O nome pode ser incrivelmente semelhante, mas o nível de qualidade está longe de o ser. Poucas semanas após o lançamento de Team Sonic Racing, eis que Crash Team Racing chega ao mercado em versão revitalizada para as plataformas atuais e mostra que foi mais do que apenas a nostalgia que levou a que tantos jogadores tenham pedido o seu regresso e o transformado num autêntico clássico de culto, não sendo preciso muito tempo com as duas obras para se perceber qual dos jogos de corridas de Karts é o mais competente.
Lançado em 1999 na PlayStation original pela mão da Naughty Dog, jogar a obra vinte anos depois demonstra que nem sempre a passagem do tempo é cruel para os videojogos. Sim, os visuais da velhinha consola original da Sony são capazes de ferir a vista das gerações mais novas, mas a solidez mecânica, a velocidade e a espetacularidade das suas corridas, bem como a habilidade que pede ao jogador para superar os desafios que vai colocando à sua frente, tudo isso permanece intacto em Nitro-Fueled e está agora alicerçado num departamento técnico mais convidativo a uma nova audiência.
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Tal como Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, a obra da Beenox é essencialmente um remake em alta definição do jogo, ou seja, é o modernizar dos visuais que altera o mínimo possível à jogabilidade aclamada original. No fundo, é um esforço para entregar aos jogadores uma experiência o mais fiel possível em relação à que estes guardam nas suas memórias, servindo-se do maior poderio da tecnologia atual para dar mais vida, mais cor e mais detalhe a tudo aquilo que é colocado no ecrã.
Se jogaram, ou se pelo menos conhecem o estilo visual de N. Sane Trilogy, então já sabem o que vão encontrar neste título de corridas. Mais uma vez, Crash Bandicoot e companhia transformam-se em elementos saídos de um qualquer filme de animação ou cartoon em três dimensões. Mesmo sem ser um portento técnico que leve as consolas atuais aos limites, a verdade é que Crash Team Racing não precisa de o ser para impressionar e deslumbrar com frequência.
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Cores vibrantes, pistas com cenários diversificados e repletos de detalhes para aqueles que não estiverem demasiado concentrados na corrida propriamente dita, e efeitos de qualidade ao nível da modelagem e das consequências dos itens passíveis de serem utilizados pelo e contra o jogador, esta é uma obra que transpira charme e que utiliza com enorme eficácia o seu estilo visual para tornar as corridas ainda mais cativantes e apelativas, mesmo quando a nossa performance e os resultados vão desapontando.
E é bastante provável que os resultados demorem a aparecer, pois a não ser que coloquem a dificuldade no mínimo, rapidamente entrarão em rota de colisão com uma dificuldade que apresenta uma curva acentuada. O Modo Aventura será o local onde a maioria dos jogadores iniciará a sua estadia pelo título e logo nas primeiras corridas se percebe que este pretende que atinjam um nível de habilidade e de domínio das suas mecânicas já algo avançado para conseguirem atingir o primeiro lugar nas provas.
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O efeito rubber-banding não é extremo, mas ainda assim não deixa de ser frustrante realizarmos o nosso melhor tempo numa determinada prova, um tempo que seria suficiente para o primeiro lugar nas tentativas anteriores, apenas para assistir a um elevar de nível da inteligência artificial que vos deixa novamente fora do lugar mais alto do pódio. Se esta frustração já surge quando a dificuldade está no nível intermédio, apenas posso imaginar que na dificuldade máxima sejam precisas corridas a roçar a perfeição para se vencer.
Essa frustração é, ainda assim, mitigada por uma jogabilidade bastante satisfatória e aprimorada. A sensação de velocidade é excelente, a variedade de itens permite uma utilização estratégica e criteriosa dos mesmos, o momento em que executamos na perfeição o encadeamento entre um Power Sliding, um salto no momento certo e um novo Power Sliding para uma utilização quase permanente do Turbo Boost é extremamente recompensador, a diversidade de pistas, os obstáculos que colocam no nosso caminho e o tempo de aprendizagem para se saber como maximizar a nossa performance, todos estes elementos funcionam em conjunto para entregar uma experiência incrivelmente divertida e que nos incentiva a melhorar.
