Os jogos de meios humildes acabam por ter muito menos cobertura mediática do que, por exemplo, um Call of Duty ou um Assassin's Creed. E é por isso que a primeira luta de um jogo independente é, precisamente, ganhar um certo apelo a quem faz a sua divulgação nos meios de comunicação especializados. Dandara cai nesta categoria de jogos, a sua protagonista move-se de uma forma muito peculiar que é a base do jogo para se destacar da concorrência e procurar chamar a atenção de quem joga. 

Por si só, este jogo brasileiro da Long Hat House estar disponível na Nintendo Switch já é um grande feito. É um metroidvania com uma mecânica de movimentação muito original, onde o jogo foi desenhado à volta deste processo. Os saltos que a protagonista faz para o chão, tecto e paredes dão-lhe uma dinâmica mais pausada e obriga-nos a pensar de uma forma diferente do que é habitual com personagens de jogos do mesmo género.

Imagens Analise Dandara

É impossível conseguir perceber a temática de Dandara, sem que se faça uma rápida pesquisa ao jogo. Aparentemente, Dandara é inspirado numa história brasileira, de uma mulher que liderou uma revolta dos escravos no início do século XVII. No jogo, isto é vagamente contado em diálogos com outras personagens através de recursos expressivos, nomeadamente metáforas. Por isso, é normal que a história que o jogo quer contar passe ao lado. 

Num mundo surreal, em que a gravidade é regida por leis diferentes, temos de saltar pelo chão, paredes e tectos, assim como outras superfícies devidamente assinaladas. Não nos é dito para onde temos de ir, ou qual é o nosso destino final, por isso resta-nos explorar e descobrir o nosso propósito no jogo. Além dos saltos peculiares já mencionados, há também inimigos para evitar, perigos pelo caminho, e alguns bosses que pautam a aventura. Felizmente este é um aspeto que Dandara faz bem, mas há uma certa dificuldade relacionada com a descoberta do nosso caminho ou de como aceder às partes que estão bloqueadas. 

Imagens Analise Dandara

Para se deslocarem no mundo de Dandara têm de descrever o ângulo com o analógico esquerdo para aterrarem onde desejam. Ao mexer com esse mesmo analógico, traçam diagonais à vossa atual posição e sabem exatamente para onde vão parar com um sinal a indicar o ponto exato da vossa próxima paragem. Porém, não basta só saltar para irem onde querem. É preciso ter em conta que há inimigos por onde passam. 

Percorrer o jogo de superfície em superfície nunca se torna confuso. Todavia, há partes em que o cenário roda depois de irmos para um determinado sítio do cenário. Assim temos uma melhor visão de onde estamos, mas podemos ficar um pouco desorientados se não estivermos atento ao caminho que estamos a seguir. Não adianta consultar o mapa quando o cenário roda, só vos vai confundir. Saiam e voltem a entrar no mesmo nível e vejam o mapa para vos ajudar a saber o que ainda não visitaram.

Imagens Analise Dandara

Dandara tem esta mecânica de deslocação, no mínimo estranha, que nos incentiva a explorar o que podemos fazer com o que nos oferece. Usem técnicas evasivas com inimigos que voem contra vocês e estes despenham-se em mil pedaços contra a superfície na qual estavam há alguns segundos. Os inimigos são uma parte integral do jogo, sobretudo por serem a fonte de sal que tanto precisamos. Este sal que recebemos é a nossa moeda de troca para melhorar a nossa personagem nos acampamentos que vamos encontrando. 

Percorrer este mundo sem objetivo tem um certo apelo. Nós fazemos o nosso caminho, a nossa jornada, assim construímos o nosso próprio mapa mental do jogo. Ficamos a saber onde estão os bloqueios e que possíveis caminhos ainda nos restam para conseguirmos encontrar uma solução para o nosso problema. Fazem-se muitos avanços e recuos, uma característica típica deste género de jogo. Mas como nem sequer temos a certeza que estamos a ir pelo caminho correto, esta tarefa pode revelar-se, mais tarde, numa atividade frustrante.

Imagens Analise Dandara

O jogo foi desenhado com a técnica pixel art, que só favorece em termos do design preciso das plataformas. A animação dos movimentos da protagonista tornam-na numa bailarina graciosa enquanto se desvia de projéteis e de inimigos que pretendem travar-lhe a progressão. É um jogo muito técnico, no sentido que não foram incluídos elementos que perturbem a exploração e, principalmente, o saltar de plataforma em plataforma. A música é relaxante quando estamos num momento de exploração e mais enérgica quando nos cruzamos, em particular, com bosses. Assim, tudo se conjuga da melhor forma.

Com um mercado que já começa a ter uma vasta oferta de títulos metroidvania, é bom ver algo familiar e com algo único no mesmo produto. Dandara, contudo, não se esquiva a ser bastante frustrante pela ausência de sinais que nos digam por onde seguir. Se vão optar pela compra de Dandara, que é uma boa escolha, não se esqueçam que haverá alguns bloqueios como estes.