A mais recente série episódica da Telltale arrancou apenas em agosto, mas em pleno mês de novembro já tivemos oportunidade de jogar quatro dos cinco episódios que compõem esta primeira aventura da produtora norte-americana pelo universo da DC Comics. Seria uma primeira vez, contudo, se o capítulo final de Batman: The Telltale Series chegar, como todos desejamos, durante o mês de dezembro, algo que daria à produtora de The Walking Dead a oportunidade de afirmar que disponibilizou todos os episódios de uma série ou temporada com intervalos de tempo consistentes e minimamente reduzidos entre eles.

Independentemente das janelas de lançamento mais condizentes com um modelo episódico que faz da componente narrativa o seu principal ativo, a história de Bruce Wayne e o seu alter-ego tem conseguido manter a sua qualidade em patamares semelhantes ao longo dos capítulos anteriores, tendo a quantidade de problemas técnicos sido o elemento diferenciador nas pontuações por mim atribuídas nas suas respetivas análises. O quarto episódio assegura a continuação dessa tendência, ou seja, não deslumbra, mas também não desilude, contando obviamente com a sua quota parte de soluços na framerate, situações em que o áudio falha e vários momentos em que a falta de sincronismo entre as linhas de diálogo e o movimento dos lábios é notório.

Imagens Analise Batman Ep 4

A história de Guardian of Gotham, título do quarto episódio da série, pode ser dividida em duas partes desiguais e o mesmo se pode dizer sobre a sua eficácia para cativar a atenção do jogador e o manter completamente investido nos eventos que têm lugar durante as duas horas que demorarão a concluí-la. O capítulo arranca de forma excecional, brincando com a psique do homem atrás da máscara e elevando as expectativas do jogador relativamente ao que estará para chegar. Infelizmente, o primeiro terço é enganador e os restantes fazem-nos regressar ao arco narrativo geral que tem marcado a série, mas que nunca conseguem sequer se aproximar da excelência daqueles 30 minutos introdutórios.

Por motivos que apenas compreenderão se tiverem jogado o terceiro episódio, o novo episódio arranca com o multimilionário preso no interior de Arkham Asylum, o asilo mental que alberga os criminosos mais perigosos e as mentes mais perturbadas da cidade de Gotham. Um cenário familiar para os fãs do Cavaleiro das Trevas, mas também um local que raramente teve oportunidade de explorar enquanto Bruce Wayne. A atmosfera é tensa e, por alguns momentos, chega a indiciar um rumo mais aterrorizador para o capítulo, algo que nunca é verdadeiramente capitalizado, mas serve como uma boa forma de nos mostrar o ambiente vivido no interior da instituição, ambiente que é tornado mais imponente pela banda sonora e departamento gráfico.

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Como provavelmente já saberão - até porque a Telltale tem feito questão que todos saibam -, Guardian of Gotham marca a primeira aparição de Joker na série, embora nesta fase seja apenas conhecido como “John Doe”. Sem grandes surpresas, este vilão é responsável pelos melhores momentos do episódio, embora não tenha assim tanto tempo de antena como seria desejável. A performance de Anthony Ingruber tem a qualidade necessária para tornar tensas todas as cenas em que está presente, mesmo quando o seu comportamento é francamente amigável para com o protagonista.

Sim, é verdade que foge algumas vezes para os tiques popularizados pelo desempenho memorável de Heath Ledger em The Dark Knight, afastando-se dessa forma da icónica voz de Mark Hammil que tem marcado as aparições recentes da personagem em videojogos, mas isso não retira mérito à versão Telltale da personagem. Os longos monólogos estão lá, o riso está lá, o sentido de humor peculiar também e todos estes elementos são amplificados, mais uma vez, por uma banda sonora que sabe acentuar o caráter macabro e volátil daquele que conhecemos como o Príncipe Palhaço do Crime.

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Mas como já referi, Joker e Arkham Asylum estão confinados no primeiro terço do episódio e a restante hora e meia, embora não seja fraca, não consegue manter a qualidade e interesse do seu arranque. Isto porque foca-se mais nos confrontos com os vilões já estabelecidos que nos capítulo anteriores e perde um pouco o foco na narrativa e nas suas personagens e interações entre si. À medida que nos aproximamos do final, seria inevitável que a história fosse desembocar em confrontos físicos e verbais entre Batman e os antagonistas, contudo, esse é o elemento em que a Telltale é menos forte e isso acaba por ter impacto claro no episódio.

Harvey Dent, Oswald Cobblepot e Selina Kyle marcam presença, mas não brilham como o fizeram em capítulos anteriores, servindo meramente como pontes narrativas para progredir a história e/ou sacos de pancada para Batman. Apenas Bruce Wayne e Joker se destacam neste episódio e isso é um problema se pensarmos que todas as suas interações estão concentradas no primeiro terço de Guardian of Gotham. 

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Não quero com isto dizer que a penúltima entrada representa uma diminuição de qualidade relativamente aos seus antecessores, pelo contrário. O novo episódio é mais uma adição de qualidade à série, o problema é que os primeiros 30 minutos são tão bons que tudo o resta peca por comparação. De notar que Guardian of Gotham termina com uma decisão que leva a duas sequências e desfechos significativamente diferentes que terão impacto, pelo menos, no início do próximo episódio. No entanto, terão de o jogar todo de novo se quiserem assistir ao final distinto, uma vez que, ao contrário do que é habitual em obras da Telltale, Batman não vos deixa recomeçar um episódio num capítulo intermediário.