As aventuras gráficas com plataformas à mistura não são propriamente as mais apreciadas. Como é claro, há razões mais que suficientes para isso acontecer. Cabe ao jogador colocar o ritmo que quer ao jogo, por isso, manter a motivação em quem joga pode ser complicado se a lógica de resolução não for transmitida de forma eficiente. Infelizmente, quem não está habituado a resolver puzzles ou às mecânicas de jogos de apontar e clicar vai ficar desiludido com Candle:The Power of the Flame. Caso contrário, têm aqui uma boa aposta que vai satisfazer a ausência destes títulos em consolas da Nintendo. 

A produtora espanhola Teku Studios apresenta um mundo pintado à mão que alimenta a nossa curiosidade. Somos Teku que tem como missão salvar o ancião da sua comunidade que foi raptado pela tribo Wakcha. A nossa personagem está munida de uma vela mágica, objeto que será utilizado para ultrapassar os vários quebra-cabeças que pautam os vários níveis aos quais somos apresentados para serem suplantados até ao encerramento do jogo. 

A qualidade do jogo depende, sobretudo, dos puzzles que lá foram colocados. Em Candle é necessário experimentar todas as hipóteses até chegar à solução, nem que a nossa personagem tenha de sucumbir aos perigos pelos quais tem de passar. Há vários membros da tribo inimiga que vão ter a certeza que somos impedidos de avançar, assim como muitas criaturas que vão saciar a sua fome ao tornar-nos na sua refeição. Reiniciei a partida diversas vezes, até que a lógica do problema em questão fizesse, finalmente, sentido.  

Tive, obrigatoriamente, de ser resiliente, de aguentar todos os meus falhanços que se repetiam por não perceber o que o jogo queria de mim. Tive que pausar a partida e voltar mais tarde de cabeça fresca para poder achar a solução mais facilmente. Havia, por vezes, uma alavanca que não foi puxada, um item que não foi recolhido ou uma tarefa que não foi previamente executada. É frustrante não saber o que é que estava a fazer mal para poder avançar. Mas é esta a dura realidade deste tipo de jogos.

Teku pode empurrar caixas, saltar e utilizar os itens que guarda no seu inventário. Porém, por vezes, será necessário que façam o que devem por uma determinada ordem e com um certo timing. Quando perceberem isto, vai-se fazer luz e será mais simples perceber o que o jogo quer de nós, pelo menos, na maioria das ocasiões em que somos colocados à prova. 

É um jogo difícil, mas que levanta o véu gradualmente ao mistério que apresenta aos jogadores como forma de recompensa pelos nossos esforços. Apesar de não ser um jogo point n click com as características canónicas do género, é um título que dificulta a nossa estadia por termos de nos deslocar para os locais onde estão os puzzles, por isso temos de saber onde estão e que ações temos de executar para os resolver. Podemos ter que saltar para agarrar numa corda que depois de puxada desativa uma armadilha. Há também bastante backtracking para fazer neste jogo, visto que temos de regressar onde estávamos para resolver muitos dos vários quebra-cabeças.

Tecnicamente, Candle: The Power of the Flame é uma autêntica obra de arte, com desenhos pintados à mão que parecem terem sido pintados com aguarelas. A direção artística é soberba, contudo, há tantos detalhes que nem sabemos se estão lá como parte do cenário ou como um objeto com o qual podemos interagir. Ainda no campo técnico, mais propriamente nos controlos da movimentação da personagem, os mesmos não são muito responsivos, o que nos leva muitas vezes a falhar, sobretudo, os saltos. Isto obriga-nos a reiniciar o jogo demasiadas vezes.

Apesar da frustração, claramente inevitável, Candle: The Power of the Flame é um sólido título. Não nos vai fazer a vida fácil com os seus puzzles, mas uma vez compreendidas as mecânicas e os controlos do jogo, esta é uma amálgama de desenhos pintados com uma belíssima tinta de mecânicas que são fáceis de entender - assim haja paciência e dedicação.