Battleblock Theater não teve uma vida fácil. Depois de mostrar a primeira versão jogável em 2009, a produtora The Behemoth teve alguns problemas durante a produção do jogo, o que fez com o mesmo só chegasse ao Xbox LIVE Arcade a alguns dias. Depois de Alien Hominid e de Castle Crashers conseguirá Battlebok Theater ser o terceiro sucesso consecutivo para a produtora californiana? Acompanhem as próximas linhas e descubram o que achámos do jogo.

A história do jogo arranca com o vosso barco, Friend Ship, a naufragar numa ilha-prisão. Se até aqui podíamos estar perante mais um argumento idêntico ao The Rock, o carismático toque humorístico da produtora não demora a fazer-se notar. Os guardas da ilha são gatos gigantes que obrigam os prisioneiros a lutar pela sua liberdade ao longo de mais de oitenta níveis.

A história não faz o menor sentido, porém, a produtora joga muito bem com este alucinar argumentativo, oferecendo ao jogador aquilo que ele procura num jogo com a sua chancela: loucura. Ao longo de mais de cem níveis, cada contribuição do narrador é motivo para esboçarmos um sorriso, contudo, é na cena inicial que é impossível não rir a sério. Mesmo que não comprem o jogo, não deixem de passar pelo YouTube para comprovarem o que estou a dizer.

Na sua essência, Battleblock é um jogo de plataformas. Concluídos alguns dos níveis mais avançados, percebe-se que a equipa de produção andou a jogar Super Meat Boy, que se revela uma inspiração. O resultado é uma jogabilidade afiada e sempre responsiva, o que permite ao jogo colocar quem está ao comando em situações em que é exigida bastante precisão. Os níveis iniciais explicam muito bem as complicações que se aproximam e ensinam o jogador a lidar com elas.

BattleBlock Theater 2

Ironicamente, depois de apresentar um sistema de plataformas tão fluído, é nos combates corpo-a-corpo que a jogabilidade deixa a desejar. Espalhados pelos inúmeros cenários estão inimigos a dificultar a vossa missão. Apesar de recorrer a movimentos simples - murros, pontapés e ataques especiais - o combate não tem nenhuma profundidade e, pior que isso, não está tão apurado como o sistema de plataformas. Não há uma ordem de movimentos eficaz, ou seja, o jogador não se vai sentir compadecido a aprender combinações, porque estas são inexistentes. A melhor solução? Evitar ao máximo o combate com os inimigos. Felizmente, o combate não sabota demasiadas vezes as plataformas, ainda assim, quando acontece é um pouco frustrante. Em nota de rodapé em relação à jogabilidade, impera mencionar que pelo caminho vão ter que lidar com alguns puzzles incorporados nos cenários, o que ajuda a revitalizar a mecânica de jogo, assim como oferece algumas situações bastante interessantes, pois os puzzles geralmente são bem pensados e ainda melhor implementados. Com a vossa progressão no jogo, tudo vai ficando mais complicado. O jogo molda-se à vossa experiência com ele, oferecendo sempre um sentido de desafio.

Mas qual é fim que justifica tantas plataformas? Durante cada etapa têm que apanhar as várias esmeraldas verdes espalhadas pelo cenário. Para abrirem o portal onde vão terminar o nível apenas precisam de apanhar três esmeraldas, porém, se quiserem ter uma boa avaliação no final de cada nível terão que recolher as esmeraldas todas. Aliás, essa classificação é ainda baseada no tempo que demorarem a concluir a etapa, assim como na recolha ou não de um item especial - um novelo de lá dourado. Conjugar tudo isto não é propriamente fácil, porque vão precisar de gastar tempo à procura das esmeraldas todas e do novelo dourado. Na prática, isto resulta no equilíbrio entre rapidez, astúcia e dedução lógica. Mais evidente numas etapas do que noutras, o jogo dá sempre uma réstia de esperança ao jogador, quase como se lhe segredasse ao ouvido que é possível, que vai conseguir. E a verdade é que tudo é possível, desde que dediquem tempo ao jogo, dominando tudo aquilo que ele tem para oferecer. E caso não achem o jogo suficientemente difícil, experimentem o modo "Insane". Não sei o motivo de nomear o modo de dificuldade mais exigente "Insane", todavia, suspeito que seja uma homenagem ao estado clínico em que ficam os jogadores depois de o experimentarem.

Além das etapas normais, por cada mundo de jogo têm à vossa disposição três níveis bónus, apelidados de "encore". Entre cada conjunto de níveis é possível gastar as esmeraldas recolhidas em várias caraterísticas especiais. Podem, por exemplo, gastar as esmeraldas a libertarem prisioneiros. A parte interessante é que cada prisioneiro libertado desbloqueia uma nova cabeça para a vossa personagem. Além da personalização da personagem, podem ainda desbloquear novos ataques especiais.

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Battleblock Theater é um jogo cheio de conteúdo. Além do arco narrativo principal, se são daqueles jogadores que acham que conseguem fazer melhor, a produtora coloca-vos nas mãos uma ferramenta para criarem e publicarem os vossos próprios níveis. Apesar de não ser nada de novo - Trials Evolution faz isso imaculadamente -, será algo que ajuda a prolongar a vida útil do jogo. E se, à semelhança de Trials, a comunidade aderir em força, descobrir e experimentar as obras-primas que os mais dotados conseguirem criar, será uma tarefa quase catártica e obsessiva. Para vos ajudar nas vossas criações, a produtora incluiu um tutorial que explica todos os básicos. Quando tiverem uma "playlist" composta por três etapas diferentes, podem carregar as vossas criações para o servidor do jogador e o resto da comunidade pode votar a favor ou contra o vosso trabalho.

Além da diversão a solo, a experiência de jogo é melhor quando partilhada com amigos. Localmente ou através do Xbox LIVE, é possível que até quatro jogadores partilhem a sessão de jogo. Tudo funciona bastante bem e o jogo é extremamente divertido localmente, contudo, há um senão bastante irritante. Quando experimentámos o jogo com outros jogadores localmente, se as personagens estiverem muito afastadas no cenário, a câmara abre o ângulo, fazendo zoom out. O problema? A área de jogo fica bastante reduzida e é praticamente impossível localizar a nossa personagem no jogo. O mais grave é que a essa distância, todos os elogios caem por terra. É certo que são situações temporárias, mas quando acontecem chegam sempre acompanhadas de um forte sentimento frustrante. Mas se preferem jogar contra jogadores e não com jogadores, a Behemoth dotou o seu jogo de alguns modos competitivos mais tradicionais, aglomerados no modo Arena.

À semelhança das obras anteriores da produtora, Battleblock é um jogo com um visual carismático. Apesar ser um jogo com resultados de vendas bastante interessantes, há aqui um sentimento independente que não se perdeu. Nos campos técnicos, é de destacar o design das personagens e a vocalização do narrador.

Battleblock Theater é uma adição ao portfólio da produtora Behemoth. É um bom jogo de plataformas com algumas falhas que facilmente poderiam ter sido evitadas. É certo que essas falhas não afetam o cerne do jogo, porém, a sua soma resulta em situações frustrantes. Se as cartas forem bem jogadas, a edição, publicação e partilha de níveis criados pela comunidade pode multiplicar a vida útil do jogo por aquilo que a comunidade fizer dele.