Apesar de ter surgido tarde no nosso radar, Chuchel, o estranhamente intitulado jogo dos produtores de Machinarium, Botanicula e Samorost, captou-nos rapidamente a atenção graças ao seu distinto estilo visual e curioso conceito de jogo. Descrito pela Amanita Design como um jogo de aventura de comédia, o interesse passava por saber como seria a obra capaz de equilibrar estes dois elementos sem cometer o frequente erro de deixar que um deles se sobreponha ao outro e acabe por o ofuscar.

Chuchel Imagens Analise

Esse é o principal mérito de Chuchel e a razão pela qual todo o tempo passado com o título pode resumir-se a uma simples palavra: diversão. Jogar Chuchel não é cansativo, não nos obriga a trabalhar a massa cinzenta de forma exagerada, não há frustração por ficarmos presos no mesmo nível durante demasiado tempo, não há problemas com os controlos, não há nada que afete a nossa boa disposição enquanto o jogamos. Pelo contrário, este é um título que resulta em todos os departamentos, uma experiência ao alcance de qualquer pessoa e que acabará, mais tarde ou mais cedo, por conquistar o mais cético dos jogadores.

Incrivelmente charmoso, Chuchel é curto - pode ser terminado em pouco mais de duas horas -, mas termina precisamente no momento certo, antes que a sua capacidade para surpreender o jogador e para o fazer sorrir comece a ser mitigada pelo avançar do relógio. Acima de tudo, este é um jogo que sabe perfeitamente aquilo que quer ser e executa-o com uma mestria que poucos são capazes. Claro que não estamos a falar de um título de ambições gigantescas, mas isso não retira qualquer mérito ao que a produtora conseguiu criar.

Chuchel Imagens Analise

Assumindo o controlo de uma estranha criatura cabeluda de nome Chuchel, o jogo levará-nos numa mirabolante aventura de constante fracassos e desilusões para o protagonista enquanto este compete com o seu rival pela obtenção de uma tão desejada cereja. Sendo na sua essência um título Point & Click de puzzles, a obra consiste numa série de níveis que obrigarão o protagonista a interagir com peculiares seres e cenários em busca de chegar ao seu saboroso objetivo.

O tom e o mote para a aventura são dados logo no seu arranque, momento em que o jogador tem de acordar o protagonista de um sono profundo ou, melhor dizendo, forçá-lo a levantar-se da cama. Com um cenário recheado de pontos de interação, embarcamos num divertido processo de tentativa e erro que vê chinelos serem atirados a aves durante o canto, um despertador ser enfiado na tromba de um elefante, um aparelho radiofónico desligado sem misericórdia da ficha elétrica, entre outros esforços falhados.

Chuchel Imagens Analise

Graças um absolutamente excelente trabalho de animações das criaturas e do cenário, todas estas ações colocam-nos rapidamente com o sorriso na cara e desde cedo percebemos que estamos num título onde falhar e atrasar a solução o mais possível é muitas vezes a melhor decisão, uma vez que nos permite assistir aos diferentes desfechos que a produtora criou para cada uma das ações. Sem o uso de qualquer tipo de linguagem percetiva, o jogo serve-se meramente da comédia visual para nos fazer rir e é graças à já mencionada qualidade da animação que isto resulta.

Embora a grande maioria dos níveis passe pela resolução de puzzles no sentido de colocar as mãos na elusiva cereja, Chuchel não se escusa de nos apanhar desprevenidos com segmentos de jogabilidade ligeiramente diferentes, segmentos que ajudam a obra a manter-se interessante e a progressão mais fluída. Sabendo que qualquer tipo de frustração ou irritação seria suficiente para representar um fracasso dos seus objetivos, a produtora rapidamente nos presenteia com dicas para os puzzles mais elaborados, embora pessoalmente nunca tenha sentido grande necessidade de recorrer às mesmas.

Chuchel Imagens Analise

Não é segredo nenhum que a Amanita Design sabe produzir obras bonitas, pelo que não ficarão surpreendidos se vos disser que Chuchel é um regalo para os olhos. Descrever o seu estilo visual é uma tarefa complicada, mas felizmente as imagens que acompanham este texto serão capazes de mostrar o colorido e apelativo grafismo da obra. A banda sonora acompanha a experiência de forma suave sem nunca assumir grande papel de destaque, suportando meramente a ação que vamos assistindo no ecrã.

Chuchel Imagens Analise

Se ainda não ficou claro, termino esta análise referindo que Chuchel é uma excelente obra. Pode não ser um daqueles títulos que ficará para sempre connosco ou que figurará em listas de final de ano, mas é uma experiência que, enquanto a estamos a desfrutar, executa todas as ações com um charme e uma mestria a que é impossível não ficar rendido. Referi no início da análise que Chuchel é descrito como uma aventura de comédia e essa não podia ser uma descrição mais acertada da obra. Não, não é um jogo de puzzles com piadas a acompanhar. É, sim, um jogo onde os puzzles são as piadas, onde as mecânicas de jogo e o humor são um só.