Enquanto alguns ainda suspiram e aguardam pelo regresso a partir das cinzas da série Burnout, antigos membros do estúdio responsável pelas obras de condução e corridas a alta velocidade juntaram forças para estabelecer a Three Fields Entertainment, uma nova produtora independente composta por alguns dos principais nomes dos tempos áureos da Criterion. Depois de Dangerous Golf e Lethal VR, Alex Ward e Fiona Sperry regressam agora ao género em que mais se sentem em casa com o lançamento de Danger Zone.

Imagens Danger Zone Analise

Não, não estamos perante um título de condução ou corridas. Estamos sim perante uma obra inspirada num dos mais populares modos de jogo da série Burnout, mais concretamente, falamos de Crash Mode. No fundo, Danger Zone, tal como a sua fonte de inspiração, apresenta-se mais como uma obra de puzzles do que propriamente outra coisa qualquer. Não existem obstáculos a travar o nosso progresso, mas existem situações para serem analisadas e capitalizadas com o maior grau de sucesso possível.

Transportando-nos para um laboratório subterrâneo de testes de colisão de veículos, Danger Zone pede-nos algo bastante simples de compreender, isto é, com apenas um único carro sob o nosso controlo, causar o maior caos possível nos diversos cenários que são colocados à nossa disposição. Como facilmente se percebe, o conceito da obra propõe oferecer uma experiência apropriada para curtas sessões de jogos e de gratificação imediata. 

Imagens Danger Zone Analise

Para lá da enorme destruição e fogo de artifício que vemos no ecrã provocada pelos acidentes rodoviários em catadupa, ver a pontuação que assinala o valor monetário dos danos causados aumentar progressivamente à medida que cada vez mais veículos vão sendo apanhados no caos iniciado pelo jogador enche-nos com um perverso sentido de orgulho e de trabalho bem feito. Ainda assim, o foco nas pontuações e a existência de tabelas de líderes servem sobretudo como incentivos inteligentes à nossa experimentação, obrigando-nos a testar novas metodologias para conseguir resultados ainda mais destrutivos.

Com um total de 24 níveis divididos em três secções de crescente dificuldade, Danger Zone vai-se revelando ao jogador à medida que este consegue obter a pontuação mínima para obter a medalha de bronze do respetivo nível, desbloqueando dessa forma o cenário seguinte. Como não poderia deixar de ser, a diversidade dos níveis e os diferentes desafios que oferecem é bastante assinalável e contribuem para que o título consiga manter o jogador motivado para regressar para futuras sessões de jogo.

Imagens Danger Zone Analise

Dito isto, caso não dêem grande importância às tabelas de líderes, é provável que a obra da Three Fields Entertainment não tenha a robustez necessária para evitar que a monotonia se acabe por instalar. Perfeito para sessões curtas, o facto do conceito do título estar assente numa única mecânica - executada da melhor forma possível, diga-se - faz com que este seja incapaz de se modificar e introduzir novos elementos para lá dos cenários diferentes, ou seja, temos um título que, embora seja extremamente competente, perde muito do seu interesse quando o fator novidade desaparece.

Apesar da espetacularidade e caos com que nos cumprimenta no ecrã, Danger Zone é uma obra que joga demasiado pelo seguro, que se mantém demasiado fiel ao modo de jogo de Burnout em que se inspira e que é incapaz de se reinventar à medida que o jogador vai progredindo pelos seus níveis. Afinal de contas, a estratégia para obter as melhores pontuações passa quase sempre por conseguir ativar o maior número de vezes possíveis o Smashbreaker - desencadeia explosões com um único botão - com a ajuda dos bónus passíveis de serem recolhidos no cenário. O título mantém-se demasiado similar ao longo da experiência e esse é o seu principal defeito.

Imagens Danger Zone Analise

No que diz respeito ao seu departamento técnico, o jogo destaca-se pela solidez da sua framerate, que nunca cede perante o caos que vai sendo retratado no ecrã. O grafismo não é propriamente diversificado, nem capta a atenção do jogador, mas nota-se um esforço para que o espetáculo de destruição seja visualmente apelativo, muito graças aos efeitos visuais das explosões, faíscas, fumo e vidros estilhaçados. A produtora sabe quais são as melhores qualidades da sua obra e aproveita-as da melhor forma também neste departamento.

Danger Zone é uma experiência interessante na qual podem queimar algum tempo em curtas sessões de jogo. A diversidade de cenários é agradável, mas a jogabilidade não sofre quaisquer alterações ao longo da vossa estadia neste laboratório de simulação de desastres rodoviários. A execução da ideia em que assenta a experiência é praticamente perfeita e a sensação de recompensa é imediata, no entanto, isso não é suficiente para manter a obra fresca após o efeito novidade ter desaparecido.