Filipe Urriça por - Jun 19, 2019

Crystal Crisis (Switch) – Análise

Crystal Crisis é um quebra-cabeças decente, que acaba por sofrer devido ao fraco ritmo dos seus processos de jogabilidade e à incapacidade de capitalizar a sua premissa única. É inegável que os jogos de quebra-cabeças são uns dos mais menosprezados géneros, dada a sua simplicidade. Além de Tetris, não há muitos mais jogos do mesmo género que tenham recebido um grau semelhante de sucesso. Ainda assim, a Nicalis decidiu aventurar-se por este género de jogabilidade mais pausada. 

Este jogo não é um quebra-cabeças por si só, há um combate a acontecer no fundo. São personagens do catálogo da Nicalis que lutam entre si, vindas de Cave Story, Akuji the Demon, 1001 Spikes, The Binding of Isaac, The Tempura of the Dead e até com títulos da Tezuka Productions como Astro Boy e Black Jack. Contudo, isto deveria servir de motivação para jogar e não ser o único ponto apelativo.

Se já jogaram algum jogo que combina luta e quebra-cabeças, como Ironcast (que é relativamente recente) ou o clássico Super Puzzle Fighter II Turbo, então sabem perfeitamente o que vos espera em Crystal Crisis. As peças que descem para a vossa grelha são cristais quadrangulares vermelhos, azuis, verdes e amarelos que vêm aos pares ou seja um vermelho e um azul, um amarelo e verde ou até peças com dois cristais da mesma cor. Fazendo rapidamente as contas, se há quatro cores diferentes e estas podem combinar com a mesma cor, então podemos ter dez peças diferentes. Eventualmente, um cristal em forma de losango aparecerá e permitirá que os jogadores destruam os cristais de uma cor correspondente, mas só quando este tocar no cristal da sua cor.

É um sistema sólido, embora não seja totalmente original se estiverem familiarizados com este género específico de quebra-cabeças. A única razão que nos motiva a jogar Crystal Crisis, nesta fórmula tão conhecida, é o facto dos jogadores poderem usar habilidades de ataque e defesa durante cada luta, consoante a personagem que escolheram. Os dois tipos de habilidade são diferentes em todas as personagens, embora alguns sejam claramente mais adequados para serem utilizados numa fase de aprendizagem. A maioria das habilidades tem usos claros num altura em que a partida está numa fase mais avançada e, por isso, complicada.

O jogo é, geralmente, mais lento e longo do que um típico jogo de Tetris ou Puyo Puyo, o que por si só não é mau, mas os ataques denominados de Bursts quebram mais vezes o ritmo do que o que seria desejado. Não há dúvida nenhuma que estes dão uma vantagem a quem os utiliza, mas colocam também o outro jogador em espera, enquanto o ataque é efetuado. Quebrar o ritmo num jogo de puzzles é dilacerar o fio condutor dos processos mentais que temos vindo a fazer até a esta pausa abrupta. Infelizmente, a lógica de jogo de combate prevalece, sobrepondo-se aos elementos de quebra-cabeças – o que não abona a favor do jogo. 

Quando algumas das rajadas de ataques mais fracos tem efeitos mínimos, isto ainda pode ser mais frustrante. Os longos tempos de carregamento também são uma das partes negativas de Crystal Crisis, quando este deveria ser rápido a iniciar para uma partida instantânea. Imaginem terem que andar à procura de um jogo de Sudoku escondido no jornal, quando queriam uma distração rápida – quando chegarem ao vosso destino ainda nem sequer teceram nenhum processo de resolução lógica do problema. 

Um dos elementos principais de Crystal Crisis é o seu modo de história. Este era um dos aspetos que estava mais curioso de experimentar, pelo simples facto de juntar tantas personagens de títulos tão diferentes mas, tal como Blade Strangers, esta foi uma oportunidade perdida de criar algo interessante. Há diversas personagens em busca de cristais vermelhos para evitar que estes destruram os seus respectivos mundos. Contudo, esta premissa não chega a ser mais do que um evidente fanservice para os apreciadores de Cave Story. Caso tenham paciência para explorar todas as hípoteses abertas à narrativa, há uma longevidade bem extensa, porque no início podem escolher com qual personagem desejam lutar.

Crystal Crisis é um bom jogo de quebra-cabeça com conteúdo suficiente para o preço exigido e um grafismo e sonoridades interessantes para o que querem entregar. Infelizmente, decidiram que Cave Story seria a atração principal, quando a Nicalis detém os direitos de várias obras bastante interessantea, nomeadamente Code of Princess. Mas não nos podemos esquecer que este género está em vias de extinção e é sempre bom relembrar o porquê de ser um género tão cativante. Apesar do sistema de habilidades quebrar o ritmo, Crystal Crisis acaba por ser uma adição a referir ao género que Puyo Puyo e Tetris lideram e à Nintendo Switch, por ser uma consola portátil ótima para este tipo de jogos.

veredito

Uma perspetiva ligeiramente diferente ao género edificado pelos colossos Puyo Puyo e Tetris. Infelizmente, as mecânicas introduzidas quebram a premissa de Crystal Crisis em vez de a fortalecer.
5 Boa premissa de um género menosprezado. Quebra frequente do ritmo. Mecânicas que não favorecem a jogabilidade. História descartável.

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Crystal Crisis

para Nintendo Switch, PlayStation 4

Lançado originalmente:

03 July 2022