Já não é a primeira vez que produtoras nipónicas decidem fazerem as suas novas Propriedades Intelectuais emigrarem para o Ocidente a partir do segundo tomo, como é o caso de Conception II: Children of the Seven Stars - um dungeon crawler RPG da Spike Chunsoft. Joguei-o exaustivamente - atento a todas as suas particularidades - e agora não tenho a menor vontade em conhecer as suas origens, devido à sua narrativa impregnada de imaturidade.

O quadro geral do jogo parece bastante interessante numa primeira impressão; temos um Role Playing Game com toques suaves de Shin Megami Tensei quando nos é pedido para deambular por labirintos - as chamadas dungeons no léxico deste tipo de jogos. E esta componente é levada pela narrativa que nos coloca numa espécie de simulador de relacionamentos. No entanto, é esta última peça que não enaltece a obra, bem pelo contrário.

Os jogadores são o "Dom de Deus", um adolescente com uma vocação natural para eliminar as criaturas que estão a emergir de cavidades nos arredores da cidade futurista de Fort City. Todos vos admiram, são o centro das atenções das conversas nos corredores da academia, mas também muitos outros olham de lado para alguém que tem a "sorte" de ser um dos melhores discípulos.

E para derrotarem esses monstros têm que explorar as várias dungeons juntamente com uma das sete raparigas com as quais criarão "Star Children" e que vos ajudarão no combate - uma componente que vou explorar mais à frente. Este processo consiste em dirigirem à igreja onde terão que escolher uma das sete raparigas à vossa disposição com a qual vão realizar uma espécie de "ritual íntimo" para gerar os vossos aliados.

O que poderia começar bem, descarrila nos diálogos entre os jovens da escola Aterra Academy e as restantes personagens que compõem o elenco do jogo. O problema da narrativa é a sua imaturidade patente que parece ter sido escrita por um adolescente com as hormonas em ebulição, versando sobre temáticas tão espalhafatosas como o interesse no tamanho de seios por adolescentes.

Porém, a Spike Chunsoft apresenta este "ritual" como uma relação sexual entre os dois personagens envolvidas - até os "Star Children" chamam os seus criadores de pai e mãe. Para piorar, se as raparigas com as quais vão realizar este processo não estiverem de bom humor, os vossos "Star Children" acabarão por ser mais fracos.

Uma clara forma de tratar das raparigas como meros objetos, que tanto necessitam no campo de batalha e dos aliados que vos fornecem. Mas se esquecermos esta parte que transparece dos relacionamentos, temos uma mecânica deveras interessante.

À medida que vão evoluindo, os "Star Children" que são criados ficam com um nível máximo a atingir cada vez mais elevados, classes diversas que podem desempenhar diversas táticas contra os monstros que enfrentarem.

E quando chegam ao nível máximo, podem dar-lhes um papel ativo na cidade, fazendo a própria crescer, dando-vos novas lojas, itens e utilidades para melhorarem as várias componentes da jogabilidade de Conception II, nomeadamente nos combates que farão nos labirintos onde aparecem os monstros.

Já no domínio do combate, a Spike Chunsoft trilhou o caminhou correto, com laivos de Shin Megami Tensei nas seções dungeon crawler, como já o referenciei num parágrafo anterior. No entanto, este está livre de estar com problemas. Além de labirintos aborrecidos e sem vida, temos modelos de inimigos repetitivos com comportamentos facilmente previsíveis. E apesar da produtora japonesa nos trazer elementos interessantes nos combates, estes não têm força para manterem uma certa vivacidade durante as largas horas que o jogo proporcionará.

Conception II: Children of the Seven Stars mantém-se fiel à herança que a Atlus tem vindo a habituar os seus jogadores em termos técnicos. O aspeto anime está bem patente ao longo de toda a obra. O aspeto sonoro não apresenta nada de realmente relevante, mas não posso deixar de salientar a ausência da vocalização japonesa para uma experiência mais pura.

Este primeiro título da série da Spike Chunsoft não é algo que recomendaria, mas se conseguirem aguentarem com a a natureza repetitiva dos combates, então poderão ter aqui um motivo para o experimentar. De resto, a história contém demasiados incoerências e está pautada de uma imaturidade tal que dificilmente conseguirá ser levada a sério.