É incrível ter a noção que um jogo como Brothers: A Tale of Two Sons foi lançado mundialmente, pela primeira vez, há quase seis anos. Caso não o saibam, não é só um jogo que devem jogar, é um jogo que já deveriam ter jogado.

Obras nesta indústria dos videojogos, que contam excelentes histórias são, felizmente, bastante comuns (basta procurar bem), tal como títulos que tenham mecânicas inovadoras, que tornam a jogabilidade memorável. O que é mais raro, são jogos que tenham um grau de excelência elevado em ambos estes elemenmtos: a jogabilidade e a narrativa. Brothers: A Tale of Two Sons atingiu este estatuto quando foi lançado e ainda o mantém na sua versão Nintendo Switch.

A história é simples: vocês interpretam dois irmãos que precisam salvar o pai doente, em busca de uma possível cura para a enfermidade que o atingiu. Esta aventura coloca o par de personagens numa jornada por um mundo inspirado em contos de fadas e narrativas de fantasia medieval, o típico das histórias escritas pelos irmãos Grimm. Alguns momentos são alegres e extravagantes, enquanto outros são surpreendentemente sombrios; consegue ser uma montanha russa de emoções.

Num determinado momento da aventura, vocês vão poder reunir um casal de trolls, visto a criatura feminina ter ficado prisioneira por um qualquer motivo. Numa outra ocasião, ser-vos-á pedido para desmembrar cadáveres de gigantes para atravessar um campo de batalha, banhado em sangue. A sensação de estarmos a viver um conto épico acontece pelo facto de sermos uma das engrenagens para tudo o que fazemos ter um efeito claro no mundo em que estamos.

A narrativa é irrepreensível, no entanto, são as duas personagens principais que brilham mais alto, contando com uma caracterização fantástica graças a uma linguagem própria e animações detalhadas. Há também uma caracterização do mundo onde estamos a jogar graças às personagens que fazem parte da população e aos vários objetos espalhados pelo mundo para onde somos transportados.

A interação tanto pode ser feita pelo irmão mais velho e pelo mais pequeno e mais novo, que têm personalidades distintas. O irmão mais velho é, obviamente, mais maduro e atencioso, tratando os outros com respeito e age, na maior parte das vezes, com cautela. O irmão mais novo é impetuoso e procura sempre o lado mais divertido da vida com as suas brincadeiras e partidas.

A dualidade destas personagens reflete-se muito bem na jogabilidade. O irmão mais velho é controlado com o analógico esquerdo, enquanto que o mais novo tem as ações controladas com o direito. É claro que o mais velho é mais forte e mais adequado para determinadas tarefas, mas, por ser mais pequeno e mais leve, o irmão mais novo tem um acesso facilitado a determinadas áreas e a possibilidades de realizar objetivos específicos.

Com estas características está construída uma dinâmica, que no comando se traduz na movimentação nos analógicos e na interação com obejtos e itens com os gatilhos. Os prodtuores conseguiram encontrar uma infinidade de cenários criativos que tiram vantagem desses controlos minimalistas. Muitas vezes, resume-se em quebra-cabeças simples, ainda que tenham quantidade, variedade e criatividade notáveis.

Visualmente, Brothers: A Tale of Two Sons é apelativo na plataforma da Nintendo, apesar de se notar bem a falta de detalhe em alguns momentos do jogo. Desde que a Switch foi lançada, foram publicadas uma boa quantidade de aventuras que aproveitam melhor o que a consola da Nintendo é capaz de repoduzir. O maior problema que existe, em termos gráficos, é em relação à iluminação, nomeadamente, às sombras que produz. E claro, se por algum motivo aproximarem a câmara, vão acabar por ver texturas frouxas.

Embora seja um jogo curto, cerca de quatro horas para verem os créditos finais, Brothers: A Tale of Two Sons é uma obra essencial para ter no catálogo. Porém, não há nada de particularmente diferente ou especial na versão Switch que exija outra compra. Por isso, se já o jogaram, a experiência não será diferente, mas se meia dúzia de anos são suficientes para não se recordarem do jogo, então é recomendada uma nova aquisição.