Se me dessem um Hakoniwa - um jardim em miniatura japonês - também ficaria de boca aberta, tal como Toad quando começa a descobrir todos os pequenos mundos em que é colocado à procura do seu tesouro: uma estrela que o aproximará de Toadette. Captain Toad: Treasure Tracker visa entregar esta sensação de espanto sempre que exploramos cada recanto, analisamos cada mecanismo ou enfrentamos cada inimigo que nos aguarda pacientemente. Este título pode ter sido inspirado em jardins em miniatura, mas consegue com que o seu todo seja bem maior do que o seu simples conceito.

Captain Toad: Treasure Tracker é um spin-off de um jogo da Wii U, do qual já não há quase vestígios: Super Mario 3D World. Estas “canadianas” nas quais se apoia serviram para vender a versão da Wii U, mas agora o seu apoio é Super Mario Odyssey, do qual tem alguns níveis inspirados na excelente obra da Nintendo Switch. Toad é pequeno, não salta, mas chega onde quer. E em Captain Toad: Treasure Tracker atinge o cume da montanha de níveis que foram incluídos com espírito aventureiro.

Imaginem que vos dão uma caixa para as mãos, esta é um nível de Captain Toad: Treasure Tracker. Se vos disserem que esta mesma caixa tem segredos, vocês vão virá-la e incliná-la por todos os ângulos possíveis até descobrirem o que lá esconde. Este título da Nintendo usa a mesma lógica, onde Toad é o aventureiro que tem de tentar descobrir tudo o que este tem reservado para os jogadores que procuram um bom puzzle. Quem quiser pode optar por seguir apenas o objetivo principal: encontrar e chegar à estrela que vos encaminhará ao próximo nível.

No entanto, há outros objetivos para jogadores que gostam de suplantar desafios e de passar um nível a pente fino. Depois da estrela ser apanhada, terminam o nível, mas não é aqui que este termina definitivamente. Têm um objetivo para cumprir, que será bastante provável ultrapassarem logo na primeira passagem, e três diamantes para recuperar. Caso cumpram estas duas tarefas, a página do vosso caderno diário é carimbada com um selo e é-vos oferecida uma terceira estrela. Descubram uma versão retro de Toad que se escondeu no nível em questão e recebem um segundo selo que encerra o nível que acabou de ser concluído.

Os controlos que regem a jogabilidade são a maior diferença desta versão Nintendo Switch. Felizmente, rodar a câmara não está dependente do giroscópio, sendo possível virar com a ajuda dedo no ecrã tátil ou através analógico direito. Todavia, há outras ações que são obrigatoriamente controladas no ecrã tátil que acabam por tapar a área de jogo quando estamos no modo portátil. O melhor é optar pelo controlo através do Joy-Con, apesar de termos de efetuar movimentos para girar, por exemplo, válvulas.

Este título foi originalmente criado para a Wii U e lançado em 2014, mas dadas as circunstâncias comerciais que afetaram a consola doméstica, a Nintendo viu-se forçada a implementar uma nova estratégia. Captain Toad: Treasure Tracker não é o primeiro e não será, certamente, o último a ter uma nova versão para a Nintendo Switch - e, surpreendentemente, também para a 3DS. Este jogo é, essencialmente o mesmo que conhecemos da Wii U, mas sem os níveis inspirados em Super Mario 3D World e com novos níveis que têm Super Mario Odyssey como base.

Há um modo multijogador que não favorece a experiência. Enquanto um dos jogadores controla Toad normalmente, o outro pode apontar para certos sítios e atirar nabos para derrubar os inimigos. Isto acaba por ser uma boa ajuda para os inexperientes com videojogos, mas para os restantes facilita em demasia um jogo que devia dar uma hipótese para pensarmos. Por isso, é algo que a maioria vai ignorar.

Infelizmente, só existem quatro níveis novos inspirados em Super Mario Odyssey e acabam-se mais rápido do que seria suposto. Porém, são níveis divertidos e propositadamente desenhados para as habilidades de Toad - relembro que este não pode saltar. Ainda assim, estes podem não ser suficientes para levar quem já jogou a primeira versão do jogo a comprar novamente Captain Toad: Treasure Tracker.

Tecnicamente, o título é bastante competente, mesmo quando é jogado no modo portátil. Mas visto que algumas ações estão ligadas ao ecrã tátil, o melhor é mesmo jogar sentado no sofá com os Joy-Con nas mãos. É uma pena que os produtores deste jogo não se tenham inspirado um pouco mais nas paisagens coloridas de Super Mario Odyssey e trazido ainda mais cor ao título.

Se nunca jogaram Captain Toad: Treasure Tracker, joguem-no na Nintendo Switch, é uma excelente plataforma para o título. Caso já o tenham experimentado na Wii U, convém terem noção que o jogo é praticamente o mesmo. Apenas vão encontrar quatro desafios adicionais, nada mais.