Não há nada melhor do que uma nova consola para serem lançadas novas versões de videojogos. Esta é uma excelente oportunidade tanto para os produtores terem um novo fluxo de rendimento, como para os jogadores experimentarem um jogo que perderam por ter sido disponibilizado numa consola que nunca possuíram. Neste caso, é o excelente jogo da Nicalis, Cave Story+.

Esta pérola indie é um dos melhores exemplos da utilização dos princípios de design de videojogos dos anos oitenta e noventa. De tão bem que foram implementados, este título ainda se joga bem hoje, como também se jogará daqui a uma década. Claro, se gostarem do género que aborda. Esta versão em específico é idêntica à versão que foi lançado em 2011 no Steam, com algumas faixas da banda sonora remasterizadas, assim como visuais em alta definição originalmente incluídos na versão WiiWare.

Imagens Analise Cave Story Nintendo Switch

A narrativa leva-vos a controlar um robô que perdeu a sua memória, um sobrevivente de uma guerra em que participou há muitos anos. Por uma razão desconhecida acorda numa ilha flutuante, uma ilha onde habita uma civilização de animais personificados denominados de Mimiga. A missão deste robô passa por impedir um cientista maléfico de utilizar os habitantes da ilha como meio para os seus fins.

Em termos de personagens, o jogo apresenta um elenco bastante curioso com personalidades muito fortes, que não têm receio em expressar as suas emoções e sentimentos em relação às nossas ações para impedir que o mal triunfe. Há muitas reações que são esperadas, nomeadamente dramáticas, mas é o tom humorístico que predomina ao longo do jogo, com situações caricatas, tanto dos inimigos como de futuros aliados na nossa demanda.

Imagens Analise Cave Story Nintendo Switch

A jogabilidade é o principal triunfo de Cave Story+. Com controlos precisos, plataformas para atravessar (que requerem a já esperada habilidade após o período de habituação à sensibilidade dos controlos) e inimigos resilientes às nossas investidas, Cave Story+ tem estes controlos aliados a um design de níveis bastante detalhado que servem o propósito do jogo: oferecer um desafio à medida que a progressão aumenta. Mas é o vasto armamento que permite uma abordagem tão ampla por parte dos jogadores.

Os bosses, que pautam o avanço na campanha, são também uma excelente de forma de colocar à prova o que foi aprendido com as novas armas recebidas ou os inimigos que vagueavam pelo nível e nos bloquearam o caminho. O que é realmente curioso é o sistema de melhoramento dado ao armamento. Quantos mais inimigos aniquilarmos, mais triângulos de experiência deixam para apanharmos, o que serve para melhorar significativamente a arma empunhada.

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Todavia, se por acaso formos atingidos por projéteis ou por algum ataque físico perdemos a experiência ganha e por consequência o melhoramento obtido se descermos algum nível. Isto obriga-nos a estarmos atentos ao que fazemos, às armadilhas e aos comportamentos dos inimigos. Um passo em falso e podemos voltar a disparar com uma arma muito aborrecida.

Cave Story+ não é propriamente longo, mas tem vários finais que são obtidos conforme as escolhas que fazemos em alguns momentos do diálogo que temos com personagens-chave. E se tiverem dispostos a jogar em “Challenge Mode”, vão poder correr até ao final de cada nível no tempo mais curto possível e comparar o vosso resultado com amigos e desconhecidos na tabela de classificação disponível.

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Este excelente título da Nicalis, criadores de The Binding of Isaac: Rebirth, já esteve disponível desde de 2004 na PlayStation Portable, passando por um número considerável de plataformas, nomeadamente da Nintendo. Agora está finalmente disponível numa consola que está a ganhar tração em termos de popularidade, pode ser que seja agora que esta obra seja reconhecida como uma das melhores de sempre no seu género.