Solange, a grande heroína de Code of Princess, carrega um fardo demasiado pesado representado pela sua espada DeLuxcalibur. Esse fardo é levar um jogo deste género até aos píncaros de qualidade atingido pelo saudoso Guardian Heroes, visto que Tetsuhiko Kikuchi e Masaki Ukyo trabalharam no título da Sega Saturn e neste hoje analisado. Pois, apesar de uma jogabilidade sólida, Code of Princess não chega aos calcanhares da obra que quer igualar. 

Este foi um título originalmente lançado em 2013, ou seja há meia década, para a Nintendo 3DS. A Nicalis adquiriu os direitos de comercialização da obra para levá-la à Nintendo Switch, uma consola que está a ser rapidamente aproveitada por diversos produtores para publicar as suas obras a fim de receber um novo retorno financeiro que não havia sido alcançado originalmente. Porém, mesmos problemas permanecem, isto é, uma jogabilidade dependente da novidade.

A princesa Solange é a protagonista de um conto medieval onde monstros e humanos existem no mesmo plano, separados uns dos outros, nas suas próprias comunidades. Esta princesa é chamada a intervir para salvar um reino no qual uma rainha maléfica conseguiu obter controlo sobre estas criaturas, de forma a poder criar o seu próprio exército. Sozinha, a heroína do jogo tem a gigantesca responsabilidade de erradicar estes monstros e quem apoia a rainha. É, por isso, que pelo caminho encontrará quem se queira juntar à sua causa - muitas vezes, inimigos que se tornam em fortes aliados. 

Este elemento da história tem bastante mais interesse do que o resto da narrativa. Na nossa jornada passamos por muitos locais, sítios onde várias personagens se vão juntar à nossa luta contra a rainha malvada. Muitos deles até já estão a lutar do nosso lado sem o saberem e como diz o ditado popular, “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Seguindo essa máxima, estas personagens juntam-se à nossa aventura e somos recompensados com novos lutadores que apresentam outro tipo de habilidades para além de manusear uma espada como Solange, lutadores que vamos poder controlar se quisermos variar a luta para além das capacidades da princesa. 

A aventura está estruturada em quests na campanha - o principal modo de jogo, sendo que para fazer avançar a narrativa, selecionamos a quest que vem logo a seguir àquela que concluímos anteriormente. Cada quest leva-nos para uma determinada área do jogo, um local onde somos incumbidos de aniquilar todo e qualquer inimigo que se atravesse no nosso caminho. Na interface do jogo, somos sempre relembrados de quantos inimigos faltam eliminar para terminar a quest ou para passarmos para a fase do boss. A estrutura repete-se até os créditos rolarem, subindo consideravelmente a dificuldade do jogo com o acumular das horas. 

Após muitos e bons golpes bem aplicados, encerramos uma das demandas e a nossa barra de pontos de experiência enche-se para subirmos de nível, para ficarmos em melhor forma física antes de defrontar os níveis mais difíceis que se avizinham. Seja qual for a personagem que escolham, aquela que for usada para o objetivo recebe mais experiência, não obstante, tal como se tivessem levado um Exp. Share de um jogo Pokémon, os nossos aliados também recebam uma generosa quantia. Assim, quando vos apetecer trocar de personagem, não vão para um nível bastante difícil com um lutador fisicamente fraco. 

O coração de um beat em up ou de um hack n slash, como é este jogo, está na jogabilidade. Infelizmente, é uma jogabilidade debilitada, com golpes que só deixam o jogador motivado para espancar mais inimigos enquanto estes forem uma novidade para o jogador. Vão ter que repetir os mesmos golpes até se enjoarem, principalmente se descobrirem uma combinação de ataques universal para todos os inimigos. Pois há alguns bastante persistentes, que não vos dão tréguas por um único momento até encontrarem o encadeamento perfeito de golpes para ultrapassá-los.

O que vai ter de acontecer, inevitavelmente, é terem de trocar de lutadores para evitarem que a fadiga da repetição se instale precocemente. Mas mesmo que insistam em manterem-se fiéis a uma ou duas personagens, terão de trocar de lutador em algumas situações, pelos simples facto de haver inimigos bastante mais rápidos do que alguns dos nossos companheiros de armas. Terão que se adaptar a um novo estilo de jogo, um que poderá esgotar rapidamente a vossa barra de energia para executar ataques mágicos, outro com golpes rápidos que causam pouco dano, ou ainda uma forma de lutar mais próxima do inimigo. Code of Princess tem um elenco que prima pela variedade de artes marciais, apesar de cada um deles ter um curto leque de ataques que pode efetivamente aplicar no adversário. 

Uma das melhores características do jogo é a de podermos fazer uma nova ronda pela campanha, onde nos é possível escolher um dos principais inimigos do jogo para controlar. No total, com os aliados e inimigos, são cinquenta personagens que podemos controlar. Porém, tal como já o descrevi acima, Code of Princess mantém-se interessante enquanto o combate também o for. Com poucos golpes ao nosso dispor, uma mecânica que parecia ter um enorme potencial acaba por perder o seu apelo após passarmos por todas as escolhas que nos são dadas. Felizmente, ainda são muitas personagens para que não nos cansemos demasiado cedo. 

A melhor forma de jogar Code of Princess EX, é a partilhar um Joy-Con com um amigo para uma sessão de multijogador instantâneo pela campanha. Em situações mais difíceis, é sempre recomendável combinar golpes entre os dois jogadores, apesar de existirem inimigos que conseguem-se afastar bem das nossas investidas em conjunto. Embora seja hipoteticamente mais fácil ir pela via do multijogador, o jogo não se desequilibra. É também possível iniciar uma partida multijogador através da internet, mas após várias tentativas não tivemos qualquer sucesso em encontrar uma única pessoa que seja nas salas do jogo.

Os visuais de Code of Princess EX não são muito diferentes do original, mas conseguem-se agora ver linhas mais nítidas e menos pixeis, como acontecia na Nintendo 3DS. É um visual que foi adaptado para a alta definição de uma televisão tradicional, fazendo com que o jogo corra sem o mais pequeno soluço técnico. Contudo, chega uma certa altura em que aquilo que queremos é desligar o som das personagens, os constantes gritos de esforço de alguns lutadores são cansativos se ouvir repetidamente.

 

A Nicalis trouxe Code of Princess para os jogadores da Nintendo Switch que não possuem a excelente portátil da casa de Quioto, sendo este um jogo com bastante grinding, mas cuja rotatividade das personagens ajuda a que não seja tão repetitivo como foi, irrefletidamente, criado para o ser. Se são fãs do género ou do saudoso Guardian Heroes, então Code of Princess EX não vos vai desiludir por completo.