Bravely Second desiludiu muitos jogadores que se apaixonaram pelo original Bravely Default, ambos lançados na grande consola portátil Nintendo 3DS. Portanto, era com alguma curiosidade que aguardava pela chegada de Bravely Default II, para ver o que o terceiro jogo da série RPG, publicada com o cunho da Square Enix, fez para melhorar relativamente às críticas que recebeu. 

Apesar daquilo que Bravely Default II é (ou quer ser), é um jogo totalmente novo no que toca à sua narrativa, contudo, assente nas mesmas mecânicas que tornaram o primeiro jogo tão adorado. A história que Bravely Default II conta é clássica, no sentido em que está assente em vários clichés, onde a jornada de um grupo de heróis, intitulados de Heroes of Light, quer impedir que uns malfeitores consigam invocar forças maléficas para destruir o seu mundo. Para isso, terão de recolher um conjunto de cristais que lhes conferem as capacidades necessárias para combater adversários temíveis.

Tal como os seus antecessores, Bravely Default II é um jogo que vive para as suas mecânicas de combate tático. Poder moldar um combate ao nosso gosto é algo fenomenal, principalmente quando se trata de um jogo que oferece os pormenores de combate de Bravely Default II. Todavi, é estritamente necessário estarmos abertos à experimentação para saber aquilo que é possível fazer. Ou seja, tornar as masmorras e cavernas, assim como todos os diferentes espaços onde há inimigos, em autênticos laboratórios das nossas técnicas de combate. 

No fundo, nas minhas inúmeras horas em que não progredi absolutamente nada na narrativa, parti à aventura por todo e qualquer local pejado de monstros. Assim, cada vez que batalhava ia conhecendo quem me combatia, de tal forma que os podia reconhecer facilmente sem ter que recorrer a uma técnica de identificação para saber quais as suas características que podia explorar a meu favor. À medida que tinha cada vez mais encontros com inimigos, percebia que fraquezas tinham e como é que podia aproveitar as habilidades e o equipamento dos membros da minha equipa. 

Este RPG tem um sistema de classes one devem evoluir cada uma delas para terem acesso a interessantes técnicas e habilidades de uma determinada especialidade. Este sistema de Jobs, dá-vos acesso a algumas classes básicas como o Freelancer, Black Mage e White Mage. Depois de atingirem o décimo segundo nível, passam a ser mestres dessa classe e convém mudarem para outra e verem o que esta classe vos pode oferecer e como é que pode harmonizar com novas características de uma outra classe. 

Portanto, quanto melhor perceberem que vantagens é que conseguem retirar de uma classe, consequentemente, acabam por ter uma melhor preparação para os combates que se avizinham. A lógica disto é simples, porque ao entenderem como podem utilizar as vossas vantagens estão, simultaneamente, a explorar as fraquezas dos inimigos e a evitar que as vossas estejam expostas ao perigo. O que é que ganham ao serem astutuos em relação ao combate? Além de ser muito mais provável vencerem mais vezes, também recebem pontos de experiência adicionais por serem de um nível bem mais baixo do que o vosso inimigo.

No entanto, o que é verdadeiramente importante fazer com este peculiar sistema, é procurar saber quais as duas classes que devem manter ativas. A classe que colocarem como principal dá-vos acesso a tudo que tiverem desbloqueado e às suas características técnicas, como por exemplo, terem uma afinidade para uma determinada peça de equipamento. Já a classe que escolheram como secundária, não vos permite subir o seu nível, mas permite-vos aceder a todas as habilidades que já conquistaram e assim utilizar o melhor de dois mundos. 

Ser um Freelancer é meio caminho andado para se conseguir ser um curandeiro completo, não basta ser um White Mage que faz feitiços para recuperar a saúde dos seus companheiros. Basta espreitar o tutorial de cada classe para obtermos a informação básica necessária como ponto de partida, para sabermos qual é o melhor par de classes a combinar. 

Por exemplo, tive bastante sucesso a utilizar as minhas habilidades de Bard com um Black Mage no nível máximo. O Bard, ao cantar as suas músicas, funciona como uma personagem que aplica buffs e debuffs às nossas personagens, ou seja, aumenta consideravelmente as capacidades das personagens da nossa equipa. O meu Vanguard foi capaz de desferir golpes poderosos com a ajuda do Bard, o que se provou útil em bosses com uma barra de saúde enorme. 

