Há muitas marcas que podiam colocar as personagens das suas propriedades intelectuais juntas num jogo de luta para estarem numa realidade bem diferente do que naquela em que existem. Basta ver o exemplo da Nintendo e o investimento que está a colocar em Super Smash Bros. Ultimate. A Nicalis encheu o peito cheio de coragem e ambição para arriscar num empreendimento semelhante ao da casa nipónica, o que acabou por resultar num jogo de luta bastante decente.

Em Blade Strangers, os jogadores vão poder contar com lutadores como Isaac, Kawase e Solange vindos de The Binding of Isaac, Umihara Kawase e Code of Princess, respetivamente. Uma das melhores características dos videojogos de luta, que englobam um elenco inesperado como este, é que nunca sabemos como é que estas personagens se vão comportar. Solange, assim como o resto do elenco de Code of Princess que está presente, funcionam de uma forma muito similar ao jogo que pertencem, visto ser um hack’n’slash tradicional. Mas ver finalmente como funciona uma personagem que é um autêntico bébé chorão é, realmente, interessante.

Este título da Studio Saizensen tem uma narrativa que roça o ridículo. Para ser possível que personagens de mundos tão diferentes se juntem neste jogo de luta, tem de haver uma razão plausível para este facto poder ocorrer. Aparentemente, todos os universos estão a ser simulados, simultaneamente, por vários super computadores com uma inteligência artificial própria, denominados de Motes. Todavia, estes estão em perigo e para se protegerem, terão de nomear um “Blade Stranger” que os vai defender. O vencedor da competição ganhará este estatuto de defensor destas entidades. 

A dificuldade ou facilidade das mecânicas da jogabilidade define a audiência dos jogos de luta. Blade Strangers é um título bastante acessível, para assim jogadores menos experientes poderem apreciar este título. Porém, se aprofundarem bem os mecanismos de Blade Strangers, conseguem levar o jogo à um nível bastante competitivo com jogadores de todo mundo. Imaginem uma fluidez similar aos jogos de luta da Arc System Works, mas com um nível de simplicidade mais elevado.

Os controlos estão divididos nos quatro botões da direita. Há dois reservados para o ataque, um para uma habilidade e outro para golpes especiais. Obviamente, há um sistema de combos e de ataques que têm de ser efetuados com uma combinação de vários botões, nomeadamente de ataques com os botões direcionais ou o analógico. Basicamente, é possível ativar combos e passar para golpes especiais de uma forma muito simples. Isto permite a que qualquer jogador consiga derrotar o mais difícil dos oponentes sem grande esforço. Mas se forem bons observadores e aprenderem bem as peculiaridades do sistema de combate, através de um correto posicionamento e de um bom timing, vão poder aumentar o encadeamento dos combos.

Para um jogo desta dimensão, um jogo independente que engloba personagens de outros indies, oferece mais do que seria esperado quando grandes produtoras que gastam milhões de dólares no desenvolvimento de novos títulos nas suas séries entregam o mínimo possível. Blade Strangers oferece o típico modo versus (para partidas um contra um offline), um bom tutorial e um modo de treino para afinarem bem os golpes que vão aplicar a sério em competições de casa ou para subir na classificação das tabelas online. Mas também há um Story Mode, onde se joga um arco narrativo ridículo, como já o mencionei. Podem jogar em Survival para luta contra oponentes que se sucedem uns aos outros. Também não foi esquecido o Arcade Mode para poderem jogar partidas com definições específicas, apesar destas não serem muitas.

A apresentação de Blade Strangers é razoável, não existe nada de realmente impressionante, não obstante o material original ser respeitado com as dimensões corretas das personagens com uma presença que não lhes suprime a personalidade pela qual já são conhecidas. O jogo da Studio Saizensen é, no seu cômputo geral, divertido e muito peculiar.

Esta peculiaridade surge pelo mesmo modo que tentamos imaginar como é que vamos utilizar Isabelle em Super Smash Bros. Ultimate, ou Isaac em Blade Strangers num cenário completamente diferente do habitual. O jogo poderá, muito provavelmente, não ter o mesmo interesse como Dragon Ball FighterZ, aumentando substancialmente a diferença de audiência que existe entre os dois. Contudo, vale pelo conteúdo que oferece, sobretudo os modos de jogo com o qual é lançado.