Certo conceitos parecem muito improváveis de serem adaptados adaptados a videojogo. Contudo, se há quem tenha a audácia de arriscar nesse campo são os produtores independentes. Por exemplo, como é o caso da sueca Landfall Games que lançou recentemente Clustertruck depois de pegar numa ideia simples e expandi-la para a entregar num produto completo.

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Algo tão simples como saltar de plataforma em plataforma, foi transformado num título que parece um simulador de duplo de cinema. A receita precisou de dois ingredientes fundamentais: camiões com condutores embriagados que só conduzem num único sentido, que mal reagem às alterações da estrada, e um design de níveis criativo que complementa o princípio central do jogo. As regras são simples: têm de saltar sucessivamente no atrelado dos vários camiões que se encontram no jogo, tal como saltam em plataformas de diversos outros jogos. Se o salto for mal calculado e se forem para o chão ou algum objeto vos atingir, perdem. No entanto, se há uma linha de similaridade a ser traçada para melhor visualizarem do que é que este jogo trata, esta cruza-se com Mirror's Edge, apesar de não termos indícios físicos da existência da nossa personagem.

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São noventa níveis em que têm de saltar de camião em camião, que estão sempre em andamento, até à meta. Assim, o jogo torna-se uma competição indireta nas tabelas classificativas do Steam ou da PlayStation Network. Quanto menos tempo fizerem, melhor a vossa pontuação final. Se conseguirem efetuar alguns saltos especiais, como saltar de um camião em plena queda, recebem pontos extra pela vossa habilidade. É simples e divertido, os controlos permitem que o jogador evolua sem que se sinta frustrado. Sejam bons e acumulem uma boa quantidade de pontos no marcador, e no final poderão desbloquear novos poderes.

Estes poderes dão-vos a possibilidade de poderem abrandar o tempo para acertarem nos vossos saltos com maior precisão, dando-vos a possibilidade de poderem arriscar mais num nível de dificuldade elevada. Há também um gancho que podem atirar, se em último caso sentem que o salto for totalmente falhado. Estes poderes só elevam a experiência geral do jogo. Todavia, não deixam de ser uma espécie de fita-cola para emendar a frustração sentida em situações incontroláveis pelo jogador.

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Se os condutores conduzem os seus veículos pesados cegamente, sem cuidado ou amor próprio pela sua vida, não é de esperar que vejamos também armadilhas e elementos que vão tornar a vossa vida difícil para ultrapassar a meta. Ou ainda elementos de design dos próprios traçados que nem sonhavam encontrar. Temos avalanches de rochas enormes a evitar, rodas dentadas pelas quais temos de passar pelos seus espaços exíguos, ou mudanças repentinas da direção dos camiões próximos para os quais têm de saltar. É este elemento de surpresa que nos atira ao tapete, mas que também dá alento ao jogo.

É uma dificuldade em crescendo, mas para certos jogadores isto poderá ser muito pouco. Felizmente, a produtora sueca lembrou-se de dar as chaves do jogo a quem o comprou, que na prática quer dizer que quem tem a versão Steam de Clustertruck, poderá criar os seus mapas e partilhá-los no Steam Workshop. A popularidade do jogo é tão vincada que desde 27 de setembro, data de publicação do título, já foram criados mais de quatrocentos mapas.

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Sim, o jogo é ridículo no papel, mas bom na sua execução. A sua imprevisibilidade joga a seu favor, mas não deixa de ser uma faca de dois gumes quando os jogadores mais competitivos estão a lutar pelos lugares cimeiros das tabelas classificativas e se deparam com situações injustas para a conclusão da sua partida. Uma pedra a rolar nosso caminho, quando poderíamos ter arriscado uma corrida para o próximo camião, pode arruinar por completo uma partida que estava a correr tão bem. São conceitos experimentais como este que os catálogos das várias plataformas necessitam para diversificar a sua oferta; são surpresas como estas que fascinam tanto o comum jogador que avalia precocemente e sem fundamento um título sem o ter sequer experimentado.