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No Modo Aventura, Crash Bandicoot e os seus aliados e inimigos competem pelo direito de enfrentar Nitros Oxide, um extraterrestre que salta de planeta em planeta em busca dos melhores corredores. Caso vença, a Terra é destruída. Caso saia derrotado, este deixa de ameaçar a segurança da mesma. Pelo meio, os jogadores terão de ganhar corridas para vencer troféus, bem como derrotar o Boss de cada área. Como já foi referido, o jogo não é meigo na exigência, pelo que muitas vezes encontrarão aqui um desafio para várias horas.
Para concluírem o modo a 100% terão igualmente de participar em Desafios CTR, corridas que têm de vencer e de encontrar as letras “C”, “T” e “R” escondidas nas pistas - por vezes em atalhos desconhecidos -, Corridas de Relíquias, onde têm de destruir caixas que param o relógio durante alguns segundos e terminar a corrida antes de ultrapassarem o tempo limite, e ainda os Desafios de Cristais, nos quais têm de recolher determinado número de cristais numa arena antes do tempo se esgotar. São desafios secundários, mas necessários para desbloquearem tudo o que este modo tem para oferecer.
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No modo Arcada Local, podem ainda participar em contrarrelógios, sendo que após atingirem determinada marca ganham a possibilidade de tentar bater os tempos de N. Troopy e de Nitros Oxide, um dos mais exigentes desafios da obra, e ainda participar em batalhas com diferentes configurações, seja um tradicional Capture the Flag por equipas, o acumular de cristais, ser o último sobrevivente ou conseguir o maior número de pontos atingindo os adversários, por exemplo. A variedade é muita, o que significa que não falta conteúdo para vos manter entretidos durante horas. Nem todos têm o mesmo grau de interesse, mas há algo para todos os gostos.
Para além disso, e porque estamos em 2019, Crash Team Racing: Nitro-Fueled conta também uma componente online que, no momento de escrita deste texto, é pobre. Sabe-se que o modo Grand Prix chegará em julho à obra e funcionará como uma espécie de campeonato com várias temporadas, mas por enquanto apenas há matchmaking, partidas privadas e com amigos, sendo que o matchmaking, tanto em partidas de corrida, como em partidas de batalha, regista alguma dificuldade em conseguir encontrar partidas com oitos jogadores de carne e osso. Ainda assim, não há problemas de latência.
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Crash Team Racing conta igualmente com inúmeras opções de personalização, a começar pelas personagens disponíveis que se diferenciam ao nível de três categorias: a aceleração, a competência nas curvas e a velocidade. Há personagens equilibradas nos três departamentos e personagens que dão preferência a cada uma das categorias, pelo que caberá ao jogador perceber qual se adequa melhor ao seu estilo de condução, bem como qual é mais útil para as diferentes pistas.
Depois disso, há skins, diferentes karts - apenas mudam a aparência e não as características da personagem -, diferentes pneus, pinturas e autocolantes para personalizar o vosso corredor. Algumas delas são obtidas através da conclusão de determinados objetivos no Modo Aventura, mas a vasta maioria é conseguida através da Pit Stop, uma loja com “negócios” diários e onde podem gastar as moedas amealhadas graças aos vossos resultados em todas as provas que realizarem. Tendo em conta o custo associado a algumas compras, pedia-se que a acumulação de moedas fosse mais rápida.
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Crash Team Racing: Nitro-Fueled é assim mais uma apetecível modernização de clássicos do passado que estavam há muito esquecidos sob a alçada da Activision. A qualidade já estava presente no jogo original, pelo que é bom constatar que mesmo passados tantos anos, Crash Team Racing continua a ser um muito bom título de corridas de Karts. Com visuais modernizados, uma jogabilidade gratificante e desafiante e muito conteúdo à disposição, esta é uma recomendação fácil para fãs do género, mesmo que a curva de dificuldade seja abusiva.

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