Um detalhe que nos prepara para os combates é o brilho que alguns inimigos apresentam. Quando estamos num espaço aberto à circulação ou numa qualquer masmorra, vemos as criaturas monstruosas e estas vêem-nos a nós. Quando somos vistos, estas correm na nossa direção para iniciar uma batalha por turnos. Esta mecânica pode ser explorada de várias formas, contudo, o normal é entrarmos em várias batalhas com o objetivo de ganhar pontos de experiência. 

Porém, se por acaso não tiverem tendas para recuperar a vossa saúde na totalidade ou mantimentos que tenham o mesmo efeito, podem fugir (apesar de nem sempre ser possível). Já se estiverem a sentir corajosos podem (e devem) enfrentar inimigos mais fortes com um brilho vermelho ou púrpura (principalmente se já tiverem os conhecimentos suficientes para explorar as suas fraquezas). Depois do longo tutorial, embora os ensinamentos vos sejam transmitidos no calor da batalha, vocês estarão mais do que cientes que convém ganhar toda a experiência e informações possíveis.

Sinceramente, querer avançar rapidamente na narrativa não vos vai levar a lado nenhum. Mais tarde ou mais cedo vão cruzar-se com um boss obrigatório de enfrentar e se evitaram demasiados combates, estarão demasiado frágeis para suplantar o desafio. Nem sequer a fazer todas as missões secundárias disponíveis conseguirão estar aptos para os combates mais exigentes. Portanto, é preferível não evitar os combates na exploração de cavernas, desertos ou masmorras cheios de monstros. Os pontos de experiência são uma parte vital de qualquer JRPG e Bravely Default II não é exceção. Infelizmente, o grinding acaba por ser uma realidade inevitável. 

Para minimizar esta maleita típica dos JRPG, o grinding, Bravely Default II herda uma mecânica similar dos seus antecessores. Enquanto que em Bravely Second havia uma atividade intitulada de Ba’al Busting, neste jogo da Switch podemos enviar embarcações em jornadas pelo oceano. Estas embarcações só começam a navegar quando a consola está em modo de descanso, o que era equivalente a fecharmos a 3DS. E, até um máximo de doze horas no modo de descanso, quando voltarmos para recolher os frutos da exploração obtemos valiosos itens que aumentam consideravelmente a nossa experiência, assim como itens que aumentam de forma permanente as estatísticas da nossa personagem.

Resumidamente, o sistema de jobs com o sistema Brave/Default são os protagonistas de uma jogabilidade fascinante, embora esta não seja perfeita. O que não faltam são inimigos com a possbilidade de contra-atacar todas as nossas investidas, alguns provocam dano notável, quase como um ataque normal. Por isso, é preciso ter muito cuidado na abordagem ao combate, por que se são apanhados em falso o ecrã de Game Over aparecerá para escurecer a consola e fazer-vos regressar ao anterior ponto de salvamento.

Visualmente, Bravely Default II é muito interessante, sobretudo se for jogado no modo portátil. Jogar no modo portátil foi a minha escolha preferida, pelo simples facto de ser algo nostálgico, visto que joguei todos os títulos da série na 3DS e os dois jogos anteriores foram os que melhor exemplos deram de como utilizar o efeito 3D da consola portátil. Infelizmente, não podemos ver as cidades detalhadas e a destacarem-se como na 3DS, mas podemos ver as cidades em todo o seu explendor quando carregamos num botão que afasta a câmara para podermos vê-las na sua totalidade. Já as personagens continuam a ter o mesmo aspeto básico que tinham, mas agora podemos vê-las com um maior detalhe.

Se gostam de um bom jRPG, Bravely Default II devia de estar na vossa lista de compras, contudo, não se sobressai em tudo o que entrega. O combate pode ser frustrante se quiserem algo mais suave, sem terem que aprofundar todas as mecânicas existentes que podem jogar a vosso favor. Apesar de não ser o melhor da série - o primeiro ainda é um marco da Square Enix - é um jogo bastante competente e divertido.