A Nintendo Switch não tem propriamente um catálogo magro em títulos. Semanalmente, são entregues pelo menos, uma dezena de jogos, sobretudo de produtoras independentes. Contudo, não há uma grande escolha de títulos hack’n’slash, género que proliferou na era da PlayStation 2 com jogos como Devil May Cry, Onimusha ou Ninja Gaiden na Xbox. Aliás, esta geração de consolas não teve uma grande quantidade de obras que satisfaça jogadores que adoram um desafio adicional e que exija uma habilidade no pressionar de botões para a realização de combinações de ataques a uma velocidade alucinante.

Bayonetta é um muito bom hack’n’slash, inspirado nos melhores que passaram pela PlayStation 2. Talvez seja assim que o género possa voltar em força no mercado dos videojogos, ou pelo menos na Nintendo Switch. O título nipónico tem uma componente perto da perfeição: a sua jogabilidade. Depois de ter ido ao fim do jogo da Platinum Games, originalmente lançado em 2009, nota-se em toda a extensão do título que foi influenciado pelo anterior trabalho de Hideki Kamiya, nomeadamente Devil May Cry. 

Imagens Bayonetta Switch

Os produtores do jogo não vos querem dar explicações, pelo menos na abertura de Bayonetta, para sublinhar o seu ênfase na rápida ação que quer transmitir. Estamos a cair em cima de pedras em queda, largos blocos de cimento destruídos previamente numa luta com gigantes. Bayonetta exprime a sua grandiosidade desde o primeiro momento, em que uma bruxa luta contra criaturas que parecem ter sofrido um cruzamento entre anjos e demónios. 

E por muito que incomode jogadores puritanos, a personagem feminina apresenta, até os créditos finais rolarem, poses bastante provocadoras. Porém, esta conotação sexual não reduz o jogo a uma simples montra para a personagem poder exibir-se. Hideki Kamiya mostra irreverência ao dar-nos uma personagem com a personalidade de Bayonetta. O jogo desafia todas as leis da Física no combate, tudo justificado pelo simples facto de ser uma bruxa. Este diretor sabe muito bem o que os jogadores ocidentais gostam: disparos. Contudo, em Bayonetta não disparamos da forma tradicional, aliás até podemos, mas é a forma mais aborrecida de encarar o combate. 

Imagens Bayonetta Switch

Há uma miríade de movimentos que a nossa personagem pode efetuar, transformando-a numa autêntica mestre das artes marciais. A palavra-chave aqui é arte, a criação de um espetáculo montado ao pressionar os botões, da consequente combinações de ataques. Com as suas quatro pistolas, uma em cada mão e uma em cada um dos seus tacões, se carregarem nos botões corretos a própria Bayonetta efetua golpes que mais parecem movimentos efetuados numa coreografia de break dance.

Há ataques especiais que não se inserem na categoria do espetáculo, mas que dão uma identidade própria ao jogo. Em alguns momentos, enquanto Bayonetta usa os seus poderes de bruxa, poderão invocar máquinas de tortura medieval para finalizar em grande estilo os vossos inimigos. Esta implementação existe pelo simples facto de nos dar pontos. 

Imagens Bayonetta Switch

O jogo está dividido em pequenas zonas de combate que quando são terminadas apresentam o resultado na nossa avaliação do combate. Sofram dano e serão penalizados, demorem muito ou não apliquem golpes com mais estilo e a vossa pontuação será mais baixa. A nota é apresentada sob forma de troféu, Pure Platinum, é o que vocês querem alcançar, depois baixa de ouro para prata, acabando no bronze. 

O auge das poses de Bayonetta está em Climax Attack, onde a protagonista fica semi-nua depois do seu fato ter sido absorvido como uma extensão do seu cabelo, para dar forma a um monstro que vai acabar o serviço para destruir o boss que estamos a combater. Este monstro trata de mastigar o boss, de o tornar na sua refeição, depois de ter sido absorvido para o submundo do qual surgiu. É uma grande demonstração de violência gráfica, para terminar com um grande espetáculo com um animal a comer uma monstruosidade de pedra, carne e vísceras, que foram expostas após um intenso combate.

Imagens Bayonetta Switch

Este é um jogo onde se esperava encontrar uma Banda Sonora repleta de sonoridades góticas para complementar o estilo visual. Porém, o que ouvimos são faixas de J-Pop e Jazz que fazem com que os combates sejam inesquecíveis. A direção artística está repleta de influências religiosas, repleta de edificações bastante minuciosas, de monstros igualmente traçados por linhas que fazem relembrar estátuas de santos e criaturas mitológicas. Há ali um estranho cruzamento entre estilos bem diferentes.

Bayonetta, no seu conjunto, entrega algo com uma ação condensada que é diluída nos momentos mortos onde é entregue a narrativa: as cutscenes. O jogo da Platinum Games dá-nos a conhecer uma protagonista que quer perceber o seu passado para entender o seu papel nos eventos futuros. Há uma incessante batalha entre o bem e o mal, na qual a destruição da humanidade é um mero efeito colateral. A bruxa está do lado dos humanos e quer evitar, a todo o custo, os efeitos desta guerra. 

Imagens Bayonetta Switch

A obra de Kamiya convida a que todos sejam bem-vindos a um género tipicamente endereçado aos jogadores que se consideram hardcore. Contudo, aprender a ser bom obriga a que certas pessoas precisem de tempo que não possuem, mas caso venham a ter esse tempo, podem sempre jogar novamente numa dificuldade mais difícil. Aí os combos terão de ser obrigatoriamente bem feitos, com o timing exigido para que sejam efetuados.

Há espaço para todos os géneros nesta indústria, sobretudo, para jogos como este. Não é necessário saturar o mercado com as propostas habituais: atiradores na primeira pessoa, mortos-vivos ou Battle Royale. A Nintendo Switch ainda tem muito para provar, sobretudo, na viabilidade de alguns géneros, e o de Bayonetta é muito bem vindo.