A epopeia nórdica da Stoic Studio encerra, definitivamente, a trilogia Banner Saga com o terceiro capítulo entregue nas principais plataformas. Foram quatro anos, desde o lançamento do primeiro título, até à obra que fecha esta série RPG. Apesar da jogabilidade se manter praticamente intacta, esta divisão em três obras permite distinguir cada uma quanto à sua temática dada ao argumento. Terminar The Banner Saga 3 satisfaz-nos o desejo de conclusão que ficou pendente após o fim do jogo anterior e, de uma forma geral, não podia ser melhor do que aquilo que foi finalmente entregue. 

Falar do último capítulo da série Banner Saga, implica mencionar eventos que ocorreram nos dois títulos anteriores. Imaginem falar a alguém que quer ler As Crónicas de Gelo e Fogo a partir de A Dança dos Dragões, é algo que não faz sequer sentido fazer. Há muitos desenvolvimentos relativamente à narrativa nos capítulos que precedem Banner Saga 3, por isso não faz sentido começar pelo título que está hoje em análise. Mesmo que vejam o resumo, só os principais eventos é que são recordados. 

Como já argumentei na análise ao título anterior, a vinda da série completa para a Nintendo Switch numa questão de meses (em vez de se estender por quatro anos, como aconteceu na versão PC) só beneficia quem gostou do primeiro jogo para terminar esta experiência RPG de uma só vez, jogo após jogo. Assim, há menos probabilidade de nos esquecermos de detalhes da narrativa de momentos únicos pelos quais cada jogador passou.

Nesta última parte da grande aventura que é The Banner Saga, inspirada na mitologia e folclore nórdico, há dois pontos importantes que vão conduzir a narrativa. Metade dos membros do vosso grupo está acampado perto do restante local onde permanece o que sobrou da civilização humana, uma aldeia apelidada de Arberrang. Aqui temos uma função imperial a cumprir: fazer com que todas as facções rivais e guerreiros sedentos de poder se mantenham em paz, nem que esta seja temporária. A outra parte está a caminhar rumo a Norte, para ver se conseguem acabar com a ameaça de uma vez por todas.

É precisamente nesta segunda parte onde vai decorrer a maior parte do combate. Os Dredge pertencem ao passado, os vossos inimigos são pessoas que não conseguiram chegar ao refúgio onde vocês se encontram, Arberrang, são agora almas condenadas que sucumbiram à escuridão - conhecidas agora como The Warped. Tal como os inimigos que defrontaram nos outros dois jogos, estes novos oponentes oferecem um desafio considerável. 

A fórmula do combate por turnos é exatamente a mesma que nos jogos anteriores. O willpower continua a ser gasto para técnicas especiais (únicas a cada personagem), tal como ainda é necessário danificar seriamente a armadura para os ataques passarem a ter um peso significativo na redução dos pontos de saúde dos inimigos. Resumindo, é preciso estudar bem todas as nossas hipóteses até podermos vencer, nem que certas personagens fiquem guardadas para funções de defesa e de melhoramento das estatísticas das tropas mais fortes.

Alguns destes novos inimigos, os Warped, conseguem absorver dano que vocês possam, eventualmente, deferir, caso este tenham uma quantidade suficiente de willpower. A nova mecânica destes inimigos faz com que estes expludam quando morrem, deixando para trás uma viscosidade que faz reduzir substancialmente o willpower de quem estiver a pisá-lo. Isto faz com que haja uma preocupação redobrada na movimentação e posicionamento dos guerreiros pela grelha do campo de batalha. Contudo, esta é uma novidade que começa a esmorecer ao longo do tempo, visto que são tantas as vezes que vamos entrar em batalhas de combate por turnos.

No combate também há uma outra novidade a sublinhar: as Wave battles. Num determinado momento da aventura terão um número limitado de turnos até que uma nova entrada de inimigos seja ativada, o que provoca uma certa tensão dada a rapidez com que queremos eliminar um inimigo. Num jogo deste estilo, a velocidade é inimiga da diversão que desta obra retiramos. Vejam o exemplo do xadrez, terminar o jogo o mais rapidamente possível não faz muito sentido.

Queremos fazer com que o inimigo caia nas armadilhas que montamos ao longo da partida, visto que até é praticamente impossível derrotá-lo em dois ou três turnos. Porém, sejam bons com estas novas regras e têm uma oportunidade de substituir os vossos guerreiros mais fragilizados por outros prontos a começar o combate. E claro, serão recompensados com tesouros raros que contêm equipamentos que podem associar a cada um dos vossos membros da vossa party.

Visualmente, The Banner Saga 3 continua a ser um regalo para os olhos. Há uma preocupação com os pormenores do ambiente e dos modelos das personagens acima da média. O que é notável, é que quando passamos por locais que já tínhamos visitado em títulos anteriores estes refletem os efeitos da devastação que o mundo sofreu depois do sol ter parado e da enorme serpente ter feito os seus estragos. Austin Wintory (responsável pelas Bandas Sonoras de Assassin’s Creed Syndicate, Journey e Abzu) assina novamente a composição da Banda Sonora do último jogo da série. Felizmente, este seu trabalho pode ser ouvido no Spotify e em outras plataformas de streaming para levarem com vocês uma música que reflete bem a epopeia épica que Banner Saga 3 é.

Se jogaram os dois últimos títulos da série RPG, The Banner Saga 3 é imprescindível para adicionarem ao vosso catálogo. Isto não só vai encerrar a aventura nórdica, como vai expor as consequências que vocês fizeram nos jogos anteriores. Contudo, a jogabilidade não melhora tanto como as novidades que foram entregues no segundo capítulo. Mas poder-se ir do início ao fim deste enorme jornada de um apocalipse iminente, satisfaz bastante, sobretudo, pela conclusão que foi tão bem apresentada.