo isto, por incrível que pareça, Baja tem alguns momentos em que impera a diversão. Quando estas irritações se recusam a aparecer e quando podemos provar a nossa habilidade, há provas em que estamos em uníssono com o veículo e o terreno, algo que é feito com a ajuda de um sistema de física que não é uma desilusão pegada - não é perfeito e também tem os seus momentos de estupidez, mas seria injusto não mencionar que consegue oferecer alguns momentos inspirados.

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Além do modo carreira, Baja: Edge of Control HD tem vários modos secundários, como Hill Climb, Baja e Free Ride, entre outros. Baja e Free Ride são bons para alimentar o explorador que há em vocês. O primeiro são competições longas, enquanto o segundo permite explorar cenários em mundo aberto como quiserem. O problema é que com o passar do tempo percebemos que há mais monotonia que o entusiasmo da descoberta. São cenários enormes, mas normalmente pouco interessantes.

Localmente, Baja é um daqueles jogos que se presta a inúmeros momentos em que se joga sem fazer nada em concreto. Um exemplo: enquanto explorava um cenário a dois, encontramos uma ponte caída. Obviamente, a próxima hora foi dedicada a ver se era possível ultrapassar aquilo à força da velocidade para ver onde iria dar. É verdade que não conseguimos chegar ao outro lado, mas fica a diversão de ver dezenas de falhanços que resultaram noutras tantas idas à água.

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Há também uma componente multijogador. Localmente tem suporte para até quatro jogadores em ecrã dividido. Funciona bem com até dois jogadores, pois permite ter ainda uma área de ecrã minimamente útil. Seja competitivamente, seja a explorar o cenário, é um modo que amplia a longevidade da obra. Infelizmente tive dificuldade em encontrar outros jogadores online, o que não abona muito a favor da obra, especialmente se tivermos em consideração que foi publicada dia 14 de setembro.

No campo técnico, Baja: Edge of Control HD desilude. Mesmo que ignorem a apresentação datada, o grafismo, mesmo melhorado, é mediano no melhor dos casos, ou seja, na modelagem dos veículos. Os cenários não parecem estar a correr numa PlayStation 4 Pro em 2017. Faltam-lhe pormenores, falta-lhe carisma, enfim, falta-lhe vender a ilusão que estamos a participar numa baja.

Imagens Analise Baja Edge of Control HD

Mesmo que tenha texturas melhores que o original, o aspecto técnico mais sólido - além da modelagem - é a framerate, que mesmo com um número considerável de pilotos no ecrã não mostra grandes abrandamentos. A sonoplastia faz o mínimo: motores sem nada de verdadeiramente a destacar e efeitos sonoros que se repetem, tal como a banda sonora.

Baja: Edge of Control HD é uma remasterização que fica aquém. Há aqui alguma diversão em sessões ocasionais e em partidas multijogador local, mas como a matéria-prima era mediana, teria que ser um trabalho hercúleo para o resultado final ser notável em 2017. Há bastante conteúdo, mas fica a faltar a motivação para o desbravar.