por - Oct 22, 2014

Costume Quest 2 Análise

O típico ritual da época de Halloween é bastante explícito quanto à natureza temática das atividades praticadas por aqueles que pretendem festejar esta época da maneira correcta. Para além do tradicional trick-or-treating amplamente divulgado entre os mais jovens, a praxe do Dia das Bruxas envolve ainda a presença certa num sem número de festas de máscaras e claro – contar história aterradoras ou ver filmes de terror.

Ao longo dos últimos anos, os videojogos têm se mostrado cada vez mais como uma excelente alternativa passível de ser adicionada a todo este processo. Como os nossos fiéis leitores se deverão lembrar, a propósito da época de Halloween do ano passado, também nós destacámos as nossas experiências mais aterradoras com algumas das obras da indústria.

Olhando para trás, tenho a sensação que Costume Quest 2 também teria sido um bom candidato a ser incluído nesse artigo. Não pela sua natureza aterradora – como aliás podem ver a partir do estilo de arte gráfica utilizada, que não deixa espaço para grandes assombros – mas sim pela forma como aborda toda a experiência halloweenesca e lhe atribui contornos alternativos, fazendo-nos repensar os acontecimentos de uma outra perspetiva.

Da mesma maneira que se apresentou à indústria com o primeiro lançamento da série, o enleio desta segunda iteração também se desenrola nesse último dia do mês de outubro. Os obstinados Reynold e Wren continuam as suas perigosas aventuras com consequências temporais que resultam num verdadeiro emaranhado de viagens no tempo. Como se não bastasse, desta vez a integridade das festas de Halloween vai ser posta em causa com as ações do mauzão de serviço – o dentista Orel -, cujos objectivos principais envolvem acabar com os doces no mundo e pôr um ponto final no hábito de cirandar de porta a porta dizendo “doce ou travessura?”.

O resultado foi ter-me apercebido que, efectivamente, tinham sido feitas alterações para melhor em relação ao título de estreia. A variedade introduzida pela possibilidade de utilizar mais do que um ataque na mesma altura fez com que as partidas se tornassem menos monótonas, retirando parte da sensação de aborrecimento que acabava por atingir o jogador mais tarde ou mais cedo.

Esquecendo momentaneamente a existência dessa componente, o núcleo duro do resto do jogo é suportado por pilares semelhantes aos de um típico RPG. O nosso avanço na história vai sendo feito através do envolvimento nas quests introduzidas, com direito até a alguns pseudo-sistemas de evolução da personagem que controlamos, que se reflete principalmente por termos de colecionar diferentes costumes ao longo da jornada, uma vez que cada um deles nos confere capacidades diferentes.

Na mesma linha dessas fatiotas mágicas estão os Creep Treat Cards, que temos oportunidade de colecionar com o intuito de as utilizar em situações específicas para nosso proveito – preencher a barra de vida ou aniquilar um inimigo à escolha são apenas alguns dos exemplos.

Já no jogo original se notavam valores de produção que garantiam uma experiência envolvente através da implementação de um tipo de arte gráfica leve, mas que conseguia captar o jogador através da sua simplicidade e dos cenários com animação suficiente para não se tornarem aborrecidos. Essa envolvência mantém-se neste caso, com o pormenor de ser elevada pela contribuição das personagens criadas para preencher o enredo de Costume Quest 2.

O apologista das causas ortodônticas que serve de mau da fita para toda a urdida consegue captar-nos através da profundidade com que as suas atitudes e respetivas consequências acabam por ser retratadas no ecrã. Um enredo destes tinha tudo para cair no erro de apresentar seres virtuais desprovidos de grandes qualidades humanas, mas na realidade a Double Fine conseguiu fazer um trabalho caprichado na construção dos NPC e das suas respetivas variações em função do espaço temporal em que estamos.

De modo algo infeliz, essa envolvência é quebrada a passos pela ausência de som nos diálogos. Tenho consciência de que faz parte do género ter que acompanhar todas as falas através dos balões com esse propósito, mas poderiam ter sido exploradas alternativas para substituir a voz das personagens, como a utilização de sons desprovidos de significado, com o intuito único de quebrar a monotonia instaurada pela banda sonora do jogo.

Em contraste, o humor explorado em cada um dos diálogos prima pela ausência de um esforço exagerado em divertir o jogador. O mundo absurdo que temos ao nosso dispor dá aso para que surjam situações caricatas sem que as mesmas tenham de ser exploradas em grande pormenor. E o próprio desenrolar dos acontecimentos, os elementos do cenário e as personagens, contribuem para que tudo transpire uma essência kafkiana agradável de se experenciar.

A cerca de uma semana do emblemático dia de fim de outubro, Costume Quest 2 apresenta-se ao mercado como uma boa proposta para passar esse fim-de-semana de forma temática. As suas mecânicas não transbordam elegância e a estrutura de role-playing game poderá mostrar-se algo limitada em algumas ocasiões, mas no final, a sensação geral é a de que a Double Fine não investiu muito em tentar fazer com que a sua obra se tornasse em algo menos sazonal.

O veredicto aponta assim para uma experiência capaz de entreter com o seu humor peculiar e personagens com carisma, mas cujas pegadas na areia não tardarão em ser desvanecidas nas semanas seguintes, tendo como lugar fatídico o fundo das prateleiras dos jogadores.

veredito

Costume Quest 2 poderá tornar-se no vosso melhor amigo durante esta época de Halloween, mas não parece fazer o esforço necessário para se tornar em algo mais que um jogo de um fim-de-semana só.
7 Atmosfera temática. Personagens consistentes. Curta longevidade. Pouca ambição na produção.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Costume Quest 2

para PC, PlayStation 3, PlayStation 4, Wii U, Xbox 360, Xbox One

In the game players go go trick ‘r’ treating, create homemade costumes…

Lançado originalmente:

31 October 2014