A Nintendo precisa de excelentes obras no seu catálogo, sobretudo por ser ainda uma consola recente no mercado - prestes a completar o seu 1º aniversário. E a melhor forma que a Nintendo encontrou para o fazer, foi capitalizar os títulos que foram lançados na Wii U. Já que a Nintendo decidiu anunciar Bayonetta 3 nos The Game Awards, não há melhor forma de promover o jogo, assim como fazer com que ganhe interesse por parte de mais jogadores, do que com o lançamento de Bayonetta (2009) e de Bayonetta 2 (2014) na Nintendo Switch.

Acabar Bayonetta e poder passar imediatamente para a sua sequela, sem ter que esperar cinco anos, tem as suas vantagens no sentido de ver a forma como a série evoluiu. Bayonetta 2 mantém uma história descartável, mas com personagens fortes que nos deixam minimamente atentos ao que têm a dizer, para aquilo que têm a contribuir para o jogo. É a reutilização de personagens conhecidas e a introdução de outras que faz com que a trama se mantenha interessante. 

Imagens Bayonetta 2 Switch

Esta sequela pega no que a obra original alcançou e melhora-a em todos os aspectos. A jogabilidade continua com movimentações muito fluídas e com um leque bastante vasto de golpes, ataques mágicos e de torturas. Tudo contribui para a ação, para que esta seja um espetáculo visual de grandes proporções. Há muita mais cor nesta sequela, nota-se em toda a obra uma troca do cinzento e castanho do primeiro título por áreas coloridas e com mais vida, vida essa que será destruída através dos nossos golpes. 

Mais do mesmo pode ser um quanto monótono, mas uma vez que o combate no original já estava bem afinado, não houve necessidade para grandes alterações. O que nos foi entregue é um design sóbrio que complementa a arte marcial que Bayonetta executa com toda a sua elegância. Combater é quase como se estivéssemos a dançar, tal são os movimentos graciosos da protagonista. Um encadeamento de golpes e técnicas fenomenais, nomeadamente os novos Umbran Climax. 

Imagens Bayonetta 2 Switch

Por sua vez, a técnica Witch Time continua a ser de extrema importância, sobretudo em inimigos que precisam de ser eliminados desta forma. É, por exemplo, absolutamente necessário para inimigos que têm o escudo sempre levantado. Uma vez acionada a técnica, o tempo abranda substancialmente para os nossos inimigos e abre-se uma oportunidade para desfazer em pedaços os nossos adversários angélicos.

O design dos inimigos, como o dos próprios níveis, contribui bastante para a melhor experiência possível que um jogo de ação pode e deve oferecer. É através daquilo que nos é dado que ficamos sempre empolgados em melhorar consideravelmente as nossas técnicas. Não temos obrigatoriamente de ser tão bons como alguém que consegue ultrapassar a campanha principal na dificuldade máxima, mas há espaço suficiente para melhorar as nossas capacidades e reflexos gradualmente. 

Imagens Bayonetta 2 Switch

Uma das grandes novidades é Tag Climax, uma funcionalidade que nos permite jogar com um amigo. Aqui a busca pela maior pontuação ainda se torna mais evidente, o que faz com que esta adição ao jogo seja muito bem-vinda. Fica claramente frisado a importância de elevar o máximo possível os multiplicadores de pontuação, tal como saber os combos que dão mais pontuação, sobretudo aqueles que permitem ligar um inimigo que tomba imediatamente a outro que nos quer acertar com os seus ataques. 

A dada altura, chega-se a uma determinada fase em que estamos a vontade de aumentar a nossa pontuação é tanta que só nos resta elevar a dificuldade. Ao fazer isto de forma quase inconsciente, acabamos por chegar subitamente à conclusão que nos tornámos num jogador muito mais hábil do que aquele que éramos quando inserimos o cartucho pela primeira vez na consola. 

Imagens Bayonetta 2 Switch

Ainda não há achievements ou troféus para os jogos da consola Nintendo, o que leva alguns jogos a implementá-los tal como aconteceu em Shovel Knight. Em Bayonetta 2 chamam-se Bewitchements e servem para nos incentivar a melhorar a nossa prestação no combate, a efetuar as combinações de ataques até obter o prémio desejado. Apesar de ser uma recompensa supérflua, é inegável que jogamos melhor sempre que fazemos o possível para obter os Bewitchements mais difíceis. 

É impressionante poder jogar algo tão rápido, fluído e dinâmico como um jogo de ação deste género necessita de ser. É impressionante pelo facto da Nintendo Switch não apresentar o mínimo de atrasos. Nem mesmo quando está no modo portátil. Houve aqui uma ginástica técnica notável para se colocar algo que parece ser tão exigente a funcionar num hardware como a nova consola da casa de Quioto. 

Imagens Bayonetta 2 Switch

Bayonetta 2 não é substancialmente diferente do primeiro título criado por Hideki Kamiya, mas melhora e entrega mais formas de abordar o jogo. Os dois jogos podem ser controlados pelo ecrã táctil, porém não substitui a satisfação de pressionar num botão e ver a ação desenrolar à nossa frente sem a nossa mão estar a tapar os visuais soberbos do jogo. Se gostam de um bom jogo de ação, de um jogo que testa as vossas habilidades enquanto jogador ou se simplesmente querem um excelente jogo na Nintendo Switch, comprem esta obra-prima da Platinum Games.