António Farracho por - May 27, 2013

Call of Juarez: Gunslinger Análise

Desde que terminei a minha aventura com John Marston em Red Dead Redemption que tenho ansiado por outro jogo que retratasse o ambiente absolutamente fantástico do velho oeste Americano. Call of Juarez: The Cartel, tinha sido uma das tentativas, mas acabou por morrer na praia devido a inexistência de bases sólidas que pudessem sustentar o bom conceito apresentado. Assim, depois do lançamento deste pequeno fiasco, foi com alguma curiosidade que abordei Call of Juarez: Gunslinger.

Somos novamente colocados no mesmo cenário, o Oeste selvagem americano dos finais do século XIX, cheio de histórias interessantes e aventuras para contar. Uma conjuntura social, económica e cultural que é objeto de estudo e de representação pela grande maioria dos meios de entretenimento, de que são exemplo os videojogos. Desta vez, vestimos a pele de Silas Graves, um antigo caçador de recompensas que partilhou aventuras com alguns dos criminosos mais famosos da época, muitos dos quais terão direito a uma aparição numa fase mais tardia do jogo.

O progresso ao longo da história de Silas e das suas aventuras na transição entre o século XIX e XX é feito com recurso a Flashbacks. Histórias narradas na primeira pessoa, que são transpostas para uma perspetiva real, em que teremos de protagonizar todas as ações descritas pela voz do narrador, mesmo que depois cheguemos à conclusão de que estas não foram reais. Tudo isto através de ambientes recriados num estilo de arte peculiar que encaixa na perfeição no género, um pouco ao estilo de livros de banda-desenhada tradicionais. Este tipo de representação é dos pontos mais fortes do jogo, com uma interrupção ocasional da ação para o desenvolvimento de sequências “cartoonizadas” que contribuem em muito para uma envolvência ainda maior na história.

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Esta envolvência é completada com um trabalho de vozes absolutamente extraordinário, protagonizado especialmente pelo ator John Cygan que dá voz a Silas. A forma como os diálogos decorrem é de uma fieldade enorme ao estilo retratado e arrisco-me mesmo a dizer que já não ouvia algo tão bom num videojogo há bastante tempo.

São estes os principais atributos audio-visuais da nossa aventura, que acaba por durar cerca de oito horas no modo a solo principal, modo esse em que a escolha das armas vai ter um impacte direto na progressão ao longo dos cenários. O leque disponível não é muito vasto, em comparação com outros atiradores do género. No entanto, a grande maioria das armas possui caraterísticas únicas, que conseguem acabar por diferenciá-las umas das outras, dando especial importância à escolha do material bélico a usar para cada situação específica. Se vão ser colocados num duelo a curto alcance, talvez devam optar por uma caçadeira, no entanto, no caso de serem confrontados com vários inimigos sedentos por verem o vosso corpo atirado para a cova, mais vale pegarem em alguns paus de dinamite e exploridem a área circundante. Ainda assim, quer optem por usar as armas mais tradicionais, ou por depositar as vossas esperanças em tentativas mais arrojadas, a jogabilidade de Call of Juarez: Gunslinger é divertida a todos os níveis. Uma proposta de um estilo mais “arcade”, que não tenta atingir a envergadura de um simulador real, que acaba por encaixar que nem uma luva.

O título disponibiliza ainda dois modos extra-campanha, que abordei apenas depois de ter gasto algumas horas no modo principal do jogo. Num deles é nos oferecida a possibilidade de entrar em duelos imediatos, noutro, teremos de completar sequências de ação ao tentarmos abater o maior número possível de inimigos. O primeiro modo referido não é particularmente positivo, uma vez que a mecânica de duelo do jogo acaba por ser um dos pontos técnicos mais baixos, principalmente devido à sua aleatoriedade. Assim, recebi o segundo modo como uma lufada de ar fresco. Sequências rápidas, objetivas e consequentemente, muito divertidas. Um verdadeiro teste às nossas capacidades de pistoleiro, em que o objetivo passa por reunir o maior número de pontos possível, ao enfrentar dezenas de pistoleiros ferozes.

Gunslinger acaba por ser um pouco de tudo isto. Uma surpresa agradável face às expetativas baixas com que encarei o jogo da Techland, depois da sua última entrega. Uma jogabilidade simples e divertida, aliada à recriação de um ambiente fantástico e a um trabalho de vozes soberbo acaba por contribuir para a criação de um título sólido, que vai cativar os adeptos de Westerns. Se não é esse o vosso caso, Gunslinger acaba por tornar-se um pouco mais pobre, mas não deixa de ser um proposta a considerar.

veredito

De volta ao Faroeste.
8 Atmosfera bem recriada Excelente trabalho de vozes Mecânicas de tiroteio Modo de duelo merecia outro tratamento

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Call of Juarez: Gunslinger

para PC, PlayStation 3, Xbox 360

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Lançado originalmente:

22 May 